domingo, 13 de novembro de 2016

Voto Obrigatório X Voto Facultativo

Caderno de Política
por Cícero Esdras Neemias

Após a eleição de Donaldo Trompete (e não "Topete"), seguidas por uma "guinada à direita" no nível municipal brasileiro, causa (direta ou indireta, que seja) dos tropeços da esquerda em seus próprios cadarços, abre-se na Academia e em jornais de menor expressão o debate sobre Voto Obrigatório X Voto Facultativo.

No caso Trompete, onde o voto é facultativo e a captura da opinião do ausente eventual se transmuda em "maioria silenciosa", não é a obrigatoriedade do voto que se debate, mas sim o modo de interpretá-lo no varejo. Um sistema federalista puro, em que os estados declaram a prospecção do vencedor local em detrimento de uma soma absoluta de votos do todo nacional, sem distinções regionais, tem tônica mais forte do que propriamente a transformação de um direito de escolha em dever cívico-funcional, o que seria, no caso em discussão, um problema destes cantos do mundo.

Por lá, muito por influência jeffersoniana, criou-se nos idos de 1788 um sistema que seria (ao menos como se via naquele tempo pré-Texas e proto-iPhone) “à prova de oportunistas”. É nesse sistema que o federalismo americano se expressa da forma mais plena e acabada: a União não interfere na escola que cada estado fizer, nem tampouco interferem os estados, entre si, em suas próprias escolhas: os mais justos até que reclamam dos mais injustos, mas fora reclamar, nada lhes resta a fazer. Vai quem quer (às urnas), chega quem pode mais (à Casa Branca), cada qual com o seu regulamento embaixo do braço (esquerdo ou direito).

O caso Trompete quebra essa máxima da blindagem política: foi justamente esse sistema casado à não obrigatoriedade do voto que alçou à Casa Branca essa espécie de Homem de Cabelos Laranja com espírito de Rei Norte Coreano Pré-Adolescente.

Enquanto por lá se discute como evitar não apenas gente como Trombeta (ou Trompete, pois não quero aqui confundir “Trump” com “Horn”), lembram-se também as alternativas que estavam surgindo do outro lado dos insatisfeitos: um tal de Bernardo da Areia, que a ventania da Trombeta acabou de dissipar de forma definitiva. Em outras palavras, esse sistema federalista (hoje em dia bem para lá de tosco de forma geral), como havia sido prenunciado em 2000 pela vitória mal explicada do Jorge Andarilho Moita ia dar onde deu - pena que ninguém imaginava qual néscio da altura do Sr. Trombeta que aproveitar-se-ia temerosamente dessa oportunidade.

Que seja, isso é o que temos para hoje.

Por aqui, percebe-se que o voto obrigatório seria nossa mazela (ou senzala).

Outrora atacado pelo mesmo PT que passou a defendê-lo com unhas e dentes assim que chegou ao poder e que agora, vendo seus apaniguados do Bolsa Família abrindo as portas de palácios governamentais aos pastores pentecostais, o voto obrigatório ganha as pedradas de todos aqueles que não são MDB.

Sim, ele, esse malfeitor, o voto obrigatório, que já passou do tempo dos ataques enquanto vemos até o facultativo sofrer fuzilamento em praça pública. Dizem por ai que tem gente demais sem saber o que pensa tendo o direito de dizer o que acha sobre algo que não faz a menor ideia de como funciona: e quando esse direito passa a ser obrigatório ficamos com a seguinte fórmula – gente demais sem saber o que pensa tendo o dever de dizer o que acha sobre algo que não faz a menor ideia de como funciona.

O voto está sob ataque neste início do século XXI com a ferramenta eferrujada da democracia, antes que digam que ela, a democracia, a melhor das piores, é que tem lá sua inoperabilidade perante as liberdades e as igualdades ou, até mesmo, a lógica. Ideias de voto qualificado estão se espraiando pelo mundo em reação às estridências da Trombeta Laranja. Quem ainda não viu, se informe sobre as ideias de Jason Brennan nesta era da Sétima Trombeta do Apocalipse.

E atacar o voto aqui abaixo da Amazônia equivale a derrubar essa muralha, outrora construída por Olavo Bilac quando flanava fora de sua atividade como letrista de hinos chacotados em grau máximo e autor de sonetos de gosto mais do que duvidoso. Mas, convenhamos após análise – desse sistema bilaquiano de compulsoriedade do voto que desaguou num cabresto oficializado pelo Estado que alcançou seu ápice durante os tempos de Militares no Poder, o que resta, hoje, dessa obrigatoriedade, edulcorada por uma alternativa de justificação de fundamentação pronta, que equivale a uma abstenção consentida a priori pela lei?

Veja-se nessas eleições de 2016 - a ausência chegou perto dos 20% e vem de um continuum crescendo, seja ele por problemas pontuais (recadastramento, como tentaram alguns inverter a causa em descarada petição de princípio), seja por problemas de difícil compreensão (abstenção pura e simples por opção do eleitor que se orgulha de "justificar o voto desde 1989" e assim por diante).

Essa queda vertiginosa nos índices de legitimidade são obviamente escondidas pelos detentores do poder e manipuladas por jornalistas que atuam como seus procuradores, tal qual os capitães do mal recadastratório.

Como dizer, então, dadas tais margens crescentes causadas por um sistema de ampla facilidade para "justificação de ausência", que uma pessoa está "obrigada a votar"?

