Vera Cruz Times
por José da Silva
Dizem que os primeiros cem dias de um governo resumem de antemão os quatro anos vindouros.
Se isso fosse verdade bastariam cem dias.
Mas no caso de Donaldo Trombeta, seus cem dias da marmota são o resumo do que os próximos quatro anos não serão.
Dá-se início a Era do Idiotistão: administração por twitter cercada de telefonemas que se encerram com o novelesco "bater o telefone na cara", insultos e molecagem em redes sociais (tanto dele contra outros, quanto de outros contra ele) e medidas curiosas por decretos.
As mais famosas são as medidas contra estrangeiros, especialmente países de maioria muçulmana.
Aqui já se disse que quando precisamos diferenciar jihadismo de islamismo, temos que entender islamismo primeiro e ver como os jihadistas associam "morte" a "bem" e "ocidente" e "capitalismo" ao "mal", para que a Jihad Menor prevaleça como forma catequizante. Isso não é e nunca foi uma "questão de Estado" e não é na relação estatal bilateral que isso se resolve (seja no combate ao jihadismo que a parceria Putin/Al Assad fazem; seja no isolacionismo que promove Trump de forma marota). Esse buraco é muito, muito, muito mais embaixo...
E esse detalhe se tornou "a" desculpa: assim como o Muro do México, a batida de telefone na cara do Primeiro Ministro Australiano em uma conversa sobre a divisão da conta de refugiados, os desencontros em relação ao Pacto do Pacífico, as birrinhas com a China, a revisão da aproximação com Cuba, o apoio ao Brexit.
Em menos de um mês, todas as atenções foram voltadas para questões de política internacional e esses que hão de ser uns cem dias da marmota, transparecem uma estratégia: atacar a globalização; tornar novamente o país refém de meia dúzia de investment bankers gordos de Wall St.; inscrever alguns amigos na revolving door que existe entre a K Street e Wall St. E tudo isso de forma simples: começa-se fazendo o povo a perder o hábito de ler jornais.
Como fica agora aquele argumento da esquerdinha brasileira, que ficou anos e anos dizendo que a globalização era obra a direita estado-unidense? aquele papinho de que a globalização atende ao interesse e ao enriquecimento dos grandes grupos americanos? aquele papo insano de que a imprensa (sim, sempre ela) é a grande culpada por esse status de proteção dos interesses da direita contra o povo (que supõe-se ser naturalmente de esquerda, pois pobre tem que ser de esquerda)?
Pois bem - esses ataques estão na base dos sonhos antiglobalizantes latino-americanos populistas.
Aqui culpa-se a Globo e o Roberto Marinho, a Veja e o Estadão e usa-se o twitter para falar a verdade ao povo; lá, culpa-se a CNN e o NY Times, a Times e o Michael Bloomberg e usa-se, para falar a verdade ao povo o.... twitter!!!!
O populismo, como se disse aqui, não respeita lados, pois ele é essencialmente antiliberal e, paradoxalmente, antiprogressista.
The enemy of enemy is my friend - e nessa toada que já levou a colocar FDR, De Gaulle, Churchill e Stálin para um mesmo lado, ou pior, Stálin, FDR e Mao de um mesmo lado contra Chiang e todos contra o Japão, incrivelmente alinha Trump e... Putin!, ou Trump e Le Pen ou.... Trump e Duterte!!!
O bate-boca (sempre por Twitter - aliás, investigue-se se há investimentos pessoais de Trump ou relacionados em TWTR na Bolsa de NY...) com o representante do Irã, que daqui a algum tempo vai ser considerado o início da declaração de uma Guerra, marca também as inconsistências do Idiotistão inaugurado por Trump em relação ao jihadismo: está fora de sua lista uma das maiores ditaduras do planeta, baseada nas formas mais radicais de repressão a minorias e nas interpretações mais obtusas do islamismo e que abriga de forma livre membros de grupos no mínimo duvidosos, sem contar ser essa nação a terra Natal de gente como Osaba bin Laden - a monarquia absolutista e fundamentalista da Arábia Saudita (talvez a última monarquia absolutista ainda viva no mundo ao lado da Coréia do Norte, que finge ser uma república).
Ao manter-se em silêncio diante de Nigéria, Arábia Saudita, Egito, Omã e outras pérolas do jihadismo que ficaram de fora, o aspecto populista da decisão ficou óbvio. Trump protege o jihadismo que o beneficia e ataca o islamismo que não lhe fede nem cheira. E esse islamismo que não lhe faz cócegas traz algumas cerejas de jihadismo que de fato incomodam, mas não a ele e nem aos americanos: falamos da Síria, que tem no poder um grande amigão de Putin, o novo chapa de Trump, que é adversário de Erdogan, um enigma que foi poupado por Trump como se fosse um mar de democracia, que sofreu um golpe que alinhou Erdogan a Dilma (por iniciativa exclusiva dela...); ou o Sudão, que tem no poder um sem fim de sauditas ligados ao time das Arábias, protegés de Trump nesse caldo de sururu com Maomé e que geram infinitas dores de cabeça a Israel, um país que Trump detesta depender e adora falar mal privadamente.
Trump ainda comete a proeza de colocar dentre suas vítimas o México e o Iêmem, ajudando energúmenos de plantão a aproximá-los pela vitimização.
Seu discurso antiglobalização seguido de um ataque à Lei Dodd-Frank, permeados por falas improvisadas em uma língua que usa a sintaxe do dilmês e a morfologia do "ingrêis" mostra que o maior produto exportação brasileiro, a ignorância, obtém seu auge agora, nos trinados de Trombeta.
Jornalismo Instigativo Clássico Pós-Moderno...................................... LIVRE COMO UM TÁXI, OCUPADO COMO UM UBER @DiarioBolaPreta
domingo, 5 de fevereiro de 2017
São Paulo
por Dom Fernandes III
A melhor maneira de homenagear um ateu é canonizando-o.
Esta semana alguns lembram os 20 anos de sua ausência, enquanto outros, como esta Folha da Madrugada, preferem lembrar os outros anos de sua presença.
Homenageamos todos aqueles que inspiraram este milenar meio de noticiar a vida e ele, São Paulo ou Saint Francis, está no cume.
Adverti o leitor que não dissesse: pior do que Ribamar não pode haver. Há Lula. Os petelhos, Erundina, a república do paraíba, do pé rapado, e, como diz a Veja, Lula se assemelha ao eleitor médio...O que está aí é a escumalha, a alienação, a boçalidade no sentido físico da palavra. As elites brasileiras implodiram. E o país também vai implodir. Subvertemos a segunda lei da termodinâmica: entramos em entropia sem nos termos desenvolvido ao máximo. Saravá.
Paulo Francis, nascido Franz Paul Trannin da Matta Heilborn (1930†1997)
Batismo canino
Caderno de Assuntos Menores
por Eugênio Villas
Essa curiosa entidade de Chico I, enfrentando também a sua crise de receitas e a perda de colunas jovens para o Estado Islâmico, vem usando o Dia de Santo Antão para melhorar o cascalho.
Santo Antão, o "padroeiro da bicharada", teve lá seus dias de Luiza Mell e foi canonizado.
No seu dia, muitos membros do Apostolado de Chico Argentino saem batizando cães, gatos e periquitos.
por Eugênio Villas
Essa curiosa entidade de Chico I, enfrentando também a sua crise de receitas e a perda de colunas jovens para o Estado Islâmico, vem usando o Dia de Santo Antão para melhorar o cascalho.
Santo Antão, o "padroeiro da bicharada", teve lá seus dias de Luiza Mell e foi canonizado.
No seu dia, muitos membros do Apostolado de Chico Argentino saem batizando cães, gatos e periquitos.
Batize seu cão, no dia de Santo Antão!!!
É uma forma justa de defender uma graninha extra em tempos de sacolinha magra e dízimo dizimado.
Mas isso cria, convenhamos, uma idiossincrasia do Mundo Moderno, dessa Pós-Modernidade Líquida que até Baumann duvidaria: teologicamente os expertos de Chico criaram a figura do cão pagão.
O próximo passo será reescrever o Purgatório de Dante para criar alguma campanha de vacinação promovida por Pérsio, enquanto Virgílio se mantém ocupado com o nosso viajante de todos os Círculos.
Seria ridículo imaginar que Dante acabou ficando por lá porque foi mordido por cão raivoso pagão, não batizado no Dia de Santo Antão.
A próxima campanha da CNBB há ser "chega de cão pagão"...
Luto voluntário
por Dom Fernandes III
Desde o horrível acidente com o já saudoso Professor Zavascki, a Folha da Madrugada em conjunto com o Vera Cruz Times, fez período de luto voluntário.
Passada a euforia e a disforia do evento que envolveu uma pessoa atribulada com coisas importantes, este centro de jornalismo presta homenagens à pessoa, acima das coisas.
Desde o horrível acidente com o já saudoso Professor Zavascki, a Folha da Madrugada em conjunto com o Vera Cruz Times, fez período de luto voluntário.
Passada a euforia e a disforia do evento que envolveu uma pessoa atribulada com coisas importantes, este centro de jornalismo presta homenagens à pessoa, acima das coisas.
Há certos interesses individuais que, quando visualizados em seu conjunto, em forma coletiva e impessoal, têm a força de transcender a esfera de interesses puramente individuais e passar a representar, mais que a soma de interesses dos respectivos titulares, verdadeiros interesses da comunidade como um todo.
Teori Albino Zavascki (1948†2017)
sexta-feira, 20 de janeiro de 2017
PTrump
Caderno de Política
por Cícero Esdras Neemias
Donald J. Trump acaba de fazer o seu discurso de posse.
Resumindo os seus 15 minutos de fala, ele se enveredou por momentos de puro populismo, se colocou como o legítimo representante dos pobres dos EUA, fez afirmações altamente nacionalistas, foi radicalmente antiglobalização, atacou as nações estrangeiras como as verdadeiras culpadas pelas crises que os EUA enfrentaram nos últimos tempos, disse que os políticos representam uma classe dominante que explorou esses pobres para beneficiar essa pequena casta, falou que vai investir em infraestrutura (pontes, estradas, aeroportos, portos, ferrovias) e que vai devolver o emprego para os americanos. Falou também em proteger a indústria local, falou nas campeãs nacionais americanas, falou em subsídios para combater o capital estrangeiro, falou na defesa das fronteiras contra traficantes... Falou em acabar com as diferenças entre "black, brown and white" pois todos tem o mesmo "red american blood".
Não disse absolutamente nada diferente do que disse Dilma Rousseff em suas duas campanhas, nada diferente do que vem dizendo Lula em sua campanha para 2018 (e que recicla o que havia dito na campanha pós-Mensalão), nada diferente do que vem dizendo Ciro para o mesmo 2018.
São incrivelmente todos farinha do mesmo saco.
O populismo não olha para a esquerda, nem para a direita; olha para si mesmo dizendo que ao olhar para si mesmo, vê-se em si mesmo o próprio povo. E quem está no centro total do universo em discurso populista, tem o mundo a sua volta, em 360º: esquerda e direta estão por todos os lados.
por Cícero Esdras Neemias
Donald J. Trump acaba de fazer o seu discurso de posse.
