segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Tríplex ou Triplex


Caderno de Cultura
Por Doutor Pinto Cançado

Olá, amiguinhos!

Na coluna da semana do Prof. Pinto Cançado, vamos atender às dúvidas dos jornalistas e leitores sobre o jeito certo de escrever essa palavra.

Como gramático, não entendo a sanha de querer escrever tanto essa palavra, mas, já que minha função aqui não é entender, mas esclarecer, vamos aos fatos.

Essas palavras terminadas em x (com som de cs) podem ter o seu acentinho tônico (com ou sem grafia indicada) na sílaba onde está o x ou na anterior (e, nesse caso, é obrigatório indicar a tonicidade com o sinalzinho gráfico, pessoal).

Lembrem-se amiguinhos – a tonicidade (aquele acentinho as vezes invisível, as vezes visível) sempre cai em vogal. Por isso é que o x da questão está na vogal anterior, ou na anterior da anterior.

Mas a beleza da dúvida é anterior à escrita, ainda: na verdade, não sabemos como falar essa palavra – tríplex ou triplex?

Lá em Portugal, onde falam diferente daqui, um acento aqui ou acolá pode atrapalhar na boca: tentar falar de certos jeitos pode engasgar, tropeçar a língua ou fabricar cuspinhos ou perdigotos em excesso. Lá isso é desgradável, embora não incomum.

Aqui, neste lado do Atlântico, não temos essa preocupação: seja pelo jeito que falamos, seja por nossas poucas cautelas em babar em público ao falar. Temos visto bastantes pessoas babando em público ao falar. Ao término do discurso, parecem felizes e satisfeitas. Aqui não é isso desgradável e por isso, tem se tornado comum. Ergo, a elas tanto faz falar tríplex sem babar ou triplex babando, ou vice-versa.

Isso faz com que a palavrinha seja encontrada nas gramáticas como de dupla prosódia (ou dúplice prosódia ou prosódia duplex...): fale como quiser, desde que evite cuspir ao falar. É o caso do tríplex e do triplex e, pasmem, meus amigos, dúplex e duplex, da prosódia ou de outras coisas edificantes da língua: o falante escolhe.

Os mais antigos, como eu, tinham dúvidas com o herói – como falar o nome dele, do grande Ajax? Ájax ou Ajax? Estudávamos o grego e o latim para dizer que o certo poderia ser Ájax ou Ajax, dúplex ou duplex, tríplex ou triplex. E respeitávamos as regras: dura lex, sed lex – até que veio “no cabelo só gomex” (e não gômex) e o limpa-banheiros Ajax, que o pessoal da limpeza já se acostumou a chamar de Ajax e não de Ájax. Azar do Telamônio, sorte nossa – o amigo de Aquiles ficou igual ao limpa-vasos e não precisamos mais estudar grego, que é chato demais.

E assim essas palavrinhas com x com o sonzinho de cs foram sendo resolvidas: o pessoal da limpeza também faz ajustes com Durex® e não com Dúrex (essa não foi registrada, leitor, ainda dá tempo!).

Verdade seja dita, se na boca do português incomoda dizer triplex e na boca dos cultos é feio dizer duplex (sem sinalzinho gráfico no e, hein!), o pessoal da limpeza se acostumou a colocar o acento na vogal que antecede o x: latex, táxi.

Os que sujam os banheiros e não limpam, ainda não sabem como gostam do x com cs na boca (vai depender sempre do interlocutor): látex, táxi, as vezes, mas gostam também de anexo, convexo (e não fazem como o pessoal de Miami e dos Hamptons que gosta de annex). E, no fim do dia, todos gostam de SEXO (inclusive os que gostam de SEX). Pronto.

A prosódia, esse grande xarope das línguas, tem essa função: facilitar a falação, para que todas as palavras, desde as mais fáceis às mais complicadas, possam ser faladas por todos de um mesmo jeito. A ideia é falar do mesmo jeito para ser entendido de um jeito só.

Essa mania de unificar a falação para que todos possam falar mais ou menos igual serve justamente para que todos se entendam, não é verdade? – até quando as palavras e os fatos são difíceis.

