segunda-feira, 10 de abril de 2017

Acerca de Estados e Terroristas

por Dom Fernandes III

Tempos atrás Trotsky teria escrito, ainda quando gozava de alguma herança leninista, o seu bizarro panfletão Comunismo ou Terrorismo.

Diz lá, antes de ter tomado um passa-moleque de Stálin (que o levou a mudar o tom das palavras e notar que havia uma degenerescência burocrática que tornaria os comunistas os novos czares), que se a violência é empregada com o propósito "da causa", então tudo bem usar de terror. Já a violência da burguesia deve ser reprimida com a violência de quem está em uma guerra civil e por isso, liberdade de imprensa impede de espionar e mentir e fazer outras pressões que ele entendia legítimas para a vitória da Revolução. O segredo seria: fuzilar e mentir, sempre que necessário. Diz isso com todas as letras, além de defender trabalho forçado (nome que os comunistas deram para um "regime de trabalho" que os fazendeiros dos séculos XVII, XVIII e XIX chamavam de escravidão).

Mas vejam: tudo isso acontecia ainda na base do Estado formalmente constituído - povo e território eram mais ou menos o mesmo e assim, mudando-se o aparato burocrático, conseguia-se mudar o controle pelo poder das mãos de quem vestia azul para os que vestiam cáqui.

Revolução Russa e outras platitudes marxistas desde a Comuna de Paris nunca mudaram o Estado. Dizem que o modernizaram, mas, na prática, o tomaram de assalto para fazer o mesmo que sempre foi feito: usá-lo em benefício de quem está no poder.

Tudo isso apenas para puxar aqui um especialista em terrorismo moderno, um tal de Robert Pape, que teria escrito há algum tempo atrás o seu Dying to Win, uma espécie de "Bíblia" atual (desculpem pelo trocadilho) das análises dos propósitos terroristas.

Pape analisa vários casos de terrorismo suicida, a partir de 1980, para tentar observar um pattern (padrão de conduta) que explique porque alguém em sã consciência se autodestrói com o escopo de levar consigo mais algumas dezenas, centenas ou milhares de inocentes aleatórios. Casos recentes mostram ataques do ISIS a... mesquitas (de sei lá quem que eles dizem não concordar e, honestamente? isso não vem ao caso - o que importa é que terroristas muçulmanos matam outros muçulmanos dentro de suas lógicas jihadistas especialmente estúpidas e injustificáveis de que até muçulmanos podem ser considerados... infiéis).

O terrorismo é, em princípio, a mais bárbara das violências pois além de não permitir defesa, a prática é randômica e completamente aleatória. Trata-se de um produto de....: bem, é isso que Pape tenta responder.

Ao analisar vários casos, ele conclui que o terrorismo não é produto do islamismo. Até ai tudo bem - é até uma platitude. Como vimos, há terroristas que se dizem muçulmanos e que atacam mesquitas. Suas teorizações começam a falhar quando o terrorismo se dissocia do jihadismo e parte para analisar casos do ETA, do IRA e do Tamil (uma fatia de seu argumento de que o islamismo não é causa do terrorismo lança mão até dos kamikazes).

Sua conclusão, entretanto, que faz enorme esforço em dissociar religião de práticas suicidas com efeitos terroristas, atrela-se a questões políticas - para Pape a causa do terrorismo está associada a um anseio por liberdade, cuja restrição seria causada pela presença militar de um estado opressor.

Pape coloca o terrorismo como uma measure of last resource, qual seja, um último recurso daquele que estaria desesperado pela própria liberdade (embora, muito cá entre nós, não seja capaz de defender nem a liberdade da própria mãe ou esposa, mas isso são outros 500).

Isso é falso.

Por que?

Simplesmente porque ele não apresenta nenhuma prova, evidência, traço ou minimamente um hint de que outros caminhos teriam sido tentados, nem mesmo o mais clássico, eficaz, eficiente e comprovadamente ético e razoável percurso do diálogo. Não há qualquer prova de que nos casos analisados por Pape haveria negociação prévia, mesmo porque, senão na esmagadora maioria (para não dizer totalidade), o ente supostamente invasor (na maioria das vezes estamos falando dos EUA) mantém representações diplomáticas formais abertas para o diálogo e para negociações.

Sei que muitos vão dizer que na maioria das vezes o estado invasor mantém laços de cooperação com o governo local de modo que a abertura de um canal de negociação oficial, via embaixada, por parte de rebeldes, insurgentes ou descontentes é uma ilusão infantil. Mas mesmo assim, tais países fazem questão, item, de ter representação na ONU e, da mesma forma, não se vê por parte de tais grupos descontentes qualquer tentativa que comprove que o ato terrorista foi a última coisa que restou.

Sim, muitos vão dizer que a ONU é o quintal dos EUA e a praia de Lúcifer e ai pergunta-se: Human Rights Watch? Cruz Vermelha? Comunidade Islâmica nos EUA? C.E.? Liga dos Países Árabes? OPEP? FIFA? Vaticano? Nada...? Então como se considera algo como último, se não há sequer um mínimo traço de que teria havido uma primeira outra tentativa?

A tese de Pape é pós-verdade: os casos são analisados para se chegar comodamente onde se quer chegar, e não onde realmente precisam chegar.

E é dessa tese que se alimentou Obama em seus oitos anos de "deixar pra lá" o caso Síria.

É dessa exata mesma tese que os críticos da recente reação de Trump à barbárie química de Assad se alimentam: de absolutamente nada adiantará reagir ou invadir, pois essa reação e as consequentes invasões são as causas do terrorismo e não a sua solução, dizem os críticos.

Pois bem, vamos aceitar então a conclusão de Pape, ad argumentandum tantum: nem tanto pela forma com que ele atinge esse resultado, mas porque essa tese não é de todo desarrazoada.