Resumindo os seus 15 minutos de fala, ele se enveredou por momentos de puro populismo, se colocou como o legítimo representante dos pobres dos EUA, fez afirmações altamente nacionalistas, foi radicalmente antiglobalização, atacou as nações estrangeiras como as verdadeiras culpadas pelas crises que os EUA enfrentaram nos últimos tempos, disse que os políticos representam uma classe dominante que explorou esses pobres para beneficiar essa pequena casta, falou que vai investir em infraestrutura (pontes, estradas, aeroportos, portos, ferrovias) e que vai devolver o emprego para os americanos. Falou também em proteger a indústria local, falou nas campeãs nacionais americanas, falou em subsídios para combater o capital estrangeiro, falou na defesa das fronteiras contra traficantes... Falou em acabar com as diferenças entre "black, brown and white" pois todos tem o mesmo "red american blood".
Não disse absolutamente nada diferente do que disse Dilma Rousseff em suas duas campanhas, nada diferente do que vem dizendo Lula em sua campanha para 2018 (e que recicla o que havia dito na campanha pós-Mensalão), nada diferente do que vem dizendo Ciro para o mesmo 2018.
São incrivelmente todos farinha do mesmo saco.
O populismo não olha para a esquerda, nem para a direita; olha para si mesmo dizendo que ao olhar para si mesmo, vê-se em si mesmo o próprio povo. E quem está no centro total do universo em discurso populista, tem o mundo a sua volta, em 360º: esquerda e direta estão por todos os lados.
terça-feira, 17 de janeiro de 2017
Olha lá... olha lá...
Caderno de Assuntos Menores
por Eugênio Villas
Eu "tô" falando...
Na tarde de hoje reclamaram do Dória por causa dos sacos de lixo biodegradável que ele mandou comprar...
Além disso, andam espalhando um "meme" em que o Dória fala com um morador de rua que está limpo (chegam a fazer um jogo dos 7 erros indicando que o mendigo que recebeu a atenção do Dória está com chinelos novos, cobertor novo, cabelos limpos, braços, antebraços e cotovelos limpos, unhas bem aparadas e sem sujeira, barba feita, rosto limpo, roupa limpa e tudo mais limpo e que por isso o mendigo seria uma "farsa", logo desmentida hoje: tratava-se, sim, de um mendigo limpo, apenas).
Paulistaninho, paulistaninha: qual o seu problema com a higiene?
Repito - por que não vão todos tomar banho???
por Eugênio Villas
Eu "tô" falando...
Na tarde de hoje reclamaram do Dória por causa dos sacos de lixo biodegradável que ele mandou comprar...
Além disso, andam espalhando um "meme" em que o Dória fala com um morador de rua que está limpo (chegam a fazer um jogo dos 7 erros indicando que o mendigo que recebeu a atenção do Dória está com chinelos novos, cobertor novo, cabelos limpos, braços, antebraços e cotovelos limpos, unhas bem aparadas e sem sujeira, barba feita, rosto limpo, roupa limpa e tudo mais limpo e que por isso o mendigo seria uma "farsa", logo desmentida hoje: tratava-se, sim, de um mendigo limpo, apenas).
Paulistaninho, paulistaninha: qual o seu problema com a higiene?
Repito - por que não vão todos tomar banho???
Asseio
Caderno de Assuntos Menores
por Eugênio Villas
Lá em São Paulo, o tal Dória, prefeito eleito recentemente, foi zombado porque apareceu vestido de gari varrendo ruas.
Já na campanha, era criticado por seu aspecto "limpinho": aquele jeitinho de quem acabou de tomar banho de banheira de espuma com sais da Malásia (nem sei se tem sais por lá...), enxugou-se em toalha felpuda, passou perfume e alinhou o cabelo com bastante gel após encher o sapato e as meias de talco Granado.
Por estes dias, resolveu abrir guerra contra a imundície gerada pelas pichações que transformam a cidade num quarto de criança de 4 anos de idade bem mal-educada pelos pais, porque autorizada a rabiscar as paredes do próprio quarto. O resultado: picharam mais, emporcalharam em dobro e ousaram chamar sujeira na casa alheia de arte (porque, ao que eu saiba, ninguém picha ou pixa o próprio muro ou a própria casa, dentro ou fora - só é arte se a esculhambação artística é no muro alheio...).
Chegou a dar declarações, recebidas com o nariz torcido pela população paulistana, sobre a necessidade de asseio da cidade.
Pergunto - qual o problema que os paulistanos teriam em manter-se asseados, limpos e com um aspecto de, no mínimo, ter empenhado cuidados básicos com a higiene (não precisa de gel, mas pentear os cabelos é importante para evitar doenças)? Por que essa paixão em parecer sujo, mal cheiroso, vandalizado, esculachado, desgrenhado e descuidado? Por que tanta economia de tempo no asseio regal após no número 2? O que há com você, povinho de São Paulo?
A essa gente de Piratininga, recomendo: vá tomar banho!
por Eugênio Villas
Lá em São Paulo, o tal Dória, prefeito eleito recentemente, foi zombado porque apareceu vestido de gari varrendo ruas.
Já na campanha, era criticado por seu aspecto "limpinho": aquele jeitinho de quem acabou de tomar banho de banheira de espuma com sais da Malásia (nem sei se tem sais por lá...), enxugou-se em toalha felpuda, passou perfume e alinhou o cabelo com bastante gel após encher o sapato e as meias de talco Granado.
Por estes dias, resolveu abrir guerra contra a imundície gerada pelas pichações que transformam a cidade num quarto de criança de 4 anos de idade bem mal-educada pelos pais, porque autorizada a rabiscar as paredes do próprio quarto. O resultado: picharam mais, emporcalharam em dobro e ousaram chamar sujeira na casa alheia de arte (porque, ao que eu saiba, ninguém picha ou pixa o próprio muro ou a própria casa, dentro ou fora - só é arte se a esculhambação artística é no muro alheio...).
Chegou a dar declarações, recebidas com o nariz torcido pela população paulistana, sobre a necessidade de asseio da cidade.
Pergunto - qual o problema que os paulistanos teriam em manter-se asseados, limpos e com um aspecto de, no mínimo, ter empenhado cuidados básicos com a higiene (não precisa de gel, mas pentear os cabelos é importante para evitar doenças)? Por que essa paixão em parecer sujo, mal cheiroso, vandalizado, esculachado, desgrenhado e descuidado? Por que tanta economia de tempo no asseio regal após no número 2? O que há com você, povinho de São Paulo?
A essa gente de Piratininga, recomendo: vá tomar banho!
domingo, 15 de janeiro de 2017
Uma máquina de necedades
Caderno de Domingo
por Dionísio Crátino
O Brasil é definitivamente uma terra de vacilões.
Vacilão, na linguagem popular, é aquele sujeito pretensioso que, ao imaginar-se em estado de louvor que espraia contaminação contemplativa-admirativa entre seus ouvintes e espectadores, nada mais faz do que cometer tolices.
Acha-se.
Esse traço da característica brasileira foi em grande parte formado, forjado, transformado e consolidado em nossa MPB, em especial no samba.
Sim: o samba é o grande responsável em tornar-nos um povo de "malandros-agulha" (aquele que se presta quando entra na linha ou leva o fio no buraco).
O samba foi festejado ano passado - fez 100 anos; aplaudiram Donga, pelo telefone.
Mas convenhamos: desde então, temos nos tornado um dos povos mais hábeis do mundo em imprudências. Há ainda quem diga que sofremos de "síndrome de vira-lata", mas, fato, essa síndrome apenas confirma o nosso vaticínio de sair por ai inventando estultices como aquela famosa "Deus é Brasileiro".
E me parece, tudo isso, se não começou no samba, com ele se formou (no sentido que os marxistas adoram), se consolidou e se fez como traço de nossa persona pública.
Não - não vou aqui dizer que o trio Chico-Caetano-Gil é formado na verdade por 3 chatos de crocs*, nem vou aqui abrir o Opróbio da Música Brasileira, que começa com a lambada da década de 1990, passa pelo Axé, analisa o sertanejo (universitário e analfabeto), o funk carioca, os irmãos Camello e tudo mais que se faz com 3 notas ou menos e 3 vogais no refrão (ou menos, oscilando entre "ô-ô-ô-ô-ô-ô", "i-ê, i-ê, i-ê, i-ê, i-ê, i-ê, i-ê, i-ê, i-ê, i-ê"), desaguando nos MCs de Youtube e em tudo mais que visita o Domingão do Faustão. Não vamos perder tempo isso. Já sabemos. Até quem ouve sabe. Os próprios artistas o sabem.
* chato de crocs - versão pós-moderna do antigo "chato de galocha"
Eu quero falar do samba. Da origem de tudo isso que nos atormenta hoje: e não adianta querer separar o "joio do trigo" porque neste país celíaco, o samba é a fonte da juventude tanto dos intelectuais de plantão e dos chatos de crocs, quanto dos populares e da turma das vogais e do pancadão. Todos louvam o samba. O samba é o "amigo gente boa" de todos, é a unanimidade brasileira de que não pode falar mal.
Aquele mesmo estilo musical que pelo telefone já começou a cunhar essa mania de ser do brasileiro: somos abençoados, somos bons em tudo, o resto dane-se e quem não concorda é porque tem inveja do brasileiro.
O samba construiu essa imagem de "auto-estima" pré-adolescente no brasileiro em que só o brasileiro pode falar mal do brasileiro (desde que goste de samba) e se um "gringo" vem falar mal do Brasil.... ahhh, desanca-se o gringo até o último de seus rastros, seja ele uma espécie de parente de nossa miséria musical (como no caso da tal da Azealia Banks), seja ele o Homer Simpson, seja ele o grande Sly (para os íntimos, Silvester Stallone), seja ele o Maradona, seja ele o Che Guevara, fazendo piada sobre os "milagres brasileiros" (este, na verdade, recebeu a complacência dos jornalistas de esquerda por isso e a reprovação dos demais, mas não por isso).
E essa "autoimagem" arrogante de si mesmo, pelo telefone, começou assim:
Ai, ai, ai,
Aí está o canto ideal,
triunfal,
Ai, ai, ai,
Viva o nosso Carnaval sem rival
Ary Barroso fez a parte dele:
Novamente: 3 notas, 3 vogais e... somos demais!!!
Benjor deixa a fórmula mais complexa:
Temos mais de 3 notas (4, se minha conta não estiver muito equivocada), vogais entremeadas por consoantes e uma raison-d'etre para o "somos foda pra caralho" (#prontofalei): o país é abençoado por Deus (como se os outros não o fossem), "bonito por natureza" (sem precisar fazer esforço nem deixar ao menos essa natureza livre de lixo e fezes), tem fusca, tem violão (de péssima qualidade, que explica em parte porque os músicos são tão ruins), tem Flamengo e, mesmo sendo um imbecil (desculpe, "mentalidade mediana") sou feliz e (digo) que não devo nada a ninguém (por favor, me comprove com o seu extrato de banco, SERASA, declaração de IR e cadastro positivo que essa parte realmente está tudo bem).
A swingueira Fernanda Abreu também oferece a sua quota de contribuição na sedimentação dessa imagem do "somos foda pra caralho":
Apesar de sermos todos comunistas e defensores do operariado, do trabalhador, do trabalho, ninguém faz propaganda sambolística dizendo que "O brasileiro é do trabalho". Porque, na verdade, com tanta riqueza, oras, o brasileiro nem precisa trabalhar. Na realidade, nem deve trabalhar para poder aproveitar tanta coisa maravilhosa e tanta natureza divina. Seria, literalmente um pecado (de ingratidão) com Deus, que abençoou a terra e enfiou tudo o que é bonito por aqui, não separar ao menos umas 6 horas por dia para contemplar isso tudo, dançar, beber, louvar... enfim: ser brasileiro é um ato religioso diário de gratidão pelas belezas e riquezas.