A prosódia faz assim para que até as pessoas com pequenos defeitos na boca possam ser compreendidas. Imaginem que mixórdia não seria um gago tentando dizer dúplex ou um portador de anquiloglossia ou ceceio pronunciando tríplex!

Desta forma, o idioma falado tem essa função democrática de tornar todos iguais, desde os mais fidalgos até aqueles coitados que tem o ceceio ou, como falam maldosamente lá na copa coletiva, a “fimose na língua”. Mas o homem é danado! Ele quer usar o idioma falado (e nestes casos, até o escrito), para dizer que ele é diferente porque sabe mais do que aquele que fala errado. Bem, mas isso é assunto do Caderno de Política, não é verdade?

Voltemos à prosódia do triplex.

Assim, foi para resolver essa briga prosódica que as gramáticas já solucionaram o caso com um empate técnico sentenciado na dupla prosódia. Mas os jornalistas, por cacoete ou vício, ainda não se decidiram (tanto faz, amiguinhos!).

Para eles o Professor Pinto Cançado propõe uma saída semântica (deixemos a prosódia de lado): digam casa de fulano ou apartamento de cicrano, a depender de quem mora, usa ou paga as contas. Não precisa ser rigoroso e se referir ao titular do bem no cartório, promitente vendedor, garantido em hipoteca (e não hipóteca, hein!) e essas coisas – isso pode dar mais briga ainda: quem entra e sai da casa é sempre óbvio.

Por exemplo: eu, Pinto Cançado, moro num triplex ou tríplex, mas para evitar que a conversa já comece com essa dúvida, eu me refiro ao apartamento em que moro como Casa do Pinto. Quem entra e sai, está óbvio.

Que tal?

O Desenvolvimentismo Brasileiro


Caderno de Economia
Por Magnus Blackman

Tenho lido alhures, por ai, em diários menores e menos tradicionais, sobretudo da parte de amigos de Köln Cunha, que ao Brasil falta a coragem para seguir o exemplo de FDR, que teria tirado os EUA da crise “expandindo o crédito”.

Pois bem, vamos aos fatos.

FDR não tirou os EUA de uma crise e sim de uma depressão. Implementou suas medidas, parte (supostamente) com base no pensamento keynesiano, entre 1933 e 1938. Qual seja, FDR trabalhou 5 anos para implementar o chamado New Deal. E o que teria sido esse deal? Basicamente, o deal teve matriz jurídica. Impôs obrigações legais que geraram efeito econômico e não o contrário.

A depressão foi causada por deflação seguida de desemprego. A deflação foi gerada por queda na oferta, o que no quadro geral da economia daquele tempo, naquelas terras, segundo os registros do Bureau of Economic Analysis gerou uma sequência consecutiva de 4 anos de perdas históricas: 1929 (-12.0%), 1930 (-16.1%), 1931 (-23.2%), 1932 (-3.9%).

A combinação de decréscimo na oferta com deflação (queda nos preços) afetou a capacidade de pagamento de alguns créditos a longo prazo, dentre eles, os créditos relacionados a força de trabalho. A causa matriz para essa queda na oferta deu-se principalmente por força de uma retração nos investimentos privados sobre a capacidade produtiva do parque industrial estadounidense.

Portanto, refazendo o caminho das causas: as ações atingiram o seu preço pico em meados da Década de 1920, o governo competiu com essa subida elevando os juros, o preço das ações arrefeceu a níveis ridículos, investimentos diretos diminuiram, a indústria encolheu, a oferta despencou, os preços derreteram em espiral deflacionária, a capacidade de pagamento ruiu, o desempregou disparou e a falta de estrutura jurídica para amparar o alto grau de ociosidade levou o maior PIB do mundo da época à retração histórica que trouxemos acima e que só foi interrompida em 1933 com um aumento de 17.0% no PIB pós implementação do New Deal. Exceto por 1938 (-6.3%), que refletiu a Recessão de 1937, a economia daquele país só foi ver um novo número negativo novamente em 2009 (por força do reflexo da Crise de 2008), quando se deparou com 2.2% de retração.