Mais – ainda que não justifique, o que dizer de um sistema que, mesmo assim, permite que o eleitor pague uma "multa" pela sua "violação da lei eleitoral que impõe a obrigatoriedade do voto", se a tal multa ainda dá troco quando é paga (com atraso até...) com uma nota de R$2,00 (dois reais)?

Convenhamos: "voto obrigatório" no Brasil é um de nossos curiosos mitos urbanos (e, por que não reconhecer, um de nossos mitos rurais também, ao lado do ET de Varginha e do Chupa-Cabra).

No Brasil, só vai votar quem não tem paciência para "justificar a ausência" ou não sabe como "pagar a multa" ou, digamos assim, se importa algo com o dever moral imposto por lei em face de sanções que não assustam nem o mais castiço dentre os brasileiros.Os demais, nem sabem quando a papeleta do “votei para prefeito em 2016” poderá ser exigida ou usada (talvez para tirar passaporte, mas hoje ninguém na PF sequer olha se você votou ou não).

O sistema dá brechas infinitas para não se votar.

Reformulando: o sistema permite que não se vote.

Proibições para compelir a prática de um ato, a semelhança do nosso sistema de voto obrigatório em nossa lei eleitoral, equivalem, como diria o velho Goffredão, a uma permissão.

Paremos com essa balela de que o voto no Brasil é obrigatório.

Pois bem, se vivemos num sistema de "voto facultativo de fato", justamente porque a obrigatoriedade jurídica é, ultima ratio, escorada numa multa de menos de R$2,00 (dois reais) e considerando que o nosso sistema é absoluto sem qualquer traço de federalismo como ocorre nos EUA, qual o problema por aqui?

O problema é que não há problema algum com o sistema.

O problema por aqui é muito outro.

E isso até que surja por aqui uma versão local de Trombeta – e não me refiro aqui a Bolsonaro, um insider da política; penso em algo semelhante mas em versão local, algum empresário "bem sucedido" e cheio de ideias malucas, algum Chatô em versão moderna que misture um pouco de Berlusconi com Putin; um senhor de Engenho ou dono de Cortiço do tipo Romão que veja na política um espaço a ser ocupado pela sua vaidade, que não cabe mais nos Conselhos de Administração que frequenta nos “mercados da vida”.

É só olhar em volta que acharemos vários desses.

É só dar a ideia que em 2018 ele estará lá, pronto para ocupar o Planalto e receber uma ligação do Trombeta parabenizando-o pela lição aprendida e aplicada.

E quando ele se candidatar e der "traço no Ibope", não vai ser o voto obrigatório de direito ou o facultativo de fato que vai nos tirar da agonia de ver (mais um) imbecil dirigindo o nosso país.


Tanto lá quanto aqui, a proposta é: vamos acabar com o federalismo de uma vez antes que ele acabe com cada um de nós.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Recadinho

Caderno de Assuntos Escolares
por Clóvis Hauser (estagiário de m...)

À turminha que gosta de invadir escolas: a melhor maneira de protestar contra uma grade escolar é estudando aquilo que foi cortado e aquilo que foi imposto.

Se você acha importante aquela matéria que te disseram que era importante, ESTUDE-A.

Mas não invada a escola para torná-la obrigatória para quem quer estudar todo o resto e não pode, justamente porque você não está estudando nem uma coisa, nem outra.

Grade, no tempo do seu professor, definia escola e as bobagens que eles falavam em cada sessão de 45 minutos - no nosso tempo, grade é o que separa um criminoso de um trabalhador.

Em outras palavras, vê se toma vergonha nessa cara e vai trabalhar (estudar também serve).

The Guilty

Vera Cruz Times

Bill Clinton just delivered a speech justifying why his fellow mate Hillary failed to win the most winable elections ever in the history of the Solar System.

Well... it was not a speech - he just proved a fact with strong evidences:



Sympathy for the Devil...???


To get things worst then they could be, she borrowed clothes from the Mick "Pé Frio" Jagger:


Paint It, Lettuce!!!

UNBELIEVABLE

Vera Cruz Times
por José da Silva

The astonishing and overwhelming ability of the Working Class to do stupid things is really infinite.

A few months ago, they went up with the Brexit – brilliant! Congratulations!

Now it is time of the US Working Class: “white male blue collar”, as they are usually saying in US to precisely define those who are there with, basically, no college and some poor literacy.

The same morons who put Obama on the White House on the hope of a free health insurance plan are now upset and just turned US, a former progressive and populist government, into a new form of one: the Nazi-democracy.

The “hate speech” and the Hitler-style of addressing ideas to the people in general is now inserted in a system with a Legislative Branch (absolutely controlled by the same owner of the chair on the Executive who addresses the hate speeches), but with serious oversight by certain institutions and agencies and, mainly, by the Judiciary.

Hate speech will turn into a form of public governance: until our guts can support this kind of treatment in the public arena.

Hate speech is now the rule all over the world. We lost the last bulwark of the institutionalized moderate speech controlled by the etiquette of the politically correct perspective of living. The next step will be the fans of Red Sox start to beat, like animals, those blue Yankee fans and vice-versa (just to be in line with the other parts of the civilized World like Europe).

Negotiation, agreements, understandings, tolerance and the politics based on reason are part of the past. Samurai virtues and cavalry public posture are things for sissies: the political arena cannot tolerate gentlemen anymore – it is a field for rude people with neolithic arguments and reasoning, but, as they say, “with guts”.