Interessante foi exatamente usá-la para tentar descredenciar a nossa tese. Ora, ora - Pape fala exclusivamente da intervenção militar como causa e não da recolonização, que seria uma intervenção muito mais profunda, pois seria militar (e passageira) na forma, mas civil e duradoura em seu conteúdo. Defendemos uma intervenção civil. A região precisa, sem meias palavras, ser recivilizada. É necessário que o mundo interceda e puxe o padrão civilizatório da região para os níveis da média mundial atual; exatamente como eles fizeram no Norte da África e no Sul da Península Ibérica séculos atrás, redescobrindo Aristóteles por meio de Averrois, que curiosamente retorna para os olhos ocidentais por meio da cultura mourisca invasora.

A tese aqui defendida, na verdade, ajusta-se perfeitamente à proposta de Pape: jamais por tropas se o intuito for meramente militar. Falamos sim de submeter integralmente a cultura da região aos limites que a democracia impõe, mantendo-se a essência espiritual da religião em torno de mensagens positivas e de paz.

Sim, falamos de uma pax americana imediata, urgente e radical. O islã deve urgentemente ser domesticado a padrões que permitam o convívio de culturas e não a sua predominância ao seu modo e do seu jeito, tratando o "ocidente" como se fosse algo inferior ao que resolveu se entender por islã ou cultura do médio oriente. A região precisa aprender a conviver com os outros, tolerá-los para entender que viver é, na verdade, conviver. Ao negarem viver (e também que outros vivam) reafirmam a indisposição de convívio e a predisposição ao arbítrio (a vida só vale se for do meu jeito).

Pape tenta afastar essa verdade inconveniente do radicalismo jihadista, mas aqui a aproximamos de propósito, pois é nitidamente falso que nesses casos exclusivos a autonomia dos povos e a soberania estatal na região vai ser a solução.

Se isso fosse verdade Obama deveria então retirar-se totalmente da região como um todo, saindo inclusive na forma diplomática e extinguindo as representações, justamente para respeitar esse intento de ver-se "livre dos gringos". Mas a verdade é que isso, dessa forma e de maneira tão radical, já não é do interesse de ninguém: nem mesmo do dos próprios terroristas.

No mais: se o estado é a solução, Pape não dá conta de explicar as eventuais causas do ISIS (seja porque este surgiu depois que Dying to Win foi escrito, seja porque misturam ações de homicídio e genocídio com terrorismo suicida - enfim, o ISIS pratica uma espécie de pancovardia): estes, tem em suas fileiras gente do mundo todo (europeus e até norte-americanos), assim como a Al-Qaeda. O nacionalismo islâmico do ISIS é por militância (semelhante ao que se faz nos partidos radicais de esquerda e direita que precisam de uma base estatal para esculachar com quem com eles discorda). Na raiz, sabe-se, o buraco é mais embaixo.

Simples - o estado, nesses casos, não é a solução: é, na verdade, o problema. Se voltarmos nos tempos da derrocada do Império Otomano e do surgimento da Irmandade Muçulmana notaremos traços de Mariguellismo, Guevarismo e proto-Trotskysmo (sobretudo na questão da utilidade do terrorismo) sustentando as ações. Hoje chegamos a níveis de sofisticação política-ideológica-religiosa jamais testados antes na História da Humanidade.

ISIS, inclusive, já declarou a sua própria base territorial com sistema político próprio (califado absolutista terrorista que cobre parte do Iraque e da Síria com presenças coloniais no Paquistão, Irã, Afeganistão, Iêmen e Somália, com a capital do sistema declarada em Mosul, no Iraque). O ISIS não respeita a divisão combinada na ONU e declarou-se estado com terras próprias e um bandeira sua (horrorosa, muito feia, diga-se de passagem).




Então com o ISIS, na tese de Pape, a solução seria deixar pra lá, fingir que está tudo bem?

Parece que não...

Estado e Terrorismo andam juntos. Não é de hoje.

O Oriente Médio apenas trouxe essa mistura a níveis absolutamente inimagináveis.

Não há outra solução para isso: é necessário intervir e declarar o fim desses estados todos que conhecemos para que a cultura sobreviva a essas monstruosidades, nem que para acabar com esses estados decadentes do Oriente Médio, tenha que se extinguir, item, com todos os Estados Unidos (e Desunidos também), da América ou de onde quer que seja, se para isso tivermos que fazer sobreviver o que há de mais rico produzido no território dos EUA: a sua magnífica cultura. 

Entre os Estados e as culturas, ficamos com as culturas.

Voto

Caderno de Política
por Cícero Esdras Neemias

Não que nos apeteça Dória - pelo contrário, o culto à sua personalidade que ele habilmente constrói deve preocupar qualquer um que use a cabeça para algo mais do que separar as orelhas.

Contudo, teria dito o tal Geraldo que para ser presidente é necessário um grande consenso partidário.

Não, governador: para ser presidente é necessário ter voto. O consenso partidário precisa apenas saber enxergar isso - mais do que um consenso, tem que ser uma constatação, uma conformação. Justamente o senhor, que teve menos votos no segundo turno que no primeiro, apesar do consenso partidário, vem lançar um groselha dessas?

Ora, ora: cada tempo tem o PSDB que merece - o meu tempo foi de Covas e Montoro (de quem nunca fui eleitor, diga-se de passagem); o de hoje está atolado em outras covas e coberto pelo gelo de outras neves... Tsc, tsc, tsc...

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Previdência

Caderno de Qualquer Coisa
por Dom Fernandes III

Recentemente debate acalorado com um contrarreformista da Previdência nos deixou entre a consternação e o riso: sob o argumento de que a proposta em curso que visa ajustar a previdência ao tamanho da solidariedade possível de modo a não afetar a liberdade e muito menos a igualdade, atalhou-nos o funcionário público estadual (que ganha mais de 40k por mês e manterá esses proventos para o resto da vida, haja vista ter sido excluído da proposta ora em voga) que o ajuste, de natureza neoliberal, atende ao interesse da elite pois tem o único escopo de enriquecer a elite e empobrecer os oprimidos.