Imaginem se alguém disser: não, as praias não são tão bonitas assim. Aliás, o litoral é bem regular, mediano, digamos, assim como a mentalidade do menino de Ben Jor. De fato, os EUA têm praias infinitamente mais belas do que as nossas. Austrália e Nova Zelândia nem se fale; Indonésia, Caribe, Colômbia, Venezuela, África do Sul.... Até o Japão tem praias mais bonitas que o Brasil enfim. Pegue qualquer ranking de praias bonitas e ache ao menos 3 brasileiras entre as 10 mais belas. A foto abaixo é de uma praia em Okinawa, que fica no Japão. Chama-se FuruZamami, que fica na Ilha de Zamami, que forma o arquipélago sul de Okinawa:
Continuem imaginando alguém dizendo: nossa natureza é vulgar e pobre, não tem nada de excepcional e há países com natureza bem mais rica que a brasileira (seja sob o aspecto da apreciação financeira dos recursos disponíveis, seja sobre o ponto de vista da diversidade), incluindo aqui neste quesito os EUA, a China, a Rússia, o Chile, o Haiti, o Congo, a Síria, o Líbano, Omã e por ai vai... Nossa riqueza é achar que somos ricos por natureza, isso sim.
E em relação a essa coisa da felicidade e da tristeza do brasileiro, ah... ai sim, temos um consenso: o brasileiro é o povo que mais ri e mais chora no mundo. Chora quando ganha, chora quando perde, chora quando vê alguém chorando, chora quando vê alguém rindo, ri quando ganha, quando perde, quando vê alguém chorando, quando vê alguém rindo; ri por nada, chora de tudo; chora por nada, ri de qualquer coisa. Resumindo, agimos como idiotas, como palhaços, com a facilidade que nem o Deputado Tiririca, profissional nessa arte do rir e chorar, é capaz de sintetizar.
Não temos nada demais. Somos um país comum, ordinário, "mediano", de "mentalidades medianas". Não somos ruins, mas também não somos bons. Somos um país "meia-boca" (em todos os sentidos), povoado de gente arrogante e mal organizada, que aprendeu com o samba a ser preguiça e vulgar. Isso o samba esconde, ou pinta com outras cores, com as cores da maquiagem do arlequim de ano todo.
Por isso o samba mente para nós. Nos dá um espelho falso, uma espécie de balança adulterada que esconde o quanto estamos abaixo do peso de quanto valemos de verdade.
O samba só foi bom e valeu alguma coisa quando não foi feito no Brasil (fisicamente, espiritualmente ou ambos): "diretamente daqui dos estúdios em Milão", como dizia Vinícius para Toquinho (logo depois das tardes em uma banheira no Uruguai), ou quando Tom esteve em Nova Iorque fazendo das suas e dizendo que Nova Iorque "era bom pra caralho, mas era uma merda" e "o Rio era uma merda, mas bom pra caralho", quando João Gilberto espantou o Carnegie Hall, quando Baden Powell cantou para a Rainha ou colocou queixos abaixo no Teatro Odeon em Paris, ou ainda quando a "Pequena Notável" (que nem brasileira era) colocou bananas entre as virtudes do samba entre Hollywood, Las Vegas e Broadway. Enfim, o samba só prestou quando foi jazz. No momento em que abandonou o jazz e voltou a ser samba, coincidentemente voltou ao seu estado de natureza de "mentalidade mediana" de que certificou Ben Jor e que se encontra hoje, como diria Daniella Mercury, "ladeira abaixo" (sei que ela mandou subir, mas, quem sobe essa ladeira um dia acaba descendo, como estamos hoje desde que o samba abandonou o jazz que lhe deu alguma dignidade e sentido).
Esse jeito de olhar o Brasil, que fez 100 anos recentemente, tem atrapalhado bastante o próprio Brasil. Atrapalhou até a permanência do próprio jazz no samba, que não resistiu à sua característica vadia e "mediana".
Mandar o samba pra puta que o pariu naquele terreiro de macumba de onde ele veio não é algo tão fácil. Mas bastaria que o Brasil passasse a ouvir o samba da mesma forma que o samba houve o Brasil.
por Dionísio Crátino
O Brasil é definitivamente uma terra de vacilões.
Vacilão, na linguagem popular, é aquele sujeito pretensioso que, ao imaginar-se em estado de louvor que espraia contaminação contemplativa-admirativa entre seus ouvintes e espectadores, nada mais faz do que cometer tolices.
Acha-se.
Esse traço da característica brasileira foi em grande parte formado, forjado, transformado e consolidado em nossa MPB, em especial no samba.
Sim: o samba é o grande responsável em tornar-nos um povo de "malandros-agulha" (aquele que se presta quando entra na linha ou leva o fio no buraco).
O samba foi festejado ano passado - fez 100 anos; aplaudiram Donga, pelo telefone.
Mas convenhamos: desde então, temos nos tornado um dos povos mais hábeis do mundo em imprudências. Há ainda quem diga que sofremos de "síndrome de vira-lata", mas, fato, essa síndrome apenas confirma o nosso vaticínio de sair por ai inventando estultices como aquela famosa "Deus é Brasileiro".
E me parece, tudo isso, se não começou no samba, com ele se formou (no sentido que os marxistas adoram), se consolidou e se fez como traço de nossa persona pública.
Não - não vou aqui dizer que o trio Chico-Caetano-Gil é formado na verdade por 3 chatos de crocs*, nem vou aqui abrir o Opróbio da Música Brasileira, que começa com a lambada da década de 1990, passa pelo Axé, analisa o sertanejo (universitário e analfabeto), o funk carioca, os irmãos Camello e tudo mais que se faz com 3 notas ou menos e 3 vogais no refrão (ou menos, oscilando entre "ô-ô-ô-ô-ô-ô", "i-ê, i-ê, i-ê, i-ê, i-ê, i-ê, i-ê, i-ê, i-ê, i-ê"), desaguando nos MCs de Youtube e em tudo mais que visita o Domingão do Faustão. Não vamos perder tempo isso. Já sabemos. Até quem ouve sabe. Os próprios artistas o sabem.
* chato de crocs - versão pós-moderna do antigo "chato de galocha"
Eu quero falar do samba. Da origem de tudo isso que nos atormenta hoje: e não adianta querer separar o "joio do trigo" porque neste país celíaco, o samba é a fonte da juventude tanto dos intelectuais de plantão e dos chatos de crocs, quanto dos populares e da turma das vogais e do pancadão. Todos louvam o samba. O samba é o "amigo gente boa" de todos, é a unanimidade brasileira de que não pode falar mal.
Aquele mesmo estilo musical que pelo telefone já começou a cunhar essa mania de ser do brasileiro: somos abençoados, somos bons em tudo, o resto dane-se e quem não concorda é porque tem inveja do brasileiro.
O samba construiu essa imagem de "auto-estima" pré-adolescente no brasileiro em que só o brasileiro pode falar mal do brasileiro (desde que goste de samba) e se um "gringo" vem falar mal do Brasil.... ahhh, desanca-se o gringo até o último de seus rastros, seja ele uma espécie de parente de nossa miséria musical (como no caso da tal da Azealia Banks), seja ele o Homer Simpson, seja ele o grande Sly (para os íntimos, Silvester Stallone), seja ele o Maradona, seja ele o Che Guevara, fazendo piada sobre os "milagres brasileiros" (este, na verdade, recebeu a complacência dos jornalistas de esquerda por isso e a reprovação dos demais, mas não por isso).
E essa "autoimagem" arrogante de si mesmo, pelo telefone, começou assim:
Ai, ai, ai,
Aí está o canto ideal,
triunfal,
Ai, ai, ai,
Viva o nosso Carnaval sem rival
Aquela roda de macumba que deu origem ao samba já lançava a fórmula infalível: 3 notas, 2 vogais e uma simples frase para representar um sentimento de "somos f... pra caral...".
Ary Barroso fez a parte dele:
Isto aqui ô ô,
É um pouquinho de Brasil, iá iá
Deste Brasil que canta e é feliz,
Feliz, feliz
É um pouquinho de Brasil, iá iá
Deste Brasil que canta e é feliz,
Feliz, feliz
É também um pouco de uma raça,
Que não tem medo de fumaça ai, ai,
E não se entrega não
Novamente: 3 notas, 3 vogais e... somos demais!!!
Benjor deixa a fórmula mais complexa:
Moro num país tropical
Abençoado por Deus
E bonito por natureza
(Mas que beleza)
Em fevereiro
(Em fevereiro), tem carnaval
(Tem carnaval,)
Tenho um fusca e um violão
Sou Flamengo e tenho uma nega chamada teresa
Sambaby, sambaby,
Sou um menino de mentalidade mediana(pois é)
Mas assim mesmo, feliz da vida
Pois eu não devo nada a ninguem
Temos mais de 3 notas (4, se minha conta não estiver muito equivocada), vogais entremeadas por consoantes e uma raison-d'etre para o "somos foda pra caralho" (#prontofalei): o país é abençoado por Deus (como se os outros não o fossem), "bonito por natureza" (sem precisar fazer esforço nem deixar ao menos essa natureza livre de lixo e fezes), tem fusca, tem violão (de péssima qualidade, que explica em parte porque os músicos são tão ruins), tem Flamengo e, mesmo sendo um imbecil (desculpe, "mentalidade mediana") sou feliz e (digo) que não devo nada a ninguém (por favor, me comprove com o seu extrato de banco, SERASA, declaração de IR e cadastro positivo que essa parte realmente está tudo bem).
A swingueira Fernanda Abreu também oferece a sua quota de contribuição na sedimentação dessa imagem do "somos foda pra caralho":
Vamo lá rapaziada
Todo mundo dançando
Vamo lá rapaziada
Todo mundo pulando
Vamo lá rapaziada
Todo mundo dançando
Dançando sem parar
O brasileiro é do
suingue
O brasileiro é do
baile
O brasileiro é de
festa
O brasileiro tem
carnaval no sangue
Tem carnaval no sangue
Eu digo
Deixa solta essa
bundinha
Deixa solto esse
quadril e grita
Brasil, Brasil
Brasil é o país do
suingue
Apesar de sermos todos comunistas e defensores do operariado, do trabalhador, do trabalho, ninguém faz propaganda sambolística dizendo que "O brasileiro é do trabalho". Porque, na verdade, com tanta riqueza, oras, o brasileiro nem precisa trabalhar. Na realidade, nem deve trabalhar para poder aproveitar tanta coisa maravilhosa e tanta natureza divina. Seria, literalmente um pecado (de ingratidão) com Deus, que abençoou a terra e enfiou tudo o que é bonito por aqui, não separar ao menos umas 6 horas por dia para contemplar isso tudo, dançar, beber, louvar... enfim: ser brasileiro é um ato religioso diário de gratidão pelas belezas e riquezas.