Antes de entrarmos no “pacote mágico”, há outros números curiosos desse período. A retração da economia levou o governo a fazer corte de gastos com a sua máquina: entre 1930 e 1933 o governo reduziu ao menos 10% de ano a ano em seus gastos gerais com esforços locais e também em nível federal. O desabamento do PIB, entretanto, fez com que a relação entre os gastos e a arrecadação, em termos percentuais, gerasse aumento, que ocorreu, de fato, muito mais em virtude da queda de arrecadação do que por causa de eventual desleixo nos cortes.

Mais: a balança comercial manteve-se estável (praticamente zerada) até 1933 iniciando uma retomada positiva a partir de 1938.

Eis os números desse período, suas causas e os elementos desse quadro depressivo.

Um elemento importante era a relação de FDR com o Congresso: ótima.

Outro elemento era a composição da Suprema Corte, composta por gente como Charles Hughes, Harlan Fisk Stone, Benjamin Cardoso e, last and never least, Louis Brandeis.

Esse assunto eu ouso deixar para o caderno de política e, voltando ao New Deal, podemos traça-lo em duas fases distintas: a primeira, fortemente marcada pela austeridade fiscal, a segunda, pelas reformas estruturais.

Lembre-se que esse período colhia os efeitos do estímulo a concorrência inciados em 1890 (Shearman Act) e 1914 (Clayton Act), cuja receptividade na Suprema Corte por meio dos famosos casos da Standard Oil e da American Tobacco deram resultado no mercado anos depois.

Ainda sobre a primeira fase, FRD agiu em seus primeiros 100 dias de governo: qual seja, agiu rápido, trabalhou, não perdeu tempo com bobagens.

Em seu período de austeridade fiscal, trabalhou para reverter os efeitos da desgraçada medida adotada em 1930 (Smoot-Hawley Tariff), que tentou consertar as coisas por meio de aumento de impostos sobre produtos importados, sacramentando um protecionismo que gerou mais desemprego. Trabalhou também para reverter os efeitos deletéreos do Revenue Act de 1932, que simplesmente aumentou impostos em tabela progressiva que poderia atingir até 63% da renda auferida. O que fez? Cortou salários do aparelho federal, bem como aposentadorias, na casa dos 15% em média.

Jamais houve a aceitação de que o aumento de gastos deveria funcionar como mola propulsora da recuperação econômica.

Na segunda fase, vieram as reformas. A primeira foi a reforma bancária, aprovada pelo congresso no mesmo dia. FDR e Hoover, seu Ministro da Fazenda, notaram que a falta de estabilidade no setor bancário poderia sepultar definitivamente o país, sobretudo no âmbito dos produtos de bancos de investimento. Ao assegurar o funcionamento do setor bancário privado por meio de um colchão de liquidez (um seguro estatal para o funcionamento de um setor público da economia) seguido de forte atividade fiscalizatória, FDR colocou os banqueiros para trabalhar pelo país. Adicionalmente, reformou o sistema monetário e alterou o padrão-ouro inserindo o chamado curso forçado da moeda e impedindo a indexação e sobretudo os pagamento em ouro, criando ainda um monopólio sobre a custódia do metal.

FDR podia ficar feliz e parar de trabalhar, mas, nem o Madri Gras interrompeu o seu hábito por trabalho. Em complemento a reforma bancária e a reforma monetária, FDR implementou o que foi considerado o coração do New Deal: o Securities Act de 1933 e o Securities and Exchange Act de 1934. Make a long story short, FDR reforçou os mercados de capitais dos EUA, criando a SEC, o mais poderoso mecanismo de fiscalização dos mercados no mundo. Tais medidas, bem suportadas pelo Congresso e respaldadas em cases clássicos na Suprema Corte, recuperaram imediatamente o fluxo de investimentos diretos nas companhias, que reestabeleceram o nível de oferta e produção, gerando trabalho e demandando a massa ociosa para o batente. Os índices de desemprego desapareceram e a receita do estado para reinvestir em infraestrutura apareceu.