Obviamente que o servidor em questão (que não é leitor deste hebdomadário, cujo trabalho aqui feito é imune a deficientes gramaticais e intelectuais) não se vê na elite e nem entre os oprimidos. Não se acha culpado por nenhuma desigualdade nacional, pois ao defender a união homoafetiva, acha que já cumpre o seu papel pela igualdade e que os demais desníveis são culpa do sistema capitalista, pois todos econômicos.

Reconhecendo que a "a conta não fecha" mas dando a ótima ideia de fechar a conta com aumento de impostos "que afete os mais ricos", o Robin Hood Tamoio fala sem dados nas mãos, mas com muita certeza na ponta da língua.

Bem, se a culpa então é do capitalismo e se há uma assunção geral de que a conta não fecha, dei um "fechado" nas premissas e sugeri: adotemos então o sistema de previdência da Coreia do Norte, de Cuba, da Venezuela ou da China* - copy and paste.

Estou esperando a resposta até agora...

* A China está em conflito interno para reformar a sua previdência desde o início desta década. Hoje um homem se aposenta aos 60, a mulher aos 55 e se for "operária", recebe um expurgo aos 50. O teto? Ah, sim - 2,070 yuans, algo em torno de US$280 ou, em reais, R$800,00. Menos do que 1 salário mínimo. Repito: teto - na média o povo leva bem menos por mês. Aos 50 a operária é "expurgada" e não aposentada. Por que? Simples - uma vez retirada do sistema, não pode voltar a trabalhar para complementar a renda. Tem que se virar com isso para o resto da vida. A Venezuela repete a fórmula 60 para homens e 55 para mulheres, mas paga um teto de aproximadamente US$200,00 (qual seja, R$600,00), só que a inflação escabrosa já fez com que esse valor de jubilación fosse troco de pinga no mês passado. Em Cuba se pratica 65 para homens e 60 para mulheres ou antes para ambos, mas desde que comprovados 30 anos consecutivos de contribuição - algo bem parecido com a brasileira, por conta de uma reforma feita em 2009 quando Castro ainda era o Imperador na Ilha, apesar das fraldas geriátricas. O teto? US$340, qual seja, nada mais do que mil reais. Mas esse é o topo do provento quando há pagamento de complementos ao longo de muitos anos. Na média a maioria leva US$260, qual seja, R$780,00 e ninguém consegue se aposentar antes dos 60. E a Coreia do Norte? Ah, a terra do rei gordinho feliz... bem, por lá impera o regime de trabalhos forçados para a maioria da população (palavra bonita que Trotsky e os comunistas bonzinhos deram para o que antes de 1888 era conhecido por escravidão - para quem duvida, recomendamos a leitura de Comunismo ou Terrorismo, de Trotsky). O Estado provê o cidadão com o básico para a sua sobrevivência, segundo o conceito de "básico" que for do entendimento exclusivo do gordinho feliz. O básico é mantido ao fim do "tempo de serviço", cujas regras para término do período de serviço ao estado não é clara, pois depende sempre do que o gordinho feliz achar que é o tempo de você ir pra casa e não servir mais ao estado em troca da ração mensal. Portanto, desde 1978 não há na Coreia do Norte qualquer contribuição e, por isso, não há sistema de previdência nem pensão. O Estado sustenta, mas as pessoas só param de trabalhar quando o Estado achar que o cara já deu o que tinha que dar (literalmente): varia de caso a caso, portanto. Essa ideia burguesa de previdência que hoje discutimos foi abolida em 1978 e desde então o país não tem qualquer sistema de previdência e cada cidadão vive na total e absoluta dependência do Estado (conceito de Estado lá é o que o gordinho feliz entender e normalmente ele entende que ele e "estado" são as mesmas coisas, desde que "estado" seja tão bonito quanto o penteado dele). Sabe de uma coisa, eu até que gostei desse tal sistema coreano. O que acham de adotarmos essa ideia abolicionista que só a inovadora Coreia do Norte pôs em prática? Topado ou vamos ter que voltar a discutir que a conta não está fechando por aqui? Porque na Coreia eles fecharam a conta assim: como dizem, na galega...

Oriente Médio

Vera Cruz Times
por Dom Fernandes III

Hoje deu-me poupar nossos jornalistas para que o peso das polêmicas saia de meu teclado.

Há tempos nossa linha editorial vem observando, na parte internacional, o eixo EUA-Oriente Médio-América Latina.

O Oriente Médio já rendeu inúmeras matérias em nosso caderno especial internacional, o Vera Cruz Times, bem como em outras seções: da política ao Caderno de Cultura.

De matérias sobre o jihadismo até análises do Decreto de Trump, essa cultura pseudo-oriental nos chama a atenção desde nosso último encontro com o Profeta Mostradanus: se o mundo chacoalhar, a causa dessa turbulência (que pode derrubar o avião, diga-se de passagem) certamente virá desse Eixo do mundo.

Sim, a região que outrora fora parte do Império Otomano, com alguns agregados da Península Arábica (como a própria ditadura da Arábia Saudita), mais alguns núcleos de origem Persa, formam um Eixo que gira em torno do islamismo jihadita (mais brando, menos brando, mais radical, mais sangrento, ou deliberadamente terrorista) e de assistencialismos obscuros com políticas de presença de Estado Total.

O grau de destruição que esse Eixo vem causando não apenas em terras próprias, mas agora também na Europa, vem gerando a maior crise de refugiados de todos os tempos. Causa também a maior inserção na miséria jamais vista em termos de contingente humano: no caso da Síria, mais de 80% de sua população vive hoje em condições de absoluta miséria, causada diretamente pelos conflitos que não cessam. Não são apenas as armas químicas que tem matado extensamente na Síria e na Somália: a fome é também uma das maiores armas de guerra usadas não apenas nesses países mas sobretudo no Iêmen e em regiões do Iraque dominadas pelo Estado Islâmico.