Imaginem se alguém disser: não, as praias não são tão bonitas assim. Aliás, o litoral é bem regular, mediano, digamos, assim como a mentalidade do menino de Ben Jor. De fato, os EUA têm praias infinitamente mais belas do que as nossas. Austrália e Nova Zelândia nem se fale; Indonésia, Caribe, Colômbia, Venezuela, África do Sul.... Até o Japão tem praias mais bonitas que o Brasil enfim. Pegue qualquer ranking de praias bonitas e ache ao menos 3 brasileiras entre as 10 mais belas. A foto abaixo é de uma praia em Okinawa, que fica no Japão. Chama-se FuruZamami, que fica na Ilha de Zamami, que forma o arquipélago sul de Okinawa:
Continuem imaginando alguém dizendo: nossa natureza é vulgar e pobre, não tem nada de excepcional e há países com natureza bem mais rica que a brasileira (seja sob o aspecto da apreciação financeira dos recursos disponíveis, seja sobre o ponto de vista da diversidade), incluindo aqui neste quesito os EUA, a China, a Rússia, o Chile, o Haiti, o Congo, a Síria, o Líbano, Omã e por ai vai... Nossa riqueza é achar que somos ricos por natureza, isso sim.
E em relação a essa coisa da felicidade e da tristeza do brasileiro, ah... ai sim, temos um consenso: o brasileiro é o povo que mais ri e mais chora no mundo. Chora quando ganha, chora quando perde, chora quando vê alguém chorando, chora quando vê alguém rindo, ri quando ganha, quando perde, quando vê alguém chorando, quando vê alguém rindo; ri por nada, chora de tudo; chora por nada, ri de qualquer coisa. Resumindo, agimos como idiotas, como palhaços, com a facilidade que nem o Deputado Tiririca, profissional nessa arte do rir e chorar, é capaz de sintetizar.
Não temos nada demais. Somos um país comum, ordinário, "mediano", de "mentalidades medianas". Não somos ruins, mas também não somos bons. Somos um país "meia-boca" (em todos os sentidos), povoado de gente arrogante e mal organizada, que aprendeu com o samba a ser preguiça e vulgar. Isso o samba esconde, ou pinta com outras cores, com as cores da maquiagem do arlequim de ano todo.
Por isso o samba mente para nós. Nos dá um espelho falso, uma espécie de balança adulterada que esconde o quanto estamos abaixo do peso de quanto valemos de verdade.
O samba só foi bom e valeu alguma coisa quando não foi feito no Brasil (fisicamente, espiritualmente ou ambos): "diretamente daqui dos estúdios em Milão", como dizia Vinícius para Toquinho (logo depois das tardes em uma banheira no Uruguai), ou quando Tom esteve em Nova Iorque fazendo das suas e dizendo que Nova Iorque "era bom pra caralho, mas era uma merda" e "o Rio era uma merda, mas bom pra caralho", quando João Gilberto espantou o Carnegie Hall, quando Baden Powell cantou para a Rainha ou colocou queixos abaixo no Teatro Odeon em Paris, ou ainda quando a "Pequena Notável" (que nem brasileira era) colocou bananas entre as virtudes do samba entre Hollywood, Las Vegas e Broadway. Enfim, o samba só prestou quando foi jazz. No momento em que abandonou o jazz e voltou a ser samba, coincidentemente voltou ao seu estado de natureza de "mentalidade mediana" de que certificou Ben Jor e que se encontra hoje, como diria Daniella Mercury, "ladeira abaixo" (sei que ela mandou subir, mas, quem sobe essa ladeira um dia acaba descendo, como estamos hoje desde que o samba abandonou o jazz que lhe deu alguma dignidade e sentido).
Esse jeito de olhar o Brasil, que fez 100 anos recentemente, tem atrapalhado bastante o próprio Brasil. Atrapalhou até a permanência do próprio jazz no samba, que não resistiu à sua característica vadia e "mediana".
Mandar o samba pra puta que o pariu naquele terreiro de macumba de onde ele veio não é algo tão fácil. Mas bastaria que o Brasil passasse a ouvir o samba da mesma forma que o samba houve o Brasil.
sexta-feira, 13 de janeiro de 2017
O assunto da moda
Caderno de Economia
por Magnus Blackman
Fui eleito, na fila de jornalistas que estiveram no offsite, a escrever umas das primeiras resenhas do ano.
Procurei por assuntos da moda em economia e... nada!
A inflação voltou para o centro da meta (próximo de 6%) e o presidente Lulja disse que fará toda a força para ir para o centro da meta (próximo de 4%), mas a sua ideia constitucional brilhante lhe permitirá gastar por conta e inchar o Estado mais 6% (qual seja, 2% acima do que foi economizado)...
Enfim, nada no front da economia.
O assunto da moda é presídios, o que, cá entre nós, não é novidade nenhuma neste Diário. Falar sobre o impacto das reformas daqui de fora para os presidiários, para nós do Bola Preta, é assunto mais do que trivial.
Mas de repente um confronto de facções fez quase um Carandiru entre Manaus e Roraima. A esse evento podemos sim chamá-lo de Roraimada!!!
Foi uma Roraimada, como diria a maior filósofa da história das Galáxias.
96 é o número total, so far (praticamente um megadeth para os direitistas humanistas, but, so far, so good... so what?).
Isso, lá dentro do sistema.
Aqui fora o número é outro.
E como economista que gosta de estatísticas, o assunto da moda até que não me caiu mal. Temos todos os números daqui de fora para depois voltar a analisar o que está acontecendo lá dentro.
Sabe-se que no front econômico o período entre 2008-2015 fez catástrofes na economia brasileira, repetindo fórmulas peronistas de desgraça (ou castristas, alledistas, sandinistas ou o caralhista que o valha). A máquina pública virou um grande Garfield: um gato gordo, preguiçoso, mal educado, antiético, antigiênico, sujo, desonesto, guloso, irônico e, por que não?, muito engraçado (convenhamos, Rousseff discursando é de chorar de rir!).
A inflação explodiu nos dois dígitos, o desemprego se perdeu em taxas acima de 12%, juros subiram, o PIB derreteu e conseguimos, com números, transformar uma recessão em verdadeira depressão, com uma quase dominância fiscal e uma estagflação quase acadêmica (modelar, digamos).
Mas outros números do lado de fora também espantam.
Vejam esta tabelinha:
Este é o mapa dos homicídios ocorridos no Brasil mais ou menos no mesmo período em que a inflação, o desemprego e a máquina pública explodiram. Explode também nesse período os números referentes aos dados de corrupção (digamos, o valor rapinado em termos absolutos...): desaba a nossa média no relatório Transparência e, consequentemente, o nosso IDH (vai lá e olha, leitor - não vou ficar aqui recortando e colando tantos números em coincidência gráfica).
Pode ser apenas um dado de freaknomics, uma coincidência, um devaneio, uma correlação sem respeito a regras básicas de econometria, enfim, name it - mas os dados estão ai.
Relacione-os ou não, como quiser.
Do meu lado, quero apenas analisar esses números sem relacioná-los a outros (por enquanto).
Em outubro de 2016 o IPEA soltou um relatório curioso. Na análise do IPEA, refrasearam os números em observações óbvias: "Ao observar a variação das taxas de homicídio no Brasil nos últimos 11 anos, percebemos dois períodos distintos. Enquanto o primeiro deles, que segue até 2007, é representado por uma pequena diminuição da taxa de homicídio no Brasil, o segundo, que vai de 2008 a 2014, é caracterizado pelo crescimento dessa taxa".
O número total de homicídios no Brasil entre 2004 e 2014 é de 576.772 (homens, mulheres, crianças, pobres, ricos, negros, brancos, pardos, fardados, não fardados...).
Estima-se (são números preliminares) que em 2015 esse número bateu na casa dos 58.000 e que para 2016 esse número bata na casa dos 60.000.
Geramos, com essas estatísticas, numerologias curiosas: no Brasil, temos aproximadamente 7 assassinatos por hora, ou um homicídio a cada 7 minutos. Isso equivale dizer que no começo de sua leitura deste texto, alguém foi assassinado e ao final, outro o será. Para meu conforto como articulista prolixo, pelo menos ninguém morrerá assassinado no meio da leitura (exceto pelo tédio, que as estatísticas não capturam).
Projetando esses números para o globo e para a relatividade de nossa população, temos no Brasil uma taxa de mais de 29 mortes para cada 100 mil habitantes. São números que superam zonas de guerra, ISIS, Al Qaeda e aberrações que tais. Se abrangermos o mesmo período em que Síria se encontra em guerra (desde 2011), vamos ver que os jurisdicionados do ditador Al-Assad matarem-se entre si algo em torno de 256 mil pessoas e os jurisdicionados de Rousseff/Lulja+CV+FDN+PCC+Milícias fizeram lá as suas 279 mil vítimas.
Com isso, atingimos uma meta e dobramos, como nunca antes na história "destepaiz": somos campeões mundiais em "acidentes" (como diria Lulja) superando zonas de guerra (imaginem o dia em que entrarmos em guerra!!!).
Se somarmos ao total apurado até 2014 as perspectivas esperadas para os números de 2015 e 2016, iremos facilmente constatar que chegamos perto de 700.000 "acidentes". Se incluirmos o ano inicial do governo Lula, facilmente bateremos 750.000. Ao fim de 16 anos de período PT/PL[PR]/PMDB poderemos, se os números mantiverem essa tendência, bater algo em torno de 850 a 900 mil "acidentes".
Os 21 anos de regime militar autoritário (1964-1985) fizeram, segundo o relatório Brasil Nunca Mais complementado pela "Comissão da Verdade", um número de 434 pessoas. A ditadura chilena fez seus 40 mil mortos; a argentina (cuja nação nunca foi boa com números), 10 mil; a cubana, 136 mil.
A Guerra da Secessão fez 620 mil mortos, uma das mais sangrentas guerras civis da história.
E por ai vai... E por aqui fica...
Por outro lado, até o fim desse período (2014) em que analisamos os homicídios do lado de fora, o Brasil contava com uma população carcerária de... 563.526 pessoas presas (nesse número não entram as prisões domiciliares ou os presos em regime aberto, mas apenas aqueles que representam ao menos um ou dois marmitex por dia saídos dos impostos que pagamos).
Para cada pessoa morta do lado de fora (e uma ou outra no lado de dentro) no período entre 2004-2014, temos uma pessoa presa. De 2013 para 2014 tivemos quase 60 mil homicídios para 40 mil novos detentos (não entram nessa estatística os que eventualmente saíram do sistema, o que pode aumentar essa taxa de "detentos novos" especificamente para o ano de 2014).
Vejam no gráfico abaixo a evolução da população carcerária no Brasil:
Curiosamente, a "turma dos direitos humanos" que esteve no poder durante o governo PT, deu conta de fazer um aumento na casa dos 270% da população carcerária.
Homicídios, desemprego, população carcerária, inflação, recessão/depressão, máquina estatal, corrupção: são coisas que só a trinca Lula/Rousseff/Lulja fez pelo Brasil in a row.
Nesse período os negócios carcerários se estabilizaram, assim como os negócios entre partidos e empreiteiras.
Voltando ao cárcere agora, os dados mostram que 65% dessa população responde por tráfico/roubo/homicídio (demais crimes envolvem receptação, latrocínio, estupro e outros "afagos" ou "acidentes", como diria Lulja).