Além disso, criou mecanismos de fiscalização por meio de agências verdadeiramente independentes, reformando a administração pública, atingindo sobretudo efeitos no campo e na grande lavoura norte-ameriana, impulsionada pelo AAA (Agricultural Adjustment Administration). Também matou os efeitos do Smoot-Hawley Act por meio do Reciprocal Tariff Act em 1934, recolando os EUA na labuta do comércio ultramarino.

Tudo poderia já parecer resolvido, que foi quando em 1935, FDR implementou a reforma previdenciária, resultando na criação do até hoje vivo Social Security System. FDR reformou também, junto do Social Security Act, todo o sistema das relações de trabalho nos EUA, por meio da liberdade sindical, ponto central do Wagner Act de 1935.

Sim, é verdade que, depois de tudo isso, FDR teria “despejado” dinheiro na infraestrutura, a partir de 1935, por meio do Work Progress Administration, que, dentre outros projetos, teria dado a Nova Iorque em 1937, o projeto para a construção do aeroporto de La Guardia, que ficou pronto anos depois e está em uso até hoje. Ao contrário de dar crédito direto, bolsa desemprego ou delegar a infraestrutura para amigos da iniciativa privada, FDR usou a própria agência para empregar provisoriamente milhões de pessoas desempregadas na construção de praças, pontes, tuneis, geradoras de energia, etc, etc, etc. Repita-se: provisoriamente.

Veja: não deu dinheiro, não deu crédito – ofereceu trabalho. Diretamente, sem concurso. Desde cargos para engenheiros, administradores, arquitetos, advogados até os cargos da construção civil mais básicos. Repita-se: provisoriamente. Não fez isso como forma de se manter no poder ou de perpetuar o seu grupo de amigos. Também não fez para beneficiar amigos construtores da iniciativa privada. Tudo organizado por uma agência, sem interferência política e com viés 100% técnico.

Olhando em perspectiva, temos, na ordem em que tudo ocorreu:

Especulação à elevação de juros com medidas fiscais equivocadas à crash da bolsa à queda nos investimentos (setor privado) à encolhimento da indústria à queda na oferta/produção à deflação à default à desemprego à PIB negativo à FDR à austeridade fiscal à reforma bancária à reforma monetária à efeitos da política antitruste à recuperação do setor bancário privado à reestruturação do mercado de capitais à reestruturação da administração pública indireta à altos investimentos em fiscalização à recuperação do setor agrícola à reforma previdenciária à reforma nas relações de trabalho à liberdade sindical absoluta à investimentos diretos em infraestrutura.

Vejam, portanto, que o último passo foi... o gasto público com infraestrutura. Nenhum dos passos tem a ver com crédito público e subsidiado para o setor privado. Mais: nada disso tem a ver com Keynes, que sacramentou suas teorias em 1936, quando o New Deal já estava na fase final de seus ajustes e implementações.

O que vem sendo dito é uma tolice, uma barbaridade.

Aqui no Brasil temos inflacão enquanto em 1929 nos EUA tivemos deflação. Nossas marcas de desemprego são geradas por causas completamente diversas daquelas dos EUA dos anos 1930, pois resolveu-se mexer nos pilares da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995 e da Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000, sem alterá-las, mas meramente por meio de “contabilidade criativa” e de incentivos que, se foram a causa aqui, não o foram lá. Além disso, a relação com os demais poderes é péssima. Com a sociedade civil é pior. Com seus eleitores também não vai bem.

Não há planos para se resolver o abismo da previdência. Nunca passou pela cabeça de ninguém em reformar as agências para que atuem de forma independente e desgarradas de indicações partidárias. Não há medidas de incentivo a concorrência. Jamais sequer se comentou sofre uma reforma mínima, que seja, nas relações de trabalho (terceirização não vale). Liberdade sindical então, é palavra proibida. O mercado de capitais foi esquartejado (em grande parte pelo minoritarismo ativista dos fundos de pensão) e nunca se falou em ao menos dar-lhe um copo d’água. Nosso sistema monetário tem sido sido mais maltratado do que bola em jogo de futebol em aldeia indígena. O sistema bancário, ah, esse duopólio, é o grande culpado, o grande vilão: mas nada se faz para melhorar o duopólio ou a qualidade do sistema, com medidas de livre-iniciativa para que os médios possam crescer e encontrar seu espaço no mercado. Investimentos em fiscalização: nem pensar!