In other words – the political arena is completely occupied by hooligans: don’t you want to Occupy Wall Street? Yeah… they got that: all of them with the mask of 18th Century British Terrorist and representing… – the Blue Collar people!!!

They occupied: not only Wall Street but also the White House.

And the Nazi-democracy is exactly what is happening now in US, since then: people chose, clearly, the hate speech and the affirmative statements of a race over others, of a social class over others, of an intellectual (low) condition over others, of a bunch of vices and “minor hatings” over others. The so-called “silent majority” showed up and, literally, delicately offered the middle finger to the “loud minorities” (which I really don’t know who they are…).

The “silent majority” is the nowadays politically-incorrect institutionalized. They found someone to say what they cannot – he is rich, crazy, and inconsequent and can give voice to the inner vices assuming a large liability for his hate postures. Now, with money and political power, we can say that hate speech and hooliganism in politics is more than permitted – is incentivized by example.

Yes – Homer Simpson prevailed.

On their turn, the “silent majority” believes in the self-made man: not in that one who will be conducted to the White House, but strictly on themselves. They think they are able to win in that country because the country, itself, is the land of opportunities. The magic is in the land and on themselves, not on people (mainly other people). The only thing they need is someone to take the “minorities” out of their way. Simple.

In the military, a “silent majority” is also what a few soldiers found in Vietnam and all over Middle East: troops of unidentified soldiers, pretending they are simple civilians, but with real military potential to harm adversary troops. War crime? No. Self defense.

But a few call them terrorists.

And the silent majority will, in their turn, call the other side as terrorists while they will consider themselves in “self defense” against these potential harmers.

Terrorists prevailed, in the end of the story. Yeah – it seems not so simple…

And, talking about terrorists, once a friend of mine, who is a brilliant political scientist said, from a real political point of view and from the perspective of the distribution of power, that citizens of affected countries should have the right (or, at least, the opportunity) to vote for President in US, although they are not even US citizens or (God!) US residents. I thought that statement was a blasphemy, a bad joke from the perspective of the citizenship rights definition. The “others” cannot interfere in my right to choose my representative, although the things my representative does can interfere on their rights; but just as matter of consequence and not as matter of chose…

Nowadays, I understand what she said. But I confess, it is too late to recognize that…

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

FHC Candidato 2018

por Dom Fernandes III

Prometo que quando morrer, tão logo chegue ao Reino dos Céus, mandarei Deus e toda a sua turma (incluindo Jeová, Maomé, Jesus, São Pedro, São Miguel Arcanjo, Karol Wojtila, Edir Macedo, Silas Malafaia, Ogun, Xangô, Buda) para o QUINTO DOS INFERNOS!!!

Alguém precisa trabalhar naquela porra!!!!!!!! Assim não tá dando!!!!

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Reforma da Previdência e o Pleno Emprego no Brasil

Caderno de Economia
por Magnus Blackman

Tempos atrás, fomos brindados por uma análise interessante de nosso convidado especial, Torozaemon Sama, sobre um certo projeto da "Ponte para o Futuro" então codinomeado "limite de gastos".

Fato é que o tal limite virou projeto, que por sua vez virou PEC (proposta de emenda constitucional), que por sua vez já foi aprovado na Câmara, que por sua vez será facilmente aprovado no Senado.

Não que sejamos contra: somos até mais radicais, como bem lembrou Toro Sama, nem a inflação deveria entrar na conta (sobretudo ela, diga-se de passagem, como motor de aumento lícito desses gastos).

Deixemos de lado então o nosso desconforto a essa versão "light" de limites, juntamente com a curiosa forma de convencionar esse limite constitucionalmente, admitindo que, por ora, vamos ter, algum que seja, limite.

Limites são vitais.

Ainda que flácidos e flexíveis, limites continuam e continuarão a ser vitais - a flexibilidade apenas reduz a vitabilidade, mas é o limite em si que garante a vida e não o oposto. Talvez a vida imponha limites, mas não os garante.

Dito isso, nos parece que a PEC 241 nos dá, na verdade, uma certa sobrevida. Não renova a vida em novo ídolo esse modelo de limite, pois ele permite que o aumento do sucesso presente se dê com base no fracasso do passado. E isso, para nós, é sobrevida. Quando o sucesso presente é alimentado pelo fracasso passado, vivemos uma espécie de alcoolismo econômico. Essa PEC 241 ajustada pela inflação me parece bem isso.

Espertos, os econo-acólitos do governo já lançaram o discurso de que sozinha a PEC 241 não fará chover na lavoura por muito tempo. Será necessário mais e mais; precipuamente, ajustes em gastos que incomodam. O alvo da vez é a previdência.

Teríamos outras pautas para atacar: a atividade econômica, seja em regime de monopólio legal, seja em regime de monopólio de fato, desenvolvida pelo estado; a atividade econômica em regime de oligopólio em associação com os mecanismos de governo (exemplo disso são os setores de telecomunicações e energia); os tantos e quantos subsídios (que já receberam, alguns deles, vulgos interessantes como "bolsa-empresário"); o regime político eleitoral (com o agora salvador "fundo partidário") e por que não lembrar, a própria estrutura política e de distribuição da participação de poder no Brasil, a saber, os próprios legislativos, os partidos políticos em si, e, convenhamos, o próprio federalismo (estado pra que??? - "cala-te, boca, não é a hora!").