E para resolver esse problema todo o governo Lulja resolveu doar, por meio de 40 bibliotecas públicas, algo em torno de 20 mil volumes em livros para cadeias do Brasil afora (o que levou uma mãe de aluno a se indignar com essa doação de livros para os anjos do PCC, deixando de fora dessa benesse os travessos meninos e meninas que estudam na rede pública que só podem contar com o "kit gay" que dá propaganda para Bolsonaro e seus correligionários). Dizem até que a nova guerra entre PCC e CV/FDN poderá ter início por causa da distribuição desses livros - mandaram Marx para o PCC e os contos de Grimm para o CV e isso pode eclodir novos massacres entre essas "fracções" (facções com fricções).
Bem, apresentei os números, como bom economista e amante de estatística e não os analisei nem de dentro pra fora do cárcere, nem de fora pra dentro, do cárcere, do Brasil, da América, de onde quer que seja.
Apenas coloquei algo que torna qualquer discussão sobre 60 mortos, 33 mortos, 93 mortos, 96 mortos, 111 mortos, neste, naquele ou em qualquer presídio, um baita exercício de demagogia, de lado a lado.
Se o chefe mandar, eu retomo o assunto e analiso os números.
Do contrário, faça bom proveito, leitor, para discursos de aniversário a debates em mesa redonda sobre futebol - só não vá usar isso para os bate-papos de velório, por favor.
por Magnus Blackman
Fui eleito, na fila de jornalistas que estiveram no offsite, a escrever umas das primeiras resenhas do ano.
Procurei por assuntos da moda em economia e... nada!
A inflação voltou para o centro da meta (próximo de 6%) e o presidente Lulja disse que fará toda a força para ir para o centro da meta (próximo de 4%), mas a sua ideia constitucional brilhante lhe permitirá gastar por conta e inchar o Estado mais 6% (qual seja, 2% acima do que foi economizado)...
Enfim, nada no front da economia.
O assunto da moda é presídios, o que, cá entre nós, não é novidade nenhuma neste Diário. Falar sobre o impacto das reformas daqui de fora para os presidiários, para nós do Bola Preta, é assunto mais do que trivial.
Mas de repente um confronto de facções fez quase um Carandiru entre Manaus e Roraima. A esse evento podemos sim chamá-lo de Roraimada!!!
Foi uma Roraimada, como diria a maior filósofa da história das Galáxias.
96 é o número total, so far (praticamente um megadeth para os direitistas humanistas, but, so far, so good... so what?).
Isso, lá dentro do sistema.
Aqui fora o número é outro.
E como economista que gosta de estatísticas, o assunto da moda até que não me caiu mal. Temos todos os números daqui de fora para depois voltar a analisar o que está acontecendo lá dentro.
Sabe-se que no front econômico o período entre 2008-2015 fez catástrofes na economia brasileira, repetindo fórmulas peronistas de desgraça (ou castristas, alledistas, sandinistas ou o caralhista que o valha). A máquina pública virou um grande Garfield: um gato gordo, preguiçoso, mal educado, antiético, antigiênico, sujo, desonesto, guloso, irônico e, por que não?, muito engraçado (convenhamos, Rousseff discursando é de chorar de rir!).
A inflação explodiu nos dois dígitos, o desemprego se perdeu em taxas acima de 12%, juros subiram, o PIB derreteu e conseguimos, com números, transformar uma recessão em verdadeira depressão, com uma quase dominância fiscal e uma estagflação quase acadêmica (modelar, digamos).
Mas outros números do lado de fora também espantam.
Vejam esta tabelinha:
Este é o mapa dos homicídios ocorridos no Brasil mais ou menos no mesmo período em que a inflação, o desemprego e a máquina pública explodiram. Explode também nesse período os números referentes aos dados de corrupção (digamos, o valor rapinado em termos absolutos...): desaba a nossa média no relatório Transparência e, consequentemente, o nosso IDH (vai lá e olha, leitor - não vou ficar aqui recortando e colando tantos números em coincidência gráfica).
Pode ser apenas um dado de freaknomics, uma coincidência, um devaneio, uma correlação sem respeito a regras básicas de econometria, enfim, name it - mas os dados estão ai.
Relacione-os ou não, como quiser.
Do meu lado, quero apenas analisar esses números sem relacioná-los a outros (por enquanto).
Em outubro de 2016 o IPEA soltou um relatório curioso. Na análise do IPEA, refrasearam os números em observações óbvias: "Ao observar a variação das taxas de homicídio no Brasil nos últimos 11 anos, percebemos dois períodos distintos. Enquanto o primeiro deles, que segue até 2007, é representado por uma pequena diminuição da taxa de homicídio no Brasil, o segundo, que vai de 2008 a 2014, é caracterizado pelo crescimento dessa taxa".
O número total de homicídios no Brasil entre 2004 e 2014 é de 576.772 (homens, mulheres, crianças, pobres, ricos, negros, brancos, pardos, fardados, não fardados...).
Estima-se (são números preliminares) que em 2015 esse número bateu na casa dos 58.000 e que para 2016 esse número bata na casa dos 60.000.
Geramos, com essas estatísticas, numerologias curiosas: no Brasil, temos aproximadamente 7 assassinatos por hora, ou um homicídio a cada 7 minutos. Isso equivale dizer que no começo de sua leitura deste texto, alguém foi assassinado e ao final, outro o será. Para meu conforto como articulista prolixo, pelo menos ninguém morrerá assassinado no meio da leitura (exceto pelo tédio, que as estatísticas não capturam).
Projetando esses números para o globo e para a relatividade de nossa população, temos no Brasil uma taxa de mais de 29 mortes para cada 100 mil habitantes. São números que superam zonas de guerra, ISIS, Al Qaeda e aberrações que tais. Se abrangermos o mesmo período em que Síria se encontra em guerra (desde 2011), vamos ver que os jurisdicionados do ditador Al-Assad matarem-se entre si algo em torno de 256 mil pessoas e os jurisdicionados de Rousseff/Lulja+CV+FDN+PCC+Milícias fizeram lá as suas 279 mil vítimas.
Com isso, atingimos uma meta e dobramos, como nunca antes na história "destepaiz": somos campeões mundiais em "acidentes" (como diria Lulja) superando zonas de guerra (imaginem o dia em que entrarmos em guerra!!!).
Se somarmos ao total apurado até 2014 as perspectivas esperadas para os números de 2015 e 2016, iremos facilmente constatar que chegamos perto de 700.000 "acidentes". Se incluirmos o ano inicial do governo Lula, facilmente bateremos 750.000. Ao fim de 16 anos de período PT/PL[PR]/PMDB poderemos, se os números mantiverem essa tendência, bater algo em torno de 850 a 900 mil "acidentes".
Os 21 anos de regime militar autoritário (1964-1985) fizeram, segundo o relatório Brasil Nunca Mais complementado pela "Comissão da Verdade", um número de 434 pessoas. A ditadura chilena fez seus 40 mil mortos; a argentina (cuja nação nunca foi boa com números), 10 mil; a cubana, 136 mil.
A Guerra da Secessão fez 620 mil mortos, uma das mais sangrentas guerras civis da história.
E por ai vai... E por aqui fica...
Por outro lado, até o fim desse período (2014) em que analisamos os homicídios do lado de fora, o Brasil contava com uma população carcerária de... 563.526 pessoas presas (nesse número não entram as prisões domiciliares ou os presos em regime aberto, mas apenas aqueles que representam ao menos um ou dois marmitex por dia saídos dos impostos que pagamos).
Para cada pessoa morta do lado de fora (e uma ou outra no lado de dentro) no período entre 2004-2014, temos uma pessoa presa. De 2013 para 2014 tivemos quase 60 mil homicídios para 40 mil novos detentos (não entram nessa estatística os que eventualmente saíram do sistema, o que pode aumentar essa taxa de "detentos novos" especificamente para o ano de 2014).
Vejam no gráfico abaixo a evolução da população carcerária no Brasil:
Curiosamente, a "turma dos direitos humanos" que esteve no poder durante o governo PT, deu conta de fazer um aumento na casa dos 270% da população carcerária.
Homicídios, desemprego, população carcerária, inflação, recessão/depressão, máquina estatal, corrupção: são coisas que só a trinca Lula/Rousseff/Lulja fez pelo Brasil in a row.
Nesse período os negócios carcerários se estabilizaram, assim como os negócios entre partidos e empreiteiras.
Voltando ao cárcere agora, os dados mostram que 65% dessa população responde por tráfico/roubo/homicídio (demais crimes envolvem receptação, latrocínio, estupro e outros "afagos" ou "acidentes", como diria Lulja).
E para resolver esse problema todo o governo Lulja resolveu doar, por meio de 40 bibliotecas públicas, algo em torno de 20 mil volumes em livros para cadeias do Brasil afora (o que levou uma mãe de aluno a se indignar com essa doação de livros para os anjos do PCC, deixando de fora dessa benesse os travessos meninos e meninas que estudam na rede pública que só podem contar com o "kit gay" que dá propaganda para Bolsonaro e seus correligionários). Dizem até que a nova guerra entre PCC e CV/FDN poderá ter início por causa da distribuição desses livros - mandaram Marx para o PCC e os contos de Grimm para o CV e isso pode eclodir novos massacres entre essas "fracções" (facções com fricções).
Bem, apresentei os números, como bom economista e amante de estatística e não os analisei nem de dentro pra fora do cárcere, nem de fora pra dentro, do cárcere, do Brasil, da América, de onde quer que seja.
Apenas coloquei algo que torna qualquer discussão sobre 60 mortos, 33 mortos, 93 mortos, 96 mortos, 111 mortos, neste, naquele ou em qualquer presídio, um baita exercício de demagogia, de lado a lado.
Se o chefe mandar, eu retomo o assunto e analiso os números.
Do contrário, faça bom proveito, leitor, para discursos de aniversário a debates em mesa redonda sobre futebol - só não vá usar isso para os bate-papos de velório, por favor.
quinta-feira, 12 de janeiro de 2017
País Celíaco
Caderno de Ciência do Corpo
por Doutor Pangloss
Celíaco: indivíduo que é portador da doença celíaca, que é uma espécie de transtorno intestinal gerador de inúmeros desconfortos, sobretudo a diarreia. É normalmente causada pela ingestão da gliadina e outras proteínas do tipo Triticeae, vulgarmente chamadas de "glúten" e presentes com ênfase em alimentos feitos a base de trigo.
O Brasil, se fosse um homem, seria celíaco.
Basta sua economia melhorar que o povo se empanturra de pão e bolacha (ou biscoito, como dizem nas praças de Salvador e Rio de Janeiro), sem contar na cerveja, fonte de bastante glúten por causa da cevada.
Tempos depois dessa ingestão exagerada, o povo "se caga todo" e tem que entrar em nova dieta: apertar o cinto, se aposentar mais tarde, trabalhar mais, comer menos e introduzir na dieta a salsicha, em substituição do pão, do macarrão, da cerveja e dessas coisas "gostosas" que comeu tanto quando o país ia bem.
A ciência medicinal e gastroenterológica do corpo dá ótimas dicas para a política, portanto: sendo o Brasil um país claramente celíaco, o Doutor Lulja, que preside a todos, deveria se abster de fazer coisas intrigantes.
Essa é a dica do ano de Doutor Pangloss.
por Doutor Pangloss
Celíaco: indivíduo que é portador da doença celíaca, que é uma espécie de transtorno intestinal gerador de inúmeros desconfortos, sobretudo a diarreia. É normalmente causada pela ingestão da gliadina e outras proteínas do tipo Triticeae, vulgarmente chamadas de "glúten" e presentes com ênfase em alimentos feitos a base de trigo.