O mundo, com aval estéril da ONU, prefere manter-se passivo, observar, discutir o quanto das portas de cada país podem ser abertas para receber refugiados ("1 milhão pra mim, 500 mil pra você..."), enquanto lá no cenário das operações o "pau come solto". Na verdade, ninguém quer entrar nessa treta, mas essa postura de ficar em volta da roda de briga pilhando os brigões com o famoso "ihhhhhh, humilhou!!!", "ihhhhhhhh, vai levar essa pra casa?" vai fazer com que os bullyies acabem sendo puxados pra dentro dessa roda (lembre-se que muitos já tomaram mais de um tapa na cara enquanto ficam por perto, nessa postura de olhar a briga e não entrar nem para separar os brigões, mas manter o espetáculo da desgraça em modo "on" para se regozijar com a máxima "como somos felizes e civilizados").

Pois bem - parece que essa história de ficar olhando e esperando que eles se entendam não está resolvendo. Ficar provocando lados funciona muito menos (para fins de eliminação das discórdias, haja vista que alguma Rússia pode discordar sobre a efetividade ou inefetividade das provocações).

Muitos têm pedido intervenção militar para derrubar esse ou aquele, mas a experiência no Kuwait em 1990, no Iraque da Era WBush e do Afeganistão Taleban do mesmo período e assim por diante têm demonstrado que essa história de entrar, julgar meia dúzia e devolver o país para os sucessores dos terroristas não está funcionando. Pelo contrário: tem gerado um ciclo vicioso de palhaços armados.

O problema, todos sabem, é cultural.

A região precisa ser recolonizada. Ponto.

É necessária uma intervenção militar e civil na região, assim como foi feito no Japão do pós-Guerra.

É preciso reformular a doutrina Marshall e adaptá-la aos tempos atuais e aos problemas e peculiaridades culturais do Oriente Médio. Há solução e ela não é simples e precisa da intervenção, por terra e na base da força para que Aliados (EUA? França? Espanha? Austrália? Japão? Alemanha? Inglaterra? China? mais candidatos?) façam um saneamento civil posterior (à intervenção militar) das insanidades que regem as ações nesse palco das operações e coloque esse povo honrado para que façam o que melhor sabem fazer; aquilo que foram culturalmente talhados e são reconhecidos em todo o mundo pelo brilhantismo nesse campo: trabalhar e fazer negócios.

O resto é demagogia.

A recolonização é a única saída.

#prontofalei

por Dom Fernandes III

Acompanhamos há anos a coluna de Jânio de Freitas.

Desde o escândalo da rodovia Norte-Sul em 1987, por meio de sua engenhosa "sacada" de usar os classificados para anunciar favas contadas, Freitas é lido e não por prazer (muito pelo contrário), mas porque Freitas revela o que pensam suas fontes que, mantenha sigilo ou não, todos sabemos muito bem quem são. Acompanhamos o indigitado jornalista desde os tempos em que ainda não era coluna, mas, sejamos honestos, já era viga de sustentação de uma certa militância jornalística.

Reunidos para pauta, os jornalistas deste secular hebdomadário têm pedido para se manifestar, pois Freitas faz afirmações de cair os cabelos, seja em política, seja em economia, seja em assuntos internacionais, seja em assuntos locais, enfim - costuma se meter de maneira ora pretensiosa, ora arrogante em todo e qualquer assunto. Consta até que já escreveu sobre futebol.

Mas a área que mais causa consternação vem da gritaria que ouço da turma do nosso Caderno de Cultura: difícil esconder mas Freitas é talvez um dos maiores assassinos da língua vivos em atividade na Imprensa do Brasil. Se a morfologia é arrumada pelo corretor ortográfico, o péssimo hábito (no caso dele, que dá mostrar claras de necessidade desse recurso) em desligar o corretor sintático lhe permite escrever textos em que jamais deixou passar aquele hábito tosco de escrever frases sem predicado, vez ou outra sem verbo, vez ou outra com adjunto adnominal depois do ponto. Sei que os progressistas da língua (exceto Chomsky) vão fazer troça desta observação que o Professor Pinto Cançado nos ensina ser algo muito além do estilo e bem situado no erro.

Esse tema do "estilo", que revela o próprio homem, aparece também em outras searas, com destaque para a política e para a parte internacional.

Pois bem - depois de tanto ouvir reclamações e pedidos de sinal verde para que possam escrever, resolvi eu, editor chefe, poupar meu time e, com as teclas em mão, dar voz a todos e protege-los, cada um e cada qual, em seu anonimato de insurgência.

Justamente ele, o Cavaleiro dos Vazamentos Seletivos, põe-se em pé e a ordem para defender o Governo da Fralda Geriátrica (e muito provavelmente porque ele, Freitas, deve se compadecer das mesmas necessidades), dourando a pílula quando o fato (qual seja, a notícia) não favorece aqueles que se utilizam de seu grosseiro escudo.

Freitas faz do ofício jornalístico um peticionário digno de um rábula de qualidade duvidosa e panfleta um discurso que tenta esconder os fiapos de carne podre enroscados nos dentes de sua turma.

A de hoje, praticamente uma certidão de desonestidade intelectual, foi vazada nestas letras, sobre o Equador e o presidente que fora protegido por Tiko-tiko:

Correa deixa substancial redução da pobreza e muitos outros feitos de justiça social. Quanto ao seu autoritarismo, não foi mais do que o pulso forte que lhe permitiu bem concluir dois mandatos, eleger sucessor e fazer maioria parlamentar
Como é que é isso, Freitas?

Deixa-nos ver se entendemos bem: Correa instala uma ditadura financiada com dinheiro da Petrobrás via Odebrecht (lembremos que o marqueteiro da campanha de Lenín Moreno foi o brasileiro Edinho Barbosa, substituto de 3a hora de Duda Mendonça e do casal João "Feira" Santana e Mônica "Xepa" Moura, com inúmeros serviços prestados a suas fontes e informantes). Ditadura sim, pois se democracia tem como características a liberdade de imprensa e a separação entre poderes e a ditadura se marca por prisões ilegais e perseguição política com desculpa jurídica de todos os inimigos do regime, o governo Correa, auxiliado por Tiko-tiko, pode ter sido qualquer coisa, menos democracia.