Deixando essas pautas de reivindicações de lado e dando a necessária sobrevida à nossa degenerescência burocrática com essa PEC 241 de limites "light" e com um pouco de gordura polissaturada (mesmo porque não discordamos que a Previdência careça lá de uns ajustes), vamos então a ela, ainda que não seja ela, a feiosa previ-bruxa, a "Top 1" de nossa lista de prioridades.

Ela estaria em nosso "Top 5". Em suma, não começaríamos por ela, se isso aqui fosse uma monarquia e eu fosse o rei: como não temos nem uma coisa nem outra, vamos seguir o efeito manada (vulgo para "democracia moderna") e vamos falar de previdência.

E no mérito desse tema, muitos querem atacá-la começando pelo regime da previdência comum. Começa-se com o tom científico de que a medicina, ao esticar as expectativas de vida, o vigor físico aos 40, o Viagra aos 60 e a menopausa aos 70, teríamos, então, o quadro "científico" ideal para adiar o tempo de ócio remunerado para 80 e poucos anos. Basta ver as maravilhas que o gH fez no UFC.

Outros ainda vão pelo que parece óbvio: quem se "aposenta" mas "continua trabalhando" não pode receber do estado a sua parcela de "ócio remunerado" - para tanto tem que parar de trabalhar de fato. Independentemente disso ser um dos mais energúmenos estímulos ao "não trabalho", algo bem típico do regime político de um sistema liderado pela ironia de um Partido que se diz "dos Trabalhadores", temos cá conosco que nem o problema e nem a solução estão ai nesse canto da sala.

A aposentadoria de quem efetivamente trabalha e de quem efetivamente trabalhou não precisa mudar tão drasticamente, exceto pelo detalhe em relação ao regime de aposentação por tempo de serviço: começar mais cedo não pode ser uma desculpa para ir para o "ócio remunerado" antes que outros; antes inclusive que a média mundial de aposentação por idade (nesse sentido deem uma olhada na tabelinha que o PINTO MARTINS fez em 2015:372). Nessa tabela, temos que trabalhar, ao menos em tese, tanto quanto se trabalha no Japão.

E esse "em tese" é onde mora o problema, pois na prática o nosso regime é feito para uns trabalharem e outros não. E há regimes de "não trabalho" cujo "ócio remunerado programado" é sustentado pela ativa da expectativa de "ócio remunerado não programado" de outros; tenha começado mais cedo ou não, seja porque preferiu estudar mais, seja porque preferiu "aproveitar mais a vida" e esticar seu tempo de nem-nem-nem.

Vamos apontar o dedo logo: temos um regime de previdência para cargos eletivos no Brasil que é o nosso verdadeiro Mal de Lázaro.

Senado, Câmara, Assembleias de Estados (servem pra que, mesmo??? eu não sei pra que servem....) e as infinitas Câmaras Municipais espalhadas por este Brasilzão (ou seria Brasilsão?) consomem um portfolio de dinheiro de dar orgulho a qualquer horta de dólares no Mundo.

Pergunto: por que pagamos a aposentação de um Senador que conclui o seu mandato com um "ócio remunerado" equivalente à íntegra de seu último salário (se comprovar que antes do mandato contribuiu alguns anos, mas convenhamos, uma vez lá o parlamentar comprova até o ingresso antecipado no Reino dos Céus), profissão essa de "representante" do povo (que de fato ninguém representa a não ser a si mesmo) cuja escala de trabalho é... de presença opcional, de 3ª a 5ª com 2 meses de recesso mais um de férias, sem contar as licenças, viagens internacionais, ausências consentidas, faltas, moradia "oficial", Uber próprio e até, pasme, uma polícia pra si mesmo ? ? ? ? ? . . . Por que? Por que? Por que?

Novamente pergunto: recebe essa aposentação em troca do que, o distinto Senador, se a única coisa que fez foi de fato não trabalhar?

Presidente (e, agora, Presidenta também) afastado, item, recebe lá o seu naco garantido. E veja: impeachment é como uma "demissão por justa causa" - se Dom Fernandes III me mandar embora por "justa causa", além de não receber o "seguro desemprego", minha aposentação se bagunça no tempo dos condenados ao desemprego. Por que pagamos integralmente o salário de quem "demitimos por justa causa"? É por causa do regime de condução e contratação? Então se o regime de vinculação é eleitoral, o salvo conduto fica garantido até em caso de crime de responsabilidade?

Começando pela completa extinção de qualquer incentivo financeiro pós-mandato de cargos eletivos e comissionados, estaríamos falando de uma reforma previdenciária séria.

Deixemos o regime especial para quem prestou concurso, passou e tomou posse (algo que gera mi-mi-mi no Lula... por que será?). Quem foi eleito não deveria ter direito a um centavo sequer, pois mandato eletivo não é profissão e, em tese, tem tempo para acabar (se bem que a prática nos prova o contrário: basta olhar para o Congresso e chorar cada vez que nos perguntamos - quando isso acabará? quando esse cara vai pra casa e nunca mais vai voltar?? mas ele volta, não e Maluf?). Que tal começarmos essa discussão pelo completo fuzilamento da PSSC (Plano de Seguridade Social do Congressista) com a queima em praça pública da Lei 9.506/97? Lembremos - nenhuma revolução se começa abrindo mão de fuzilamentos e queimas em praça pública: PSSC e Lei 9.506/97 talvez seja um bom começo para fuzilar e queimar preservando pessoas.