O Brasil, se fosse um homem, seria celíaco.
Basta sua economia melhorar que o povo se empanturra de pão e bolacha (ou biscoito, como dizem nas praças de Salvador e Rio de Janeiro), sem contar na cerveja, fonte de bastante glúten por causa da cevada.
Tempos depois dessa ingestão exagerada, o povo "se caga todo" e tem que entrar em nova dieta: apertar o cinto, se aposentar mais tarde, trabalhar mais, comer menos e introduzir na dieta a salsicha, em substituição do pão, do macarrão, da cerveja e dessas coisas "gostosas" que comeu tanto quando o país ia bem.
A ciência medicinal e gastroenterológica do corpo dá ótimas dicas para a política, portanto: sendo o Brasil um país claramente celíaco, o Doutor Lulja, que preside a todos, deveria se abster de fazer coisas intrigantes.
Essa é a dica do ano de Doutor Pangloss.
Um novo Ano Novo
por Dom Fernandes III
Após reunirmos toda a equipe em um exílio voluntário (expressão preferida do Caderno de Política), qual seja, um offsite (expressão preferida do Caderno de Empresas), retornamos ao batente com a mesma vontade 2016: nenhuma.
No período de nosso fechamento para balanço muitas coisas aconteceram sem nada ter mudado: esse bando de desgraçados continua por ai assombrando quem quer se livrar deles.
Mas a vida é assim mesmo: uns param e outros continuam, outros nunca param e outros nunca nem sequer começam. Nós, pelo menos, começamos, continuamos, paramos, retomamos e de tudo um pouco, vamos experimentando essa dura tarefa de variar entre o ócio (concedido por benção estatal) e a labuta (restrita, item, por mesma ação santa estatal).
Em 2016 os temas da economia e da política dominaram as pautas de nosso ancestral Diário. Em 2017 esperamos tentar sair um pouco desses temas, se os próprios temas permitirem (qual seja, se política e economia se apaziguarem e deixarem de ser "notícia"). Se não se apaziguarem, também, que se dane.
O leitor deve estar notando que não há nada que nos orgulhe desde o retorno da Domus Fallus (ah, como é bom esse lugar, meu Deus!): enganou-se - ao menos voltamos de férias antes de Sérgio Fernando Moro e disso nos orgulhamos!
Feliz 2017!*
* - e como salientado antes, se não for feliz também que se dane...
Após reunirmos toda a equipe em um exílio voluntário (expressão preferida do Caderno de Política), qual seja, um offsite (expressão preferida do Caderno de Empresas), retornamos ao batente com a mesma vontade 2016: nenhuma.
No período de nosso fechamento para balanço muitas coisas aconteceram sem nada ter mudado: esse bando de desgraçados continua por ai assombrando quem quer se livrar deles.
Mas a vida é assim mesmo: uns param e outros continuam, outros nunca param e outros nunca nem sequer começam. Nós, pelo menos, começamos, continuamos, paramos, retomamos e de tudo um pouco, vamos experimentando essa dura tarefa de variar entre o ócio (concedido por benção estatal) e a labuta (restrita, item, por mesma ação santa estatal).
Em 2016 os temas da economia e da política dominaram as pautas de nosso ancestral Diário. Em 2017 esperamos tentar sair um pouco desses temas, se os próprios temas permitirem (qual seja, se política e economia se apaziguarem e deixarem de ser "notícia"). Se não se apaziguarem, também, que se dane.
O leitor deve estar notando que não há nada que nos orgulhe desde o retorno da Domus Fallus (ah, como é bom esse lugar, meu Deus!): enganou-se - ao menos voltamos de férias antes de Sérgio Fernando Moro e disso nos orgulhamos!
Feliz 2017!*
* - e como salientado antes, se não for feliz também que se dane...
segunda-feira, 19 de dezembro de 2016
Fechamento para Balanço
Diretoria Administrativa e Editorial
Juntamente com o resto da Humanidade, os Diários Associados Bola Preta e o seu time de elite escalado para os maravilhosos textos na Folha da Madrugada e no Vera Cruz Times, reunir-se-ão para traçar as diretivas editoriais de 2017 em offsite a ser realizado no Monte de Vênus.
Outrora também conhecida a misteriosa localidade, entre os romanos, como a Domus Fallus, todos os jornalistas e articulistas estarão in loco articulando e fazendo o balanço neste ano que fecha para os anos que abrem.
Como tudo que fazemos, será um trabalho duro, com as mãos limpas.
E o resultado disso será integralmente colhido pelos seus olhos, leitor de honra, leitora de fé.
Obrigado por nada deste 2016 e que 2017 nos prepare menos ainda.
Juntamente com o resto da Humanidade, os Diários Associados Bola Preta e o seu time de elite escalado para os maravilhosos textos na Folha da Madrugada e no Vera Cruz Times, reunir-se-ão para traçar as diretivas editoriais de 2017 em offsite a ser realizado no Monte de Vênus.
Outrora também conhecida a misteriosa localidade, entre os romanos, como a Domus Fallus, todos os jornalistas e articulistas estarão in loco articulando e fazendo o balanço neste ano que fecha para os anos que abrem.
Como tudo que fazemos, será um trabalho duro, com as mãos limpas.
E o resultado disso será integralmente colhido pelos seus olhos, leitor de honra, leitora de fé.
Obrigado por nada deste 2016 e que 2017 nos prepare menos ainda.
domingo, 18 de dezembro de 2016
Tapetão Mágico de Lulja
Caderno de Política
por Cícero Esdras Neemias
O presidente Lulja, esse ás no Estado, fez uma opção que cobrará o seu preço: ao invés de governar por meio de decretos, assumiu abertamente a alternativa de governar por meio de decrépitos - sabemos onde isso vai chegar.
Como bom descendente de fenícios que é, deu-se ao trabalho de tecelão e desde há tempos, vai cosendo o tapete com que tenta cobrir toda a sujeira que está à mostra em seu governo.
Não perde tempo varrendo (sob tapetes de má qualidade e que, convenhamos, já estão cheios de sujeira varrida por seus antecessores) - ele faz mais e de maneira mais hábil, inédita e incrível: vai tecendo o seu próprio cobre-merdas, mas, notem; comete um erro.
Tece e estica ao mesmo tempo, mas segue tecendo os metros faltantes de tapete justamente em cima da parte já tecida.
Em 2017, todos estarão cobertos sobre o Tapetão Mágico de Lulja, que pensa ele, solitário sobre o tapete, há de voar mais alto que o de Alladin. Engana-se Lulja. Antes que o Tapete Mágico voe ou mesmo sequer termine de ser tecido por aquele que insiste em ficar sobre o mesmo tapete, um grupo de mãos há de puxá-lo, precipitando para a sujeira mal coberta o tristonho Lulja. E ele, com seus 40 cobertos, serão desta vez varridos para sempre do parquet, tamanho o loteamento dos demais tapetes da história, onde não mais caberão, nem mesmo para ouvir dos demais acobertados: eu te avisei...
por Cícero Esdras Neemias
O presidente Lulja, esse ás no Estado, fez uma opção que cobrará o seu preço: ao invés de governar por meio de decretos, assumiu abertamente a alternativa de governar por meio de decrépitos - sabemos onde isso vai chegar.
Como bom descendente de fenícios que é, deu-se ao trabalho de tecelão e desde há tempos, vai cosendo o tapete com que tenta cobrir toda a sujeira que está à mostra em seu governo.
Não perde tempo varrendo (sob tapetes de má qualidade e que, convenhamos, já estão cheios de sujeira varrida por seus antecessores) - ele faz mais e de maneira mais hábil, inédita e incrível: vai tecendo o seu próprio cobre-merdas, mas, notem; comete um erro.
Tece e estica ao mesmo tempo, mas segue tecendo os metros faltantes de tapete justamente em cima da parte já tecida.
Em 2017, todos estarão cobertos sobre o Tapetão Mágico de Lulja, que pensa ele, solitário sobre o tapete, há de voar mais alto que o de Alladin. Engana-se Lulja. Antes que o Tapete Mágico voe ou mesmo sequer termine de ser tecido por aquele que insiste em ficar sobre o mesmo tapete, um grupo de mãos há de puxá-lo, precipitando para a sujeira mal coberta o tristonho Lulja. E ele, com seus 40 cobertos, serão desta vez varridos para sempre do parquet, tamanho o loteamento dos demais tapetes da história, onde não mais caberão, nem mesmo para ouvir dos demais acobertados: eu te avisei...
quinta-feira, 15 de dezembro de 2016
Editorial
por Dom Fernandes III
Michel Temer, o presidente que tem Lulja no nome, tem tido, igual e ostensivamente, Lulja nas atitudes: vai se cercando de cangaceiros, punguistas, infames, vulgares, trapaceiros, preguiçosos, imbecis, energúmenos, incoerentes, cretinos, bufões, salafrários, mentirosos, embusteiros, golpistas, tapeadores, vigaristas, boçais, cafajestes e, sobretudo, advogados e contadores.
Traça e desenha com perfeição uma rotina de tolices entremeadas com leves malandragens, a que se acostumaram em Brasília de chamar pelo trocado realpolitik.
Faz de tudo e mais um pouco (mas ainda menos que o Diabo, que era feito e assumido pela antecessora amigona de chapa) para terminar sua saga entre o Rol Eterno dos "Vis do Brasil".
Diz que dizem o que disse que disse para dar a impressão de que não tem nada a ver com nada, mas assim como o outro preferia o sarcástico "eu não sabia", Lulja vai na linha do "sabia mas mesmo discordando, eles foram lá e fizeram... pode?". É uma evolução, sem dúvida.
Passou há dias um teto que cobre a casa de tempestades anteriores, enquanto se embrenha na missão de mexer numa previdência sem tocar na conta das Viúvas do funcionalismo e das filhas solteiras da Turma da Gloriosa, largando assim no colo de quem tem que trabalhar mais uns 15 anos, praticamente um orçamento de um Bolsa Família e Meio.
Entre uma e outra reforminha, vai jogando o jogo dos calheiros e canalhas, usando os olhos de cachorro pidão para uma carminha de plantão lhe virar a ampulheta da empulhação e trocar a guerra contra a corrupção por um abuso de autoridade que fala em acabar com a autoridade dos abusos. E tudo isso, lógico, depois do Corujão, com ou sem horário que Verão.
A Chico o que é de Chico ("Vai trabalhar, vagabundo"), enquanto que pau que bate em César, uma hora vai bater em Caesar.
Lulja: em 2017, sua hora vai chegar.
Michel Temer, o presidente que tem Lulja no nome, tem tido, igual e ostensivamente, Lulja nas atitudes: vai se cercando de cangaceiros, punguistas, infames, vulgares, trapaceiros, preguiçosos, imbecis, energúmenos, incoerentes, cretinos, bufões, salafrários, mentirosos, embusteiros, golpistas, tapeadores, vigaristas, boçais, cafajestes e, sobretudo, advogados e contadores.
Traça e desenha com perfeição uma rotina de tolices entremeadas com leves malandragens, a que se acostumaram em Brasília de chamar pelo trocado realpolitik.
Faz de tudo e mais um pouco (mas ainda menos que o Diabo, que era feito e assumido pela antecessora amigona de chapa) para terminar sua saga entre o Rol Eterno dos "Vis do Brasil".
Diz que dizem o que disse que disse para dar a impressão de que não tem nada a ver com nada, mas assim como o outro preferia o sarcástico "eu não sabia", Lulja vai na linha do "sabia mas mesmo discordando, eles foram lá e fizeram... pode?". É uma evolução, sem dúvida.
Passou há dias um teto que cobre a casa de tempestades anteriores, enquanto se embrenha na missão de mexer numa previdência sem tocar na conta das Viúvas do funcionalismo e das filhas solteiras da Turma da Gloriosa, largando assim no colo de quem tem que trabalhar mais uns 15 anos, praticamente um orçamento de um Bolsa Família e Meio.
Entre uma e outra reforminha, vai jogando o jogo dos calheiros e canalhas, usando os olhos de cachorro pidão para uma carminha de plantão lhe virar a ampulheta da empulhação e trocar a guerra contra a corrupção por um abuso de autoridade que fala em acabar com a autoridade dos abusos. E tudo isso, lógico, depois do Corujão, com ou sem horário que Verão.
A Chico o que é de Chico ("Vai trabalhar, vagabundo"), enquanto que pau que bate em César, uma hora vai bater em Caesar.
Lulja: em 2017, sua hora vai chegar.
quinta-feira, 8 de dezembro de 2016
Dia da JUSTIÇA
Caderno Especial da Justiça
por Ministro Anselmo Biltre*
Hoje comemoramos o dia daquela que, sendo a última a ter entrado no sistema estatal dos Poderes (entrou, ainda por cima, pelo sistema de quotas, pois é deficiente visual desde nascença, segundo alega), é a única a ter um dia só pra si.
Os outros, digamos, gozam nos demais 364 dias, segundo acordos de ocasião. Mas a Justiça goza hoje.
Na Grécia, nasceu primeiro que as outras (dizem até que é tia-avó de todas as demais). Mas no Brasil foi trazida para a festa por último. Anos se passaram e resolveram dar um dia só para ela: hoje.
Pois ontem, conforme vimos e ela não (é esse problema de deficiência e tal), a Justiça acolheu o gozo dos demais, conforme sempre fez e sempre o fará.
Parabéns Justiça!!!
Você é demais!!!
Goze bastante o dia de hoje pois amanhã já é dia de batente para o gozo alheio.
* ex-Ministro do Supremo Tribunal da Verdade e ex-juiz do C.U. (Corte Universal).
por Ministro Anselmo Biltre*
Hoje comemoramos o dia daquela que, sendo a última a ter entrado no sistema estatal dos Poderes (entrou, ainda por cima, pelo sistema de quotas, pois é deficiente visual desde nascença, segundo alega), é a única a ter um dia só pra si.
Os outros, digamos, gozam nos demais 364 dias, segundo acordos de ocasião. Mas a Justiça goza hoje.
Na Grécia, nasceu primeiro que as outras (dizem até que é tia-avó de todas as demais). Mas no Brasil foi trazida para a festa por último. Anos se passaram e resolveram dar um dia só para ela: hoje.
Pois ontem, conforme vimos e ela não (é esse problema de deficiência e tal), a Justiça acolheu o gozo dos demais, conforme sempre fez e sempre o fará.
Parabéns Justiça!!!
Você é demais!!!
Goze bastante o dia de hoje pois amanhã já é dia de batente para o gozo alheio.
* ex-Ministro do Supremo Tribunal da Verdade e ex-juiz do C.U. (Corte Universal).
segunda-feira, 5 de dezembro de 2016
Blowing job in the wind
Caderno de Cultura
por Dionísio Crátino
A Fundação Nobel, outrora responsável por premiar, no campo da literatura, gente como Pablo Neruda, Anatole France, Yeats, Thomas Mann, G. B. Shaw, Bertrand Russell, Pirandello, Juan Ramón Jiménez, Camus, Beckett, Sartre, Saramago, Gabriel Garcia Marquez, Vargas Llosa, resolveu fazer um job de escolha que louvou o blower Bob Dylan.
Eduardo Suplicy animou-se (inutilmente) mas Paulo Coelho (nas parecerias com Raul Seixas) e Jô Soares, igualmente blowers (no caso do segundo, um verdadeiro wind blower) viram ótimas alternativas à ABL (já conquistada por um e cobiçada pelos demais).
Hoje, não se sabe o que é fazer um bom trabalho literário - qual seja, a good job: but the answer, my friend, is blowing in the wind...
por Dionísio Crátino
A Fundação Nobel, outrora responsável por premiar, no campo da literatura, gente como Pablo Neruda, Anatole France, Yeats, Thomas Mann, G. B. Shaw, Bertrand Russell, Pirandello, Juan Ramón Jiménez, Camus, Beckett, Sartre, Saramago, Gabriel Garcia Marquez, Vargas Llosa, resolveu fazer um job de escolha que louvou o blower Bob Dylan.
Eduardo Suplicy animou-se (inutilmente) mas Paulo Coelho (nas parecerias com Raul Seixas) e Jô Soares, igualmente blowers (no caso do segundo, um verdadeiro wind blower) viram ótimas alternativas à ABL (já conquistada por um e cobiçada pelos demais).
Hoje, não se sabe o que é fazer um bom trabalho literário - qual seja, a good job: but the answer, my friend, is blowing in the wind...
Enterrando cinzas
Vera Cruz Times
por Prof. Coitinho da Moita*
Ontem encerrou-se o féretro do Grande Comandante Castro.
Ele foi o primeiro Ex-Ser Vivo da História da Humanidade (e da Desumanidade também) a ser cremado e enterrado!
Ontem enterraram suas cinzas!
Isso foi feito para que não se restassem dúvidas (ou só restassem as dúvidas - como quiser, leitor).
* Prof. Titular Catedrático de Lógica Absoluta da Universidade de La Havana Club, ESPECIAL para o Vera Cruz Times
por Prof. Coitinho da Moita*
Ontem encerrou-se o féretro do Grande Comandante Castro.
Ele foi o primeiro Ex-Ser Vivo da História da Humanidade (e da Desumanidade também) a ser cremado e enterrado!
Ontem enterraram suas cinzas!
Isso foi feito para que não se restassem dúvidas (ou só restassem as dúvidas - como quiser, leitor).
* Prof. Titular Catedrático de Lógica Absoluta da Universidade de La Havana Club, ESPECIAL para o Vera Cruz Times
domingo, 4 de dezembro de 2016
sexta-feira, 2 de dezembro de 2016
Parâmetros Brasileiros
Caderno de Letras Jurídicas
por Clóvis Hauser (estagiário com OAB e de DP em "Estudos dos Problemas Brasileiros")
Esses dias a Doutora Kátia Rebello, ex-bailarina e ex-herdeira do Banco Rural, presa no contexto do Mensalão, foi pra casa dançar em teto próprio.
O Mensalão é de 2005 e Kátia foi presa em 2012, logo após a condenação por 14 anos por envolvimento "naquela coisa toda".
Quatro anos depois, já foi liberada para fazer plié em casa.
O caso Enron, por sua vez, aconteceu em 2002 e foi julgado definitivamente em 2006. Jeff Skilling pegou 24 anos e pelo seu bom comportamento, pode ir para a casa ano que vem.
Vejamos os números: Mensalão - o dobro do tempo para julgar tudo de forma definitiva, quase metade da quantidade de pena aplicada e quase um terço da pena efetivamente cumprida, para um escândalo que varreu financeiramente o país em números quase 10 vezes superiores ao da Enron.
Na Lavajato não temos um quadro muito diferente, apesar do esforço da galera em deixar a cambada presa por mais tempo e os números do escândalo só em relação a Petrobrás terem transformado a Enron numa pequena molecagem.
O Brasil é realmente um país muito legal sob o ponto de vista jurídico...
por Clóvis Hauser (estagiário com OAB e de DP em "Estudos dos Problemas Brasileiros")
Esses dias a Doutora Kátia Rebello, ex-bailarina e ex-herdeira do Banco Rural, presa no contexto do Mensalão, foi pra casa dançar em teto próprio.
O Mensalão é de 2005 e Kátia foi presa em 2012, logo após a condenação por 14 anos por envolvimento "naquela coisa toda".
Quatro anos depois, já foi liberada para fazer plié em casa.
O caso Enron, por sua vez, aconteceu em 2002 e foi julgado definitivamente em 2006. Jeff Skilling pegou 24 anos e pelo seu bom comportamento, pode ir para a casa ano que vem.
Vejamos os números: Mensalão - o dobro do tempo para julgar tudo de forma definitiva, quase metade da quantidade de pena aplicada e quase um terço da pena efetivamente cumprida, para um escândalo que varreu financeiramente o país em números quase 10 vezes superiores ao da Enron.
Na Lavajato não temos um quadro muito diferente, apesar do esforço da galera em deixar a cambada presa por mais tempo e os números do escândalo só em relação a Petrobrás terem transformado a Enron numa pequena molecagem.
O Brasil é realmente um país muito legal sob o ponto de vista jurídico...
Panóptico de Cícero
Caderno de Política
por Cícero Esdras Neemias
Fidel morreu em uma Black Friday - piada pronta.
Mas o mistério da vida é: para onde foi Fidel em seu postmortem?
Talvez nunca saibamos, nem mesmo quando a Princesa das Trevas chegar a nós para bailar a Valsa dos Eternos.
Até lá, criamos nossos mitos.
Fidel foi um deles e eu já tenho lugar para ele.
Soube um dia que ele era responsável por uns 17 mil fuzilamentos de quem ousou pensar diferente dele (ou que ele pensou que a pessoa pensava diferente dele, vai saber).
Pois bem, na barganha da história, assumiu 7 mil e jogou outros 10 mil "na conta do Papa".
Por essa aritmética, coloquei Fidel no meu panóptico, o famoso Panóptico de Cícero.
O Panóptico de Cícero é a prisão mental em que eu, no centro dela, coloco algumas pessoas que têm algo em comum, todas encarceradas a minha volta para que eu olhe nos olhos de cada ocupante de cada cela, classificando, nesse inferno dantesco-ciceroneano os delitos de que quero distância. Representam, todos, para mim, o que menos quero em minha vida. Por isso o aspecto Panóptico.
A entrada no Panóptico de Cícero não segue exatamente a data em que os crimes ocorreram. Essa entrada segue um regime meu, próprio, na medida em que vou conhecendo essas figuras ao longo da minha longa vida e precisando dar um lar a elas em minhas memórias fúnicas.
Na verdade, em um primeiro momento, eu tento esquecê-las, mas as barbaridades são tantas que não resta outro tratamento na memória: o Panóptico.
Para isso ele foi criado em minha mente. Para guardar essas pessoas, numa espécie de pasta reservada do meu SSD (desculpe, eu não tenho HD), eu criei esse Panóptico que facilita o acesso a dados e dossiês quando essas pessoas são mencionadas em conversas aleatórias.
Há gente que ingressa lá após investigação, mas já alguns que parecem ter nascido no Panóptico de Cícero (nunca foram crianças e nem se imagina engatinhando ou sorrindo para passarinhos ou girassóis): Hitler, Mao, Nero, Stálin, Pinochet, Saddam, Bin Laden são tipos que parecem ter nascido lá dentro. Outros menos conhecidos também já nasceram lá: Pol Pot, Giap, Videla, Solano López e essa gente toda do jihadismo que eu nem me preocupo muito em guardar nome, nacionalidade e tamanho da barba.
Há os que ingressaram depois de certa due diligence: Napoleão, Calígula, Papa Bórgia e uma certa penca de traficantes e "donos de morro" mundo a fora. O amiguinho Che, que se autointitulava bebedor e sangue de inimigos, ingressou após due diligence feita num curto espaço de meia hora.
Fidel foi um destes. Ingressou após breve due diligence sobre seus feitos realizados entre a construção de hospitais e paredões, entre os pelotões que defenderam a soberania de Cuba e os pelotões de fuzilamento. Fidel acabou indo parar no Panóptico de Cícero lá pelos idos dos anos 1980 e por não ter nascido lá, a possibilidade de sair rondou-lhe a vida mas nunca foi por ele bem aproveitada. Ele honestamente gostou do lugar e nunca se importou e cometer alguma benevolência ou ato de maturidade para, como Lampião, Kruschev, Roberto Jefferson, Ronald Reagan e Paulo Maluf, entrar e sair no Panóptico de Cícero.
Hoje que completou a sua apocoloquintosis (qual seja, no 7o dia após o Black Friday mortal), ingressou de forma definitiva no Panóptico de Cícero, pois sua chance de sair por algum ato de final de vida que pudesse compará-lo a Gandhi, encerrou-se cabalmente com a sua morte.
Atualmente, ele joga baralho e vê novela brasileira ao lado de Hitler e Mao na ala dos genocidas do Panóptico de Cícero.
Aproveite as companhias, Fidel, e deixe que elas também se aproveitem de você e... Viva La Vida Loca, Comandante de mierda!!!
por Cícero Esdras Neemias
Fidel morreu em uma Black Friday - piada pronta.
Mas o mistério da vida é: para onde foi Fidel em seu postmortem?
Talvez nunca saibamos, nem mesmo quando a Princesa das Trevas chegar a nós para bailar a Valsa dos Eternos.
Até lá, criamos nossos mitos.
Fidel foi um deles e eu já tenho lugar para ele.
Soube um dia que ele era responsável por uns 17 mil fuzilamentos de quem ousou pensar diferente dele (ou que ele pensou que a pessoa pensava diferente dele, vai saber).
Pois bem, na barganha da história, assumiu 7 mil e jogou outros 10 mil "na conta do Papa".
Por essa aritmética, coloquei Fidel no meu panóptico, o famoso Panóptico de Cícero.
O Panóptico de Cícero é a prisão mental em que eu, no centro dela, coloco algumas pessoas que têm algo em comum, todas encarceradas a minha volta para que eu olhe nos olhos de cada ocupante de cada cela, classificando, nesse inferno dantesco-ciceroneano os delitos de que quero distância. Representam, todos, para mim, o que menos quero em minha vida. Por isso o aspecto Panóptico.
A entrada no Panóptico de Cícero não segue exatamente a data em que os crimes ocorreram. Essa entrada segue um regime meu, próprio, na medida em que vou conhecendo essas figuras ao longo da minha longa vida e precisando dar um lar a elas em minhas memórias fúnicas.
Na verdade, em um primeiro momento, eu tento esquecê-las, mas as barbaridades são tantas que não resta outro tratamento na memória: o Panóptico.
Para isso ele foi criado em minha mente. Para guardar essas pessoas, numa espécie de pasta reservada do meu SSD (desculpe, eu não tenho HD), eu criei esse Panóptico que facilita o acesso a dados e dossiês quando essas pessoas são mencionadas em conversas aleatórias.
Há gente que ingressa lá após investigação, mas já alguns que parecem ter nascido no Panóptico de Cícero (nunca foram crianças e nem se imagina engatinhando ou sorrindo para passarinhos ou girassóis): Hitler, Mao, Nero, Stálin, Pinochet, Saddam, Bin Laden são tipos que parecem ter nascido lá dentro. Outros menos conhecidos também já nasceram lá: Pol Pot, Giap, Videla, Solano López e essa gente toda do jihadismo que eu nem me preocupo muito em guardar nome, nacionalidade e tamanho da barba.
Há os que ingressaram depois de certa due diligence: Napoleão, Calígula, Papa Bórgia e uma certa penca de traficantes e "donos de morro" mundo a fora. O amiguinho Che, que se autointitulava bebedor e sangue de inimigos, ingressou após due diligence feita num curto espaço de meia hora.
Fidel foi um destes. Ingressou após breve due diligence sobre seus feitos realizados entre a construção de hospitais e paredões, entre os pelotões que defenderam a soberania de Cuba e os pelotões de fuzilamento. Fidel acabou indo parar no Panóptico de Cícero lá pelos idos dos anos 1980 e por não ter nascido lá, a possibilidade de sair rondou-lhe a vida mas nunca foi por ele bem aproveitada. Ele honestamente gostou do lugar e nunca se importou e cometer alguma benevolência ou ato de maturidade para, como Lampião, Kruschev, Roberto Jefferson, Ronald Reagan e Paulo Maluf, entrar e sair no Panóptico de Cícero.
Hoje que completou a sua apocoloquintosis (qual seja, no 7o dia após o Black Friday mortal), ingressou de forma definitiva no Panóptico de Cícero, pois sua chance de sair por algum ato de final de vida que pudesse compará-lo a Gandhi, encerrou-se cabalmente com a sua morte.
Atualmente, ele joga baralho e vê novela brasileira ao lado de Hitler e Mao na ala dos genocidas do Panóptico de Cícero.
Aproveite as companhias, Fidel, e deixe que elas também se aproveitem de você e... Viva La Vida Loca, Comandante de mierda!!!
Castro
Vera Cruz Times
por José da Silva
A primeira vez que ouvi falar de Fidel Castro, tinha lá meus 12 para 13 anos de idade.
Ocorreu, obviamente, numa aula de história. Jamais ocorreria numa aula de matemática, biologia, física, química, literatura, mencionar um sujeito como esse. Muitos dirão entretanto, com certa ironia, que ao estadista cabe mudar a história - o resto que se exploda (numa bomba atômica, de preferência).
Incrível entretanto pensarmos em estadistas como Benjamin Franklin, facilmente citável tanto em uma aula de história, quanto de matemática, biologia, física, química e... até literatura!
Enfim, é o que tínhamos e graças a Deus, não temos mais, para hoje.
Não foi citado em outras aulas porque simplesmente foi irrelevante para a matemática, a biologia, a física, a química e a literatura. Em outras palavras, não mudou o mundo. Seu grande feito histórico foi apenas e tão somente ter tornado o mundo mais perigoso - e da forma mais desnecessária possível.
Naquele tempo eu cursava o que já foi chamado de 2o ano ginasial, que passou a ser chamar 6a série primária e hoje se chama 7o ano do fundamental.
Um aluno trouxe o tema a baila e a professora desandou a falar. Na época gostava muito de história, mas de Grécia, Roma, Idade Média e essas coisas que tanto encantam a molecada. Era moda na época também falar de voto. Golbery preparava o Brasil para a abertura e fazia os primeiros testes com eleições diretas, retomando no Brasil as falas sobre a importância do voto.
Votar era tão importante quanto reconhecer uma democracia. O Brasil era curiosamente uma ditadura com voto (indireto), mas todos sabiam que sem voto, o regime seria indiscutivelmente ditatorial.
Quando a mestra foi provocada sobre o tema Fidel Castro (nesse tempo, muito antes de Paula e Hortência), desancou nos elogios. Eu não conhecia o dito cujo, mas alguém cochichou que seria o tal "ditador de Cuba". Os elogios seguiram, desnecessariamente, pois a aula era sobre Revolução Francesa ou outro tema assim. A ideia era mesmo desestabilizar e engambelar a tola professora para que desse menos matéria para que todos estudassem menos para a prova do semestre. Tão simples quanto isso - nem o perguntador nem a sala estava interessada em Fidel Castro e tola mordeu a isca e começou a gastar tempo falando de um "ditador".
Minha igualmente tola curiosidade desafiadora levantou a polêmica da aula anterior e tentou inserir no tema Fidel: voto. Levante a mão e perguntei: "prof..., esse herói ai, depois que limpou a ilha dos bandidos, seguiu no cargo eleito?". Resposta pensativa: "hummm... não... acho que não... de fato, não". Repliquei: "bem, não é não, né? não foi eleito... então que tipo de democracia sem voto se pratica por lá? consegue nos explicar?". A professora acionou o gerador de lero-lero e falou por 1 hora. Voltou ao tema na aula seguinte..., e na seguinte,... depois na seguinte...
Tomei lanche de graça até o fim do ano e os alunos venceram, graças a mim! Naquele ano todas as provas de história só tinham perguntas sobre renascimento e todos terminaram o ano com notas altíssimas, tendo que precisar estudar praticamente nada, apenas repetindo o mesmo gerador de lero-lero semestralmente.
por José da Silva
A primeira vez que ouvi falar de Fidel Castro, tinha lá meus 12 para 13 anos de idade.
Ocorreu, obviamente, numa aula de história. Jamais ocorreria numa aula de matemática, biologia, física, química, literatura, mencionar um sujeito como esse. Muitos dirão entretanto, com certa ironia, que ao estadista cabe mudar a história - o resto que se exploda (numa bomba atômica, de preferência).
Incrível entretanto pensarmos em estadistas como Benjamin Franklin, facilmente citável tanto em uma aula de história, quanto de matemática, biologia, física, química e... até literatura!
Enfim, é o que tínhamos e graças a Deus, não temos mais, para hoje.
Não foi citado em outras aulas porque simplesmente foi irrelevante para a matemática, a biologia, a física, a química e a literatura. Em outras palavras, não mudou o mundo. Seu grande feito histórico foi apenas e tão somente ter tornado o mundo mais perigoso - e da forma mais desnecessária possível.
Naquele tempo eu cursava o que já foi chamado de 2o ano ginasial, que passou a ser chamar 6a série primária e hoje se chama 7o ano do fundamental.
Um aluno trouxe o tema a baila e a professora desandou a falar. Na época gostava muito de história, mas de Grécia, Roma, Idade Média e essas coisas que tanto encantam a molecada. Era moda na época também falar de voto. Golbery preparava o Brasil para a abertura e fazia os primeiros testes com eleições diretas, retomando no Brasil as falas sobre a importância do voto.
Votar era tão importante quanto reconhecer uma democracia. O Brasil era curiosamente uma ditadura com voto (indireto), mas todos sabiam que sem voto, o regime seria indiscutivelmente ditatorial.
Quando a mestra foi provocada sobre o tema Fidel Castro (nesse tempo, muito antes de Paula e Hortência), desancou nos elogios. Eu não conhecia o dito cujo, mas alguém cochichou que seria o tal "ditador de Cuba". Os elogios seguiram, desnecessariamente, pois a aula era sobre Revolução Francesa ou outro tema assim. A ideia era mesmo desestabilizar e engambelar a tola professora para que desse menos matéria para que todos estudassem menos para a prova do semestre. Tão simples quanto isso - nem o perguntador nem a sala estava interessada em Fidel Castro e tola mordeu a isca e começou a gastar tempo falando de um "ditador".
Minha igualmente tola curiosidade desafiadora levantou a polêmica da aula anterior e tentou inserir no tema Fidel: voto. Levante a mão e perguntei: "prof..., esse herói ai, depois que limpou a ilha dos bandidos, seguiu no cargo eleito?". Resposta pensativa: "