Entende, entretanto, o geriátrico néscio das letras truncadas que "justiça social" social e redução da pobreza, se acompanhadas de mandato fixo e eleições regulares aniquilariam o argumento de que no Equador se vive uma ditadura.

Freitas, seu burro: esse é exatamente o mesmo argumento usado pelo "Capitão Bolsonaro" para falar da Ditadura Militar no Brasil - Castello foi eleito pelo Congresso, não houve interrupção das eleições no Brasil, a rotatividade no poder foi fato inquestionável e uma série de números que comprovariam a melhoria das condições econômicas no Brasil (que muitos chamaram religiosamente de "Milagre Econômico") também podem ser usados "pelo outro lado" para justificar que os militares na verdade tiveram apenas não teriam tido "mais do que o pulso forte que lhe(s) permitiu bem concluir 5 mandatos, eleger sucessor (Sarney) e fazer maioria parlamentar (até 1985)".

Ora, faça-nos o favor, Senhor Freitas.

Isso lá é coisa que se diga sobre o maior exportador de bananas do mundo (literalmente)?

Freitas não segue, jamais seguiu e sabe-se, nunca seguirá a fórmula de Millôr que conclama todos os jornalistas a militar na Oposição, seja o governo que for.

E sabe-se que se o resto é armazém de secos e molhados, dadas as deficiências de Freitas com a gramática, podemos notar que seu armazém nem os secos tem entregue.


quarta-feira, 5 de abril de 2017

Estocando Vento

Caderno de Assuntos Menores
por Eugênio Villas

Mais uma vez o Congresso, inebriado ainda pelas lições de vasta cultura dessa ícone da lógica, promove uma discussão que, na prática, equivale a uma tentativa de "estocar vento" (para não dizer, "prender Saci na garrafa" ou, mais grosseiramente, "prender o peido no tubo de ensaio"): trata-se da tentativa de regulamentar o Uber em nível federal.

Esse assunto já foi tratado aqui.

Mas esse sábio Congresso faz-me voltar a ele, assim como certas articulidades jornalísticas o vem fazendo, vazadas no sagrado princípio constitucional da liberdade de ir e vir.

Querer regular como as pessoas andam é uma das cretinices mais abissais que os Estados insistem em praticar.

Ora, ora... Liberté? Ou Égalité? Ça m'est égal...

terça-feira, 4 de abril de 2017

Cuzeiro do Sul

Vera Cruz Times
por José da Silva

Bashar el-Assad, o homem que Lula condecorou com a Ordem Cruzeiro do Sul, acaba de realizar um ataque com armas químicas que deixou 500 vítimas, mais de 100 fatais.

Assad é um ícone das esquerdas no Oriente Médio e Lula condecorou-o em 2010 com a maior comenda nacional para um estrangeiro, em vista de sua "relevância para a melhoria do mundo, da vida das pessoas e de seu grande trabalho em prol dos direitos humanos e da classe trabalhadora e dos mais pobres e do povo sofrido, etc, etc, etc., bla, bla, bla..."

Em 2003 o mesmo Lula "anulou" a condecoração que FHC havia concedido a Alberto Fujimori - criou uma nova figura, a da anulação de uma comenda (não pediu de volta, mas "anulou" a entrega) e abriu um precedente curioso, que a época foi fundamentado no fato de Fujimori ter se identificado com.... graves violações de direitos humanos.


Não que Fujimori fosse ou ainda seja flor que se cheire, mas, pensando apenas no lado racional e formal da questão, pergunta-se: o que ainda obriga o Itamaraty a manter essa condecoração, bem como a conferida ao multiterrorista internacional e autor do clássico Manual de "Guerra de Guerrilhas" (documento em que defende abertamente o uso do terrorismo como tática revolucionária)?

Hoje o Cruzeiro do Sul foi manchado de sangue (e não é a primeira vez). Lula até que deu uma boa ideia para tentar consertar: uma espécie de água-raz histórica na medalha estupidamente conferida em passado de exuberâncias irracionais.

Se manter um torturador pode pegar mal, o mesmo pode se dizer em face de um assassino (praticamente um serial killer), pior ainda um genocida (sobretudo quando usa armas químicas).

Detalhe: seu alvo não foi um batalhão e nem um aglomerado militar - foi um hospital.


Esse líder homenageado a condecorado por todos os brasileiros (naquele ato representados por Lula) governa um dos sete países alvo do famoso decreto de Trump.

Estamos apenas aguardando os defensores de Assad bem como os defensores de quem defendeu Assad no passado para justificarem a posteriori o injustificável presente.

Morreremos esperando.

Editorial

por Dom Fernandes III

Pedimos desculpas aos leitores higiênicos e às leitoras de intestino regulado pela nossa franqueza em tratar do tema em linguagem tão direta quanto chula.

Pedimos desculpas ao leitor atento e à leitora meticulosa por voltarmos a esse assunto, praticamente tornado uma platitude face à abundância de evidências e obviedades de sinais exteriores.

Mas a verdade, senhores, senhoras, é que "Dilma cagou".

Mas desta vez, a prova vem de uma confissão feita hoje em entrevista para uma filiada de seu partido.

A correligionária bem que tentou em seus "secos e molhados" (como diria Millôr, o outro Fernandes) acochambrar uma defesa extra-autos, mas produziu verdadeira confissão literalmente com "cheiro de merda".

Não somos disso em editoriais, mas vamos reproduzir a fala escatológica de Dilma ao confessar que tinha pleno conhecimento (pois fora alertada) que sua campanha não era apenas uma farsa, mas sim um verdadeiro ralo (com cheiro e vazão próprias para coisas muito sujas de todas as magnitudes):
Eu viajei ao México para um encontro com o Peña Nieto e depois houve um almoço e uma reunião com empresários. O Marcelo estava lá. No fim do dia, eu já estava saindo para o aeroporto, atrasada, mas queria ir ao banheiro. Fui para uma sala reservada e fiz o que tinha que fazer. Quando voltei, está lá o senhor Marcelo nessa sala. Ele começou a falar comigo, do jeito Marcelo, tudo meio embrulhado. E eu numa pressa louca, olhando para ele. Não entendi patavina do que ele falava. Niente. Ele diz que me contou que poderia ocorrer contaminação. Mas eu não tinha conta no exterior. Se o João tinha, o que eu tenho com o João? Por que eu teria que saber?