Em segundo lugar, as aposentadorias de mandatos eletivos cassados, suspensos, interrompidos por impedimento, enfim, name it, de "demitidos por justa causa" (sobretudo quando a justa causa decorre de improbidade administrativa, rejeição de contas pelo Tribunal de Contas e outras razões que para eles são menores, mas para nós importam bastante): fazem algum sentido???. Por que pagamos a essa turma do "crime de responsabilidade" por algo que eles não deveriam fazer nem nunca jamais ter feito?

E por falar em político e crime..., bem, lembremos de outro regime, esse, em si, fantástico.

Falemos do regime de aposentação dos presidiários e dos condenados a penas superiores a 30 anos (sem prejuízo da lembrança de que o "crime de responsabilidade" é algo, digamos, peculiar em nós - isso é assunto de estagiário e não vamos mais perder tempo com isso).

Embora a nossa lei impeça que um condenado a pena superior a 30 anos de cadeia careça cumprir mais do que isso para que sua situação não se torne um "ergástulo de fato", o Estado vai lá, por ordem legal, e solta o condenado. Temos em nosso sistema um hedge criminal que nem o mais sofisticado derivativo consegue reproduzir sinteticamente. Faz-se a coisa mais absurda do mundo e meu limite de gasto em serviço prisional é imposto por lei: 30 anos. Isso quando não o faça aos 68 e venha com o papo furado de que aos 70 o homem vira um anjo... Enfim, isso são lá, também, outros 500... Voltemos ao número mágico do nosso hedge penal.

Trinta anos depois de serviços no regime prisional ele volta ao nosso convívio nos devolvendo tudo o que aprendeu no "sistema" e, pasme - se quiser, volta... aposentado!!!

Genial!!!

O Brasil é um país genial, estupendo, característico e autor das mais curiosas situações. Essas duas são bons exemplos: os políticos (com destaque para os impedidos) e os condenados (com destaque para aqueles que cometeram crimes gravíssimos).

Já que falamos acima dos políticos, passemos para os condenados a crimes graves, hediondos, feios, horríveis e de "longo termo de serviço".

A lei de execuções penais brasileira garante ao preso, dentro outras coisas, o DIREITO (potestativo, diga-se de passagem) AO TRABALHO (art. 39) e, consequentemente, o acesso ao regime público de PREVIDÊNCIA SOCIAL (art. 41).

São, ao contrário de quem está mandando curriculum por ai (que está sujeito a um regime de expectativa jurídica de trabalho regulada pelo mercado), um verdadeiro direito potestativo que o Estado lhes assegura plenamente. Direito potestativo é quase um poder, digamos assim, pois para exercê-lo basta querer. E a contraparte desse poder (o Estado, no caso) está numa situação de sujeição e tem de cumprir imediatamente com essa querência.

Um preso, se quiser, lança mão da Lei de Execução Penal (uma lei feita só para eles, presos) e exige, qual seja, impõe o seu "direito ao trabalho".

Só um preso pode fazer isso no Brasil. Mais ninguém. Basta ele manifestar verbalmente a sua "vontade de trabalhar". O sistema prisional tem que se virar para arrumar algo para ele fazer. E não poderá deixar de remunerá-lo pelo mínimo do salário em vigor no Brasil, além de dar-lhe o benefício de abater da pena final, 1 dia de condenação para cada 3 trabalhados. Basta ver Zé Dirceu. Foi só falar que deram a ele um passe-livre para circular por Brasília na qualidade de funcionário de alguém. Um preso consegue isso, um "solto" não.

Nesse regime ainda goza o preso da faculdade de ter o seu trabalho formalmente integrado em um regime de previdência e de aposentação certa. Caso o seu tempo de prisão seja asseguradamente 30 anos, qual seja, ao equivalente a uma condenação mínima de 120 anos ou mais, pode entrar desempregado a sair da "cana" aposentado.

Em termos econômicos significa dizer que a única classe "trabalhadora" que goza de pleno emprego absoluto, pois tem um direito potestativo ao trabalho, é a classe trabalhadora dos presidiários (não ria) estejam eles em regime provisório ou definitivo de cumprimento de pena. O provisório ainda mantém seus direitos de voto e pode eleger seus "representantes" para o Congresso, que por sua vez se aposentarão, item, sem trabalhar e representado os presos "provisórios" (mas isso são outros 500 de outros 200...).

Além disso, mantendo a sua empregabilidade (pois pode trocar de emprego na hora que quiser, basta se enfadar com a atividade e pedir para mudar, que o Estado tem obrigação objetiva de atender à troca), sai de seu período no cárcere aposentado, ainda que lhe faltem, em tese, outros 200 anos por crimes que possa ter cometido em menos de 1 semana.

Sim - no Brasil, a única forma de garantir pleno emprego absoluto e aposentaria certa é ser eleito ou ser preso.

Já sei, já sei.... vão dizer que o gasto com essas aposentadorias é marginal (desculpem pelo trocadilho com a terminologia econômica) e a extinção desse regime vai atingir meia dúzia de senadores, alguns deputados e ex-governadores (ou respectivas esposas, quando viúvas), uma quantidade mais razoável de prefeitos, deputados estudais, vereadores e outros tantos comissionados Brasil a fora, ao lado de uma porção mínima de presidiários (neste caso mínima, pois a opção de trabalhar, ainda que garantida na forma de um direito potestativo do preso, não é exercida nem por 5% da população carcerária, o que comprova que somos um país de vagabundos genéticos). Essa parcela pequena de atingidos não faria a economia necessária para as contas fecharem. Sim, fato. Verdadeira nota há.