Pergunta: do que tanto falam, então, os desenvolvimentas?

Köln Cunha: qual é a sua?


Expectativas Olímpicas!


Caderno de Esportes
Por Pataca

Jornais de todo mundo mentem em termos esportivos, porque dão atenção a coisas que não são importantes.

Barcelona, Libertadores, fuga de corinthianos para a China, Superbowl: chato, chato, chato, sem graça...

Estamos em ano Olímpico, ora!!!

É Brasil!!!

Vai Brasil!!!

E vai ser aqui no Brasil!!!

No Rio de Janeiro, na cidade em que os nossos times treinaram por anos na única modalidade em que temos chance olímpica concreta: tiro ao alvo, ou, como querem os puristas, tiro esportivo.

Na carabina ou na pistola, o Rio de Janeiro fará bonito com os tiros!

Seremos campeões!

Justamente porque no Rio, bala perdida também conta!!!

Vai Brasilllllllllllllllllllllllll...........................

O uso da gravata no RJ


Caderno de Legislação
Clóvis Hauser (Estagiário-chefe, com OAB!)

Por meio do Ato Normativo Conjunto 01/2016, os causídios no Rio de Janeiro estarão dispensados, durante o verão, do uso da gravata.

Seguindo uma tendência de abolir velhos hábitos (a justiça já está a abolir quase que completamente o uso do papel), segundo fontes fidedignas, o próximo passo será dispensá-los do uso do papel higiênico no forum e até em seus respectivos escritórios.

Terão que se lavar com mangueira de lava jato ao invés de usar Primavera, o rolo oficial do Forum que será abolido.

Democracia de Coalizão

Caderno de Política
Por Cícero Esdras Neemias


Dizem que esse é o problema do Brasil.

Mas o que é isso?

É um modelo de governo onde o multipartidarismo permite que os partidos se aglutinem em blocos para disputar cargos.

O motivo dessa aglutinação varia.

É também o jeito que o mundo encontrou para não deixar a democracia nua. É uma roupagem, digamos, confortável.

Dessa roupagem e desses aglutinados se formam situação e oposição.

Esses blocos podem ter aspecto celular, engordam ou emagrecem conforme o conteúdo que assegura essa coesão se mantém fiel aos interesses da união ou não. Há sempre os traidores de plantão, que num instante passam de uma célula a outra, tornando esse jogo, digamos, um tanto quanto químico.

Outros países, não apenas o Brasil, vivem nesse modelo: voilà – Portugal, Espanha, França (em grande momento para um case de coalizão esses dias), além de Suíça, Suécia, Finlândia, Reino Unido, Canadá, Noruega, Dinamarca, Alemanha, Holanda, Bélgica, Áustria, Itália, Grécia, Índia, Paquistão, Israel, Japão, Chile, Líbano...

Tem gente boa e tem gente ruim nesse meio (como tudo na vida). Tem gente indo bem, tem gente passando mal (politicamente falando). A maioria se entende bem e sabe conversar. Alguns têm mais dificuldade de dialogar.

Tem gente de esquerda, de direita, de centro; Presidencialista, parlamentarista com presidente, parlamentarista com rei, parlamentarista com chefe reliogoso, enfim, tem de tudo (como tudo na vida).

Não curtem muito o modelo, além dos EUA (bipartidário na essência, e se entende bem assim), a China, Cuba, Coréia do Norte, Irã, Equador. Do mesmo jeito: tem gente boa e tem gente ruim nesse meio (como tudo na vida). Tem gente indo bem, tem gente passando mal (politicamente falando). Mas... a maioria têm mais dificuldade de dialogar, ao contrário do outro jeito de vestir a democracia.

Neste caso, onde não há sombra de coalizão, veste-se de preto básico, bege ou vermelho – pret-à-porter.

Me parece que o problema não é de coalizão x não-coalizão; nem de presidencialismo x parlamentarismo; nem de presidente x rei (pois muitos presidentes vivem como reis, sobretudo por aqui; e muitos reis vivem como ex-presidentes, sobretudo acolá).