Essa declaração histórica de uma ex-Presidanta da República afastada por corrupção é de suma importância e nos obriga a duas observações

1) em primeiro lugar, Dilma Vana Rousseff não pode ser nunca, jamais, em hipótese ou circunstância alguma, ser afastada da política, pois ela venceu alguns expoentes de peso no assunto (como Deputado Tiririca, por exemplo): Dilma é uma das pessoas mais engraçadas e divertidas que já passou pela política mundial desde o curto governo de Hienas na Arca de Noé.

2) em segundo lugar, Dilma Vana Rousseff fecha um ciclo de exatos 195 anos de história do Brasil, ou melhor, essa visionária antecipa em 5 um ciclo de 200 anos de nossa história, quando a nossa independência foi literalmente defecada por aquele que viria a se tornar o Dom Pedro IV de Portugal, quando em sua viagem de volta de Santos para o Rio de Janeiro (viagem essa de motivos muito semelhantes à viagem de Pedro para Santos), pára por algumas horas num casebre de um caboclo nas margens do Rio Ipiranga, em São Paulo, para fazer exatamente o mesmo que Dilma fez no México com o mesmo grau de pressa e desespero intestinal descrito por ela e lá pelas tantas, bate à sua porta um portador com uma mensagem escrita meio que advertindo exatamente a mesma coisa que Marcelo advertiu a Dilma e a reação de Pedro é exatamente a mesma que a de Dilma quando ouviu Marcelo ("mas que 'porra' tenho eu a ver com isso?", teria dito Pedro...).

Pandiá Calógeras e o Visconde de Porto Seguro dão a lista dos presentes no Grito do Ipiranga, mas nunca e jamais souberam que o caboclo dono do casebre onde veio a se cagar Pedro era fonte de nosso editor de antanho, Dom Domingos II, nessa linda sequência lógica já que a cagada que deu origem ao "Grito do Ipiranga" se deu num sábado.

Aquela fonte segura deu material jornalístico para que pudéssemos fechar esse ciclo histórico brasileiro - do "Grito do Ipiranga" (que foi um grito de constipação intestinal) ao "Colóquio de Benito Juarez", de Pedro a Dilma, temos a prova cabal de que o Brasil é literalmente... UM PAÍS DE MERDA.




segunda-feira, 3 de abril de 2017

Millôr

Para quem não notou, este hebdomadário é cercado de referências e easter eggs a MILLÔR FERNANDES, descendente indireto e em linha colateral distante de Dom Fernandes II, um dos antecessores de nosso respeitado editor chefe Dom Fernandes III.

Enquanto alguns lembram a passagem dos cinco anos sem Millôr, nós do Bola Preta Diários Associados, do Folha da Madrugada e do Vera Cruz Times apenas festejamos mais um ano com Millôr. São agora 92 anos COM MILLÔR.

Sim, ele está entre nós! Sim, ele está no meio de nós! Hosana nas Alturas, Millôr!!!


terça-feira, 28 de março de 2017

sexta-feira, 24 de março de 2017

Candidato

Curtinhas Bola Preta

"Dória diz que não será candidato a presidência da república, Dória a quem doer"

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BLACKBALLLEAKS

Eu sou contra a terceirização de atividade fim, mas sou a favor da terceirização do atendimento em hospitais públicos para o governo Cubano: pago o governo de Cuba e ele me manda executores da atividade fim, a quem não preciso pagar nem um centavo sequer de direitos trabalhistas, assegurando ainda ao meu contratado (o governo de Cuba) que manterei todos os funcionários em cárcere privado (ou será que é público? governos podem acordar cárcere privado entre eles?).

Eu sou a favor do combate à corrupção, mas só as praticadas pelos outros: corrupção, quando praticada em nome de uma causa maior e para sustentar um governo que tirou da pobreza mais de 600 bilhões de pessoas, não pode ser chamada de corrupção, mas sim de justiça social. Aquele valor que eu retiver, não chamo de propina, mas de agrado.

Eu sou contra os vazamentos seletivos, mas a favor dos vazamentos que visam salvar um herói brasileiro: quando a notícia é contra mim, eu chamo o "furo" de vazamento seletivo, ainda que a informação se refira a fato passado e consumado; quando o vazamento é a meu favor, chamo isso de liberdade de imprensa com garantia de sigilo de fonte, ainda que a informação se refira a fato futuro e ainda por ocorrer, segundo planejamento de autoridade pública para prender alguém em flagrante ou coibir a expansão de crimes.

Eu sou contra a globalização, mas gosto de reclamar na ONU quando o meu papo furado perde o efeito localmente: os EUA são os monstros capitalistas que querem me dominar, exceto por aquela parte dos EUA que bate palmas para a minha dança da chuva.

Sim, de fato, eu sou contra a globalização, mas amo a China e idolatro Cuba.

Óbvio que eu odeio a globalização, mas ajudo a Venezuela e Maduro, ajudo o Equador e Correa, financio campanhas na República Dominicana e Angola, condecoro Bashar el-Assad e Muamar Kaddaffi e, last but not least, torço por Bernie Sanders e pelo Barcelona de MSN.

Eu odeio a classe média, mas frequento o Itaquerão e pago com gosto 300 reais por ingresso.

Eu odeio a elite, mas janto com ela quando um desses põe mais de 3 bilhões de dolares na minha conta para eu gastar como bem entender.

Eu defendi as Diretas-Já e até ressuscitei esse assunto, que foi um momento mágico com o povo nas ruas, mas eu tenho certeza que o impeachment de 2014 foi "gópi", porque o outro povo que foi as ruas em 2014 era da elite - elite quando vai às ruas não vale, só vale quando vai alguém as ruas gritar coisas que eu goste de ouvir e usar a meu favor.