Ok, ok... Vamos lá. Quem disse aqui que o resto da previdência não merece lá seus reparos? pelo contrário - demos o caminho aqui do sentido desse reparo - começar a trabalhar antes não pode significar passe livre para um "ócio remunerado ultrantecipado". O que disse é que se formos começar a mexer nisso, que tal deixarmos o regime do trabalhador comum por último?

Comecemos pelo ocaso das exceções para ver se a regra, ao final, faz algum sentido.

Fará na parte do trabalho, não da expectativa do ócio. Asseguro isso.

O resto é conversa pra acordar preso e político poder dormir em paz.


terça-feira, 18 de outubro de 2016

Trump: Orange is the New White

Trump candidatou-se a inquilino da Casa Branca. Pelo andar de suas estripulias galanteadoras que vem surgindo nas últimas semanas e pelo julgamento que faz das mulheres como campanha, capaz de acabar ganhando um belo uniforme laranja ao final dessa campanha.

Se, como no post anterior, a Bíblia alertou que o palestrante, como um peixe, morre pela boca, o aspirante a palestrante, assim como o tatu, morre pelo rabo (próprio ou alheio). Vá ao Livro de Jeca, 12, 4 e confira.

Morre pela Boca

Dizem que a "empresa" de palestras de Lula perdeu a isenção fiscal porque eventualmente.... falou demais!!!

Já dizia o velho ditado bíblico: "O Palestrante morre pela boca, seja pelo que dela sai, seja pelo que nela entra" (Livro de Judas, 2, 171).

FLAGRA: Michel, FHC e Jucá juntos

Nosso sempre atento repórter fotográfico capturou este debate entre o Presidente Michel Temer Burns, seu assecla Romero Smither Jucá e seu conselheiro FH(omer)C.

Discutiram coalizão, união, prisão... Nada do que não saibamos ou desconfiemos...


domingo, 4 de setembro de 2016

SECRETARIA DA PESCA PARA DILMA SOB AMEAÇA

Extra!! Extra!! Extra!!

Noticiamos dias atrás que Dilma assumiria a Secretaria da Pesca com grande time.

Eis que, mundo dando voltas, o cargo tão cobiçado por Dilma sofre séria pressão pela concorrência.

HENRIQUE MEIRELLES que dar um takaover nessa oportunidade de Dilma.

É absoluta obrigação do Folha da Madrugada denunciar esse GOLPE CONTRA DILMA ROUSSIFFU!!!!!!!!!!

ISSO É GOLPE E NÃO VAMOS PERMITIR!!!! ELA JÁ TEM ATÉ TIME PARA A SECRETARIA DA PESCA, MEIRELLES!!! GOLPISTA!!!




quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Editorial

por Dom Fernandes III

Por que razão os artífices do projeto de impeachment levaram, na reta final do processo, uma rotunda "passada de mão na bunda" com o fatiamento da decisão e a não aplicação da inabilitação da afastada?

Simples.

Porque não deram ouvidos à Folha da Madrugada.

Nesta Folha, dissemos várias vezes que o impeachment não era o caminho. Veja aqui, aqui, aqui e aqui.

Num processo de interdição o resultado é mais justo, não adere ao discurso de golpe, é instantâneo, objetivo, técnico e, vejam que incrível: gera inabilitação absoluta imediata.

Mas não: preferiram insistir no impeachment fundamentado em pedaladas e decretos marotos de suplementação assinados na surdina (o problema na verdade foi a "surdina", nem tanto a autorização do Congresso). E convenhamos: a paciente demonstrou por A + B que não tinha a menor noção do que estava acontecendo. Ela sequer soube que assinou aquilo; não demonstrou a menor percepção de causa e consequência, enfim, esbanjou sua delirante alienação aos fatos. Muito provavelmente só veio a saber (sem entender) o que estava acontecendo na véspera ou antevéspera de seu depoimento.

Pior - o processo foi desumano, pois escorraçaram uma visível doente mental do posto que poderia ter sido desocupado via processo de interdição e, ao fim e ao cabo, tiraram proveito da paciente com sérios indícios de retardamento mental, para afastar-lhe a pena de inabilitação, que, convenhamos, será aproveitada por todos que a julgaram!!! Usaram a pobre deficiente mental em causa própria, esses Senadores astutos!

Isso foi de uma canalhice (para usar o mesmo termo tão usado na parte final da sessão) de dar nojo em Maquiavel.

Já na interdição haveria inúmeras vantagens: a inabilitação, que decorre da constatação de absoluta incapacidade para a prática de qualquer ato da vida civil, não representaria qualquer condenação à acusada de impeachment. Não seria necessário perder dias e noites discutindo tecnicidades padalísticas, nuances orçamentárias em que o discurso vai da falta ao excesso de responsabilidade; enfim - economizaríamos tempo para a acusada, para o Senado, para os envolvidos na acusação e para a trupe da defesa... e por que não, para o BRASIL!!! e, enfim, para o MUNDO e para a GALÁXIA!!!!

Um processo de interdição tem muito mais jurisprudência, tem segurança jurídica e possui um procedimento muito mais adequado e preciso, com detalhes para qualquer tipo de situação, sem contar na higiene hospitalar que o processo de impeachment visivelmente descartou. Assim, jamais seríamos surpreendidos com uma molecagem como a que testemunhamos nos instantes finais desse processo grotesco, inútil e acusativo.

A interdição tem uma beleza intrínseca à sua natureza - não é um processo de jurisdição contenciosa, mas sim de jurisdição voluntária. As coisas "acontecem" naturalmente no processo, sem confrontos. Todos querem chegar a um veredicto clínico final que, convenhamos, é do interesse de todos os envolvidos: clinicamente a pessoa tem cabeça para exercer os atos da vida civil como uma pessoa normal ou há alguma moléstia que a impeça? Eu, honestamente, duvidaria que até a trupe da defesa seria capaz de responder a essa pergunta sem hesitação.

Havendo moléstia, a paciente sai de cena imediatamente e por quanto tempo o médico achar necessário. E só volta se o médico disser, "melhorou totalmente". Seria bom para a paciente, para a defesa, para a acusação, para o BRASIL, o meu BRASIL, o seu BRASIL, o NOSSO BRASIL BRASILEIRO!!!

Assisti a todo esse julgamento e ao depoimento da paciente ao lado do Doutor Pangloss, que me alertou: "As evidências de psicose estão óbvias. Um dos traços mais marcantes do psicopata é agir inconscientemente e, depois de cometido o crime ou o malfeito, portar-se na delegacia de polícia ou em órgãos públicos com a certeza absoluta de que na verdade da sua cabeça, ela é uma vítima. A mania de perseguição e o reiterado hábito de 'ouvir vozes' é uma evidência absoluta dessa patologia. Aos olhos de um espectador, temos a impressão de que há uma falta de compaixão por parte do(a) criminoso(a), mas, na realidade, há mesmo uma falta completa de mecanismos contendores do superego que torna a paciente potencialmente perigosa e, infelizmente, inconsciente dos seus atos ao ponto de cometer o crime e colocar-se imediatamente na posição de vítima".

Fizemos o impeachment da versão feminina de Norman Bates.

E fizemos com o único e exclusivo propósito de tirar proveito da situação dela para favorecer a turma enroscada com vandalismos com o dinheiro público: até prova em contrário, estamos falando de 100% dos presentes naquele julgamento histórico, envolvidos direta ou indiretamente em alguma patifaria que o "jeitinho brasileiro" costuma chamar de "nossa cultura alegre e afável".

E em realidade, deveríamos sim ter nos preocupado com o lado humano e ter enviado essa pessoa para tratamento clínico urgente, numa "clínica de Napolões" de alto nível (sim, ela merece uma boa clínica).

Não se trata de uma questão política, de esquerda ou de direita, de Lavajato, corrupção, pedaladas, Bolsa Família Sim, Bolsa Família Não..., é uma questão de sanidade mental, de saúde pública!

Reitero: mesmo tendo tomado o rumo inadequado, desgastante e tolo do processo do impeachment, as portas para uma interdição total não se fecharam, pois com o tipo de moléstia evidenciado durante o depoimento da Presidenta, creio eu, essa porta estará aberta para sempre.

O caso ali é grave e ousaria dizer que não tem cura não.

E, convenhamos, como a versão feminina de Norman Bates que se constatou antes de ontem, mais hora, menos hora, haveremos de encontrar no armário do Alvorada ou nos porões do Planalto, o cadáver que tanto a amolava...

Meu respeito e meus sentimentos pela paciente injustiçada.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

SENADORES CONTRÁRIOS DENUNCIAM GOLPE!!!


FOTOS INÉDITAS DO SENADO NO MOMENTO DA VOTAÇÃO

DIRETO DE BRASÍLIA!!!


DILMA RECEBE CONVITE PARA DAR AULA PARA MASSAS


Técnicas novas!!!

Não uso macarroneira, nem água fervendo, nem escorredeira... Aqui é direto na frigideira, viu!!!

EXTRA!! EXTRA!! DILMA ASSUME SECRETARIA DA PESCA

Sua larga experiência e o resultado do processo de impedimento, que permitiu que Dilma continue nos brindando com seus fabulosos discursos, conduziu essa experiente política hábil em PESCA PÚBLICA a assumir esse cargo de forma vitalícia:





Nessa nobre função da PESCARIA PÚBLICA, Dilma já tem inúmeros candidatos a auxiliá-la nessa Secretaria:











domingo, 21 de agosto de 2016

Troca-troca

MOMENTO "TWITTER BOLA PRETA":

Agora que descobrimos que quem escreve os discurso de Dilma é Chico e quem escreve as letras e livos de Chico é Dilma, resta-nos descobrir quem anda escrevendo as novelas da Record em contraponto a certas decisões do STF.

Brasil dá o troco

por Dom Fernandes III

A mania de grandeza do Brasil deveria ser alvo de estudo mais sério, e não pelos filósofos de sempre mas sim pelos matemáticos.

Pois, no dia a dia, ela desafia até uma ciência exata como a matemática.

O Brasil é o único país que consegue dar valor de "troco" a um empate, achando que o 1 de hoje equivale ao 7 de ontem.

Se continuar assim, como essa matemática peculiar, nunca vai acertar a sua economia, pois mania de grandeza baseada nas "belas praias", nas "riquezas naturais infinitas", na "cultura maravilhosa" e no "povo que nunca para de rir" não é suficiente para por 15 milhões de volta ao trabalho.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

EXTRA!! EXTRA!!! EXTRA!!! - CARTA DÍLMICA

Extra!!!

Descobrimos que a Carta recentemente assinada por Dilma foi na verdade escrita por Chico Buarque!!!

Chico fez isso em agradecimento à Dilma, que na verdade foi quem escreveu seu último livro, o tal do Irmão Alemão e as letras daquele "discão bunito" de 2011 (foi assim que Dilma chamou a sua obra assinada por Chico).

Hoje topei com alguns conhecidos meus
Me dão bom-dia cheios de carinho;
Dizem para eu ter muita luz
E ficar com Deus
Eles têm pena de eu viver sozinho(a)
(Dilma Russiffu)

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Mesóclise

Caderno de Dúvidas Linguísticas
por Prof. Pinto Cançado

Eis-me aqui novamente, leitores! O Pinto incansável que jamais deixará uma trepidação linguística repousar.

Se a dúvida linguística aparece, o Pinto surge diante da língua e tira a dúvida e... volta à labuta, Cançado!

E a dúvida que tem pairado é: mesóclise.

O que é a mesóclise?

Para que serve?

Muito bem. A mesóclise é coisa, digamos, da sintaxe. A sintaxe vai trazer regras sobre onde é o lugar correto de se meter certas palavras.

Em algumas frases, onde temos pronomes entre os predicados, qual seja, outras pessoas que não o sujeito da ação como sofredoras dessa ação, há certas ocasiões em que essas pessoas predicativas entram de forma oblíqua na conversa.

Saber meter as coisas certas nos lugares certos no processo artístico de construir uma frase é exatamente o que diferencia um inábil de um expert.

Essa meteção, que os gramáticos chamam de colocação, especificamente no caso da mesóclise, colocação pronominal, demonstra não apenas maturidade, mas conhecimento, firmeza, segurança, clareza, enfim, experiência.

Saber usar a língua, de certa forma, não é apenas uma questão gramatical, de estilo ou de status: é uma questão de autoridade, pois visa transmitir, além da mensagem (conteúdo), sensação de segurança (forma).

Diante de energúmeno gramatical, nos sentimos inseguros, pois mais que ele se esforce em dizer algo que sabe, comumente não sabe como fazê-lo. E esse "como" de modo amplo tem mais importância do que "o que se pretende dizer", sobretudo nos tempos de Dr. Google.

Na forma também sabemos se o conteúdo faz sentido e é verdadeiro: quem sabe a forma correta de dizer as coisas, pode esconder por algum tempo que não sabe o que diz - por algum tempo. A forma há de desvendar o parlapatão, com o passar do tempo: deixe-o falar, a vontade e logo o conteúdo surgirá como o gás que sai ao girarmos a rosca da garrafa de refrigerante. E logo notaremos que se todo gás sair, o conteúdo fica intragável.

A mesóclise (voltando a ela) é talvez o ápice dessa arte da meteção das coisas certas nos lugares certos.

A mesóclise se dá quando você precisa meter o pronome literalmente no meio da ação, para, digamos, não agredir nossos orifícios, que o Mestre Napoleão (§841) assim dá destaque:

Repugna ao ouvido, nas formas do futuro do presente e nas do futuro do pretérito, a posposição dos oblíquos. A não ser que tenha os ouvidos inteiramente estragados, ninguém irá dizer farei-te, fará-nos, fará-vos, faríamos-lhe etc.

Veja que curioso e que sensacional: ele não disse "a não ser que tenha os ouvidos inteiramente estragados, não dizer-se-á farei-te"; ele fez questão de dizer que "ninguém irá dizer", muito apesar de termos ai uma ótima chance que o futuro do presente teve perdida pela presença do "não" (Napoleão é Napoleão!). Eu até diria que "ninguém estará a dizer", ou, para ser simpático, simplesmente "ninguém vai estar dizendo...".

Pois bem - esse notável professor tão preocupado com os nossos orifícios em matéria de colocação, com ênfase para duto auricular, ainda deu dicas preciosas para se ter a mesóclise num grau jamais tido:

Nessas formas podemos encontrar até dois oblíquos mesoclíticos: 'devolver-no-la-ão vocês?'.

Repito: devolver-no-la-ão vocês?

Eu, cá comigo, Pinto Cançado, acho que não: ficará tudo como está.

Quanto à mesóclise, partindo do pressuposto que é uma técnica de meteção de um ser, na forma de um pronome e que entra obliquamente na conversa, ali, bem no meio da ação, para não machucar as posições do sujeito que pratica a ação (ativa ou passivamente), temos que seu préstimo tem vistas a preservar a integridade dos orifícios, sobretudo dos ouvidos.

Se assim deixar de ser, devolver-no-la-á (traduzindo = a integridade ao ouvido), sem temer, jamais.


Expectativas Olímpicas Concretizadas

Seção Editorial
por Dom Fernandes III

Muitos se surpreenderam com a primeira medalha brasileira na Rio-2016.

Os leitores deste Folha da Madrugada, no entanto, já tinham plena consciência das nossas concretas chances olímpicas e estavam bem informados, desde 8 de fevereiro deste ano, sobre essas tais Expectativas Olímpicas.

Continue lendo outros jornais e você cairá no engodo de que nossas chances olímpicas ainda estão no ludopédio...