Me parece que o problema-mor é: ruim de trampo x bom de trampo; sabe falar x não sabe falar; sabe política x não sabe política; pensa no outro x não pensa no outro.

No mais, vida que segue.

Absurdos Vestibulares

Caderno de Assuntos Menores
Por Eugênio Villas

Um estudante aspirante a um curso na USP, praguejou quando viu que a lista não tinha seu nome.

Disse o candidato em rede pública: “É absurdo uma pessoa que quer estudar jornalismo precisar saber calcular um cosseno”.

Como editor deste Caderno sobre Assuntos Menores, posso afirmar: é absurdo uma pessoa que quer estudar seriamente qualquer coisa na vida não saber calcular um co-seno.

Se deu nervoso, estuda que passa.

CENSURADO!!!

Matéria Censurada. Será preenchida com uma poesia, como nos velhos tempos:


O Ovo e o Mosquito

Quem veio primeiro? O ovo ou o mosquito?
Se voa e pica, depois pousa e bota o ovo,
Desse ovo sai outro mosquito novo
E temos então esse fato esquisito:

Quem é que botou aquele outro ovo dito
Do tal primeiro mosquito, em que louvo
À dúvida original que aqui movo:
D’onde veio o primevo inseto maldito?

Basta consultar Doutor Pangloss: viral
Não é o ovo, nem o mosquito, sangue
Sim, é o que torna do Egito odioso,

Um mosquito cuja guerra fatal
Vê-se perdida contra sua gangue
Que vence bem este Estado ocioso!

Perturbações Mentais

Caderno de Saúde
Por Doutor Oswald Pangloss

Boa noite, leitores.

Hoje falaremos sobre perturbações mentais, seus efeitos sobre a vida civil e respectivos diagnósticos.

Vou abordar com vocês as três principais formas de perturbações e alguns meios de detectar tais perturbações em um interlocutor (sobretudo os remotos ou distantes).

A mais básica é a oligofrenia, que está escalonada pela OMS em basicamente quatro graus distintos, oscilando nas patologias F70 a F79, genericamente conhecidas por retardamento mental. Os quatro graus seriam: leve, moderado, grave e profundo.

No grau leve, temos a debilidade; no moderado, a imbecilidade; no grave e no profundo, o idiotismo. O cretinismo pode ser a causa, dentre outras.

No idiotismo, o desenvolvimento é incompleto pois o raciocínio equivale ao de uma criança de 2 anos de idade. Não demonstra aptidão para a leitura, nem para a escrita e pode apresentar dificuldades de sociabilidade, incluindo fala.

Na imbecilidade, consegue ler, mas a escrita quase sempre resta prejudicada. Há casos em que cumprem tarefas básicas e demonstram boa capacidade de execução e obediência a comandos.

Na debilidade (OMS-F70), o indivíduo aparenta maturidade, mas logo se vê que seu desenvolvimento mental parou na adolescência. É capaz de ler e escrever e a sua sociabilidade só é comprometida quando há desvio de caráter. O desvio de caráter pode estar associado a certas atitudes adolescentes que não se curam com o advento das responsabilidades. Esse desvio de caráter pode ser notado quando o paciente apresenta manifestações constantes de grosseria no trato, agravadas por certa dose de tirania e despotismo. A crueldade em relação a pessoas, acompanhada por certa desconsideração em relação aos bens alheios, sobretudo quando há deliberada destruição de patrimônio que não lhe pertence, é outro traço expressivo. A desconsideração com o outro pode ser ainda notada quando o paciente subjulga outro, sem qualquer propósito, a demoradas esperas e conhecidas práticas de longos atrasos a compromissos ou, muita vez, faltas sem justificativas. A isso tudo, se o paciente for um mentiroso habitual e contumaz, a soma desses sintomas pode acarretar uma sociopatia que se acompanhada de desenvolvimento mental incompleto, configurará oligofrenia leve.

Esta preocupa mais do que as outras, pois a aparência de maturidade e a sociopatia causada pelo comportamento irritadiço e tirânico, dará a impressão de se estar diante de um sujeito normal mas meramente “austero”, “exigente” ou simplesmente “esquentado”, quando na verdade, podemos estar sujeitos a um interditando.