Eu não tiro foto ao lado do Maluf, o "rouba mas faz", mas pratico o "rouba mas faz" e digo gostoso: ninguém FEZ tanto pelos pobres quanto o meu dinheiro roubado.

Eu meto o pau nos EUA, mas só consigo passar férias em Miami.

Eu odeio o Trump, mas concordo com ele quando ele diz que a imprensa golpista ataca quem quer defender os pobres.

Eu defendo os gays e as minorias, mas faço piada de pederasta pra quem quiser ouvir.

Eu combato os fascistas, mas amo uma teta estatal.

Eu adoro transparência, desde que seja do biquíni alheio.

Eu jogo pra torcida, mas e a torcida me vaia, eu culpo a elite.

EU SOU DA ELITE e, no fundo, no fundo, prefiro o cheiro do cavalo ao cheiro do povo.


quinta-feira, 16 de março de 2017

Diplomacia Brazil

Caderno de Assuntos Menores
Eugênio Villas

Recente pesquisa promovida pela UnB identificou que o órgão público brasileiro recordista em casos de assédio moral (gritar com funcionários, promover injúrias raciais e homofóbicas, jogar café fervendo na cara do subalterno, e, em um ou outro casinho, dar uns tabefes de leve), com a incrível marca de 66% de seu quadro já tendo sido vítima de assédio por parte de seus chefes e gestores, é, nada mais, nada menos que o nosso querido Itamaraty, fundado pelo Gentleman Barão do Rio Branco.

Sim.

É isso mesmo.

O órgão público brasileiro mais indelicado, escroto, rabugento, covarde, chiliquento, ignorante, bestial e antipático tem como principal atribuição a promoção da Diplomacia no âmbito internacional.

Como esses "diplomatas de carreira" (chefes responsáveis pelas práticas) podem entender e dialogar com um muçulmano se sequer são capazes de entender um bahiano, um carioca ou um gaucho?

13 anos interagindo com Diplomatas da Venezuela, Equador, Bolívia, Argentina kirschnerista, Uruguai do Mujica, Irã do Almadinejad, China, Coreia do Norte, Sudão, Síria de Bashar el Assad, Líbia de Kaddafi, Iraque de Hussein e outras pérolas do discurso político diplomático internacional de pouco tato, foram suficientes para internalizar uma cultura do grito, do palavrão, da boca suja e do assédio que começou, lá atrás, com a dupla Lula-Dilma, que apenas se deu ao trabalho de seguir a cartilha da camarilha.

De fato, o Brasil não é um país para amadores justamente porque é um país de amadores - diplomaticamente amadores.

sábado, 11 de março de 2017

Planalto Fantasmagórico

Caderno de Assuntos Menores
por Eugênio Villas

O Pres. Lulja deu uma entrevista justificando sua volta ao Jaburu e a abdicação de viver no Palácio do Alvorada: fantasmas.

Afirmou abertamente (entre risos) que chegou a desconfiar da presença de almas penadas, fantasmas e outros seres sobrenaturais habitando o tosco palácio.

Considerando a sogra que tem, podemos afirmar com certeza que o Pres. Lulja é um expert em assombração e Jaburus e, ao optar por este e rejeitar aquele, urge investigar a existência de fantasmas e dos modernos "palhaços assustadores" no Alvorada e no Planalto de modo geral.


segunda-feira, 6 de março de 2017

Editorial

por Dom Fernandes III

Dizem que a maior empresa de cafezinho do Brasil, além de lavar dinheiro, andou também financiando as FARC e enchendo as burras de dinheiro dos cofrinhos dos ditadores da Ilha dos Irmãos Castro.

Ter uma diretoria exclusivamente para pagamento de prop..., digo, "operações estruturadas" (aqui e no exterior) já virou café pequeno.

Um homem a menos ou a mais na barreira, convenhamos, leitores, leitoras, nada disso tem a ver com café.

Torna a atividade habitual dessa empresa de cafezinho outros cafezes.

Se isso não for o bastante para decretar a sua dissolução compulsória, estaremos, a contrario sensu, legalizando a farra.

Lembre-se que a acordo de leniência não salva de dissolução compulsória quando for este o caso.

No copo meio cheio, lembro apenas que a lei que inventou esse tema da dissolução compulsória não excluiu as sociedades de economia mista e antes de beber o que resta, pergunto - e a Petrobras, estão esperando o que?

Lembre-se também que desestatização (algo como uma alienação de controle a prova de ostras) não salva também: o sucessor é obrigado, após a due diligence, a conviver com os cafezes que venha a adquirir.

E assim, a pergunta retorna - e a Petrobras? Estão esperando o que?

Cavando pênalti

Caderno de Política
por Cícero Esdras Neemias

Luis Inácio candidatou-se para concorrer ao pleito que decidirá pelo cargo de Presidente da República. Sua candidatura foi lançada ano passado, algo entre julho e agosto de 2015. Foi feita verbalmente e vem sendo reiterada por escrito em meios eletrônicos e redes sociais. Provas há, em abundância, sendo cuidadosamente produzidas contra esse Homem Morcego de São Bernardo.

Nesta semana, o candidato (ainda aguardando que o TSE abra o prazo para "oficializar" as candidaturas) encontra-se em campanha, em pleno vapor. Faz discursos eleitorais até em velórios (literalmente). Viaja o país em palanques com uma única data na boca: outubro de 2018.

Não há a menor sombra de dúvida ou disfarce de estarmos diante de uma das mais folgazes violações da lei eleitoral nesta Era pós-Lavajato (a maior, até então, ocorreu nas campanhas de 2010 e 2014 em que Rousseff privatizou sua candidatura para empreiteiras, privatizando assim, por meio de sua vitória, a própria cadeira presidencial, deixando as eleições da Era Café-com-Leite no anedotário das fraudes eleitorais).

Se compararmos essas violações (qual seja, as de 2010/2014 com as de hoje), a que vem sendo cuidadosamente tramada pelo Fidel dos Metalúrgicos do ano passado pra cá, soa como uma bobagem infantil. O que é antecipar-se alguns meses em face de anos de rebate em propina? Na balança do sindicato, nada.

Essa ideia de "queimar a largada" e violar descaradamente a regra eleitoral tem por finalidade única gerar um estado de ilegalidade calculado: quando as irregularidades decorrentes de candidatura intempestiva e campanha desleal (porque fora do prazo, porque fora do âmbito da fiscalização do TSE, porque imune a direto de resposta, porque baseada em dados e fatos inverídicos, porque financiada de maneira nada transparente e por ai vai) se tornarem punição com consequente impugnação da candidatura (Silvio Santos, em 1989, quando "comprou" a vaga de Armando Correia foi impugnado por muito menos...), Luis Inácio e seus acólitos apostarão na carta da manga esquerda - a ignorância do seu eleitorado. E sem pestanejar, jogarão a turma do Bolsa Família contra o TSE.

Como o eleitorado (e, convenhamos, a unanimidade da imprensa, formada por meninos e meninas hábeis em redes sociais mas inábeis com fatos) é absolutamente alheio a essa violação descarada, canhestra e desavergonhadamente calculada, a chusma de Luis Inácio já preparou o discurso para a punição vindoura - "é gópi".

Fato é que a chusma luloesquerdopata não fez seu Dória e terá que ir de Luis Inácio e, este, terá que ir dele mesmo para salvar-se do que fez no caminho entre a família morta e a sessão de cinema.

Simplesmente a candidatura será impugnada e o discurso da perseguição política de que o FBI está impedindo o Kel-El de Garanhuns de salvar os pobres do Tubarão Branco de Wall Street está só esperando a chamada "subsunção dos fatos à norma".

É esperar para ver.

sexta-feira, 3 de março de 2017

quarta-feira, 1 de março de 2017

Substituição

Caderno de Esportes
por Pataca

Substituição no gol do PCCV Futebol Clube: sai Bruno, entra Edinho.

Jogo segue parado, mas logo-logo os times retomarão suas ações ofensivas.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Editorial

por Dom Fernandes III

Certos jornalistas, mais ousados que astutos, têm galardoado que a ida de Rafael Corrêa para os quintos dos infernos dá fim a um ciclo de Populismo que não deixará saudades (exceto por Tiko-Tiko, que deixará saudades).

Desatentos ao fenômeno PT (Putin-Trump) e às comemorações pelo centenário da Bolchevique de 17, assumem a pele do vira-lata para partir do pressuposto que a imbecilidade é um atributo exclusivo (embora não discorde que seja inato) da América Latina.

Alguns anos de experiência com a globalização deixaram apenas um fenômeno sem fronteiras: a imbecilidade.

A América Latina foi muito eficaz em sua política de exportação de ideias esdrúxulas e ridículas e hoje, o PT tem soprado na Europa, América, África, Ásia e Antártida como o verdadeiro antídoto dos menos favorecidos em face dos grandes culpados pela desigualdade, esses liberais famintos e que devastaram o mundo em 2008.

Sem assumir um pingo sequer de culpa ou remorso, o Populismo PuTista (versão científica do eixo de mentiras que sustenta o modus operandi Putin-Trump) se coloca como solução para um problema gerado pelo próprio protecionismo gestado na mesma picardia populista que protegia (como de fato continuou protegendo) os useful idiots do sistema financeiro.

Essa molecada de gel no cabelo, cinto Ferragamo, iPhone 25 Plus, 9 dígitos de milhas em cartões fidelidade e um vocabulário tecno-financeiro-bullshístico (mambo-jambo banqueiro) foram, de fato, o instrumento, digamos, a Trombeta que foi soprada pelos verdadeiros culpados: políticos populistas financiados por essa meia dúzia de moleques metidos a espertos, que por sua vez eram protegidos ferozmente por esses políticos (sobretudo no âmbito fiscal, tributário e regulatório) para que continuassem a gerar os lucros de onde saem o financiamento das campanhas que os alçaram ao posto de protetores de seus financiadores (e se eu não parar por aqui vou escrever uma frase de 6 mil linhas nesse vai e volta entre o Master e os Puppets).

O Populismo vive hoje, como Jason Voorhees: mascarado e fazendo suas vítimas ingênuas oriundas dos gozos estudantis.

Enquanto isso, a nova turma do PT lança o mantra "salva o meu que eu cubro o teu".

Tudo ali, bem ajustadinho, no maior símbolo de Estado do mundo: o Salão Oval.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Doria CP

Caderno de Política
por Cícero Esdraas Neemias

Enquanto reclamam de Dória (e hoje saiu mais uma pesquisa de férias de gente dizendo que os acidentes caíram na capital em Janeiro... it is the vacations, stupid!, parafraseando Clinton) e ficam se coçando em relação a sua mania de limpeza, dão atenção à mosca e deixam o elefante passar.

Em menos de 1 mês Dória tornou-se... presidenciável.

Essa história dele aparecer com uniforme de gari, com uniforme de limpa-muros, pegando ônibus com o povão, acompanhando obras de surpresa, indo tomar vacina e fazendo exames em postos de saúde em plena administração (hello, a campanha acabou...) tem um nome: CULTO À PERSONALIDADE.

Os grandes cultos à personalidade na história do mundo começaram exatamente da mesma forma.

Dória está, a olhos vistos e na frente de todos (sem que um sacripantas perceba) construindo um dos mais fortes e avassaladores cultos a personalidade que ameaça, inclusive, outro culto a personalidade que não alcança nem metade da eficiência do Dória, pois demorou dez anos para surgir como presidenciável: Bolsonaro.

Defende-se Lula na mesma moeda, fazendo um cultinho a sua personalidade, junto das "mitagens" de Ciro, outro que vem praticando o CULTO À PERSONALIDADE para chegar lá.

Mas nenhum deles é tão bem feito e eficaz quanto o de Dória.

É o Estado Espetáculo firme e forte!