A agressividade e a sociopatia, entretanto, pode ser causa de outros transtornos, como aqueles de matriz esquizofrênica, em especial as paranóias e as psicoses. O traço mais marcante de tais pacientes é, além da aparência inicial de sanidade, manifestar um completo descolamento da realidade que o cerca. Alucinações, tais como amigos imaginários ou a interação com objetos inanimados como frutas, plantas, legumes, tubérculos ou minerais são sintomas marcantes. Ainda no campo das alucinações, a mania de perseguição ou os inimigos imaginários, que podem levar o paciente a decisões completamente desarrazoadas, são também indícios de sofrimento esquizofrênico. Em alguns graus se notam os delírios e as chamadas falas desorganizadas ou de raciocínio incompreensível

Pensando agora em termos cíveis, caso a sua organização tenha alguém chefiando nessas condições (a saber: delirando, falando coisas incompreensíveis, utilizando lógica infantil para explicar o mundo, mentindo, agredindo, se distanciando da realidade, mentindo todo dia, destruindo patrimônio alheio de forma deliberada, desaforando desconhecidos e conhecidos a todos instante), o Doutor Pangloss recomenda cuidados médicos, atenção especial, cuidados familiais constantes e, sobretudo, o estudo atento a hipótese de se obter uma merecida aposentadoria por invalidez.

New Year's Resolutions


Vera Cruz Times
By José da Silva


At the gates of this new year, starting today from this very point, we would like to congratulate our readers for surviving from the Capricorn Cycle.


Now we are facing the Monkey Cycle and the time of happiness.


Problem is – we are not happy.


Once we find the way to that secret happiness path, problems will be solved promptly.


In the mood of the start of this Monkey Cycle, let us make John Oliver’s words and let us start managing disappointments!


Welcome to the Monkey Cycle, readers!


P.S.: - Mr. Oliver, please, accept a tip from VCTimes and try to pronounce the berry you mentioned as an essay: it will be easy to swallow it, mainly with bananas…



Editorial

No princípio era o Verbo.

Verba volerunt.

E fez-se o homem à imagem do Verbo.

E o homem inventou a escrita.

Scripta manebant.

E a escrita inventou a internet.

Scripta volunt.

Quando as palavras voavam livremente, veio o homem e depois a escrita, que fez com que as palavras passassem a voar com destino certo.

Como os torpedos...

E depois que Satanás inventou a internet, até a escrita começou a voar, como o Verbo, no princípio.

E o cliclo se completou.

Encerrou-se o ano após a crise e nada restou.

Exceto...

Os escritos alados – como os que aqui serão lidos. Volatum Scriptum. Volatilum Scriptum.

No ano que ora se encerra, ano que foi de Capricórnio, dele se esperava prosperidade.

Mas veio a crise e com ela, a impressão de que ninguém prosperou.

Não. Não caia nessa armadilha, sábio leitor, atenta leitora – alguém, alguns, algo prosperou, prosperaram. Está escrito. Basta ler (antes que voe) e saberá, quem no ano que se vai, prosperou, prosperaram.

Chega hoje, despedindo o ciclo da prosperidade, o Ano do Macaco – inaugura-se o ciclo da astúcia, da curiosidade entusiasmada, do humor sarcástico. Quem há de prevalecer no ciclo da astúcia e do engenho? Não sabemos, leitor, leitora; apenas nosso Oráculo sabe disso: nosso aeroporto de Verbos e Escritos.

Se o motivo que trouxe seus olhos ao Bola Preta este ano são os mesmos que te levaram à crise sem prosperidade que te faz condenar o momento que fica para ontem, larga agora esta leitura, meu caro leitor, minha dileta leitora e volte para as Folhas feitas à luz do dia e da manhã, pois esta, feita na madrugada, quer a atenção dos insones e a indignação dos bravos e bravas, sem bravatas.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Ano Novo

O ano que alvorece será recebido entre invectivas e maldições, ao passo que o ano que descamba na eternidade se vai entre palmas e beijos...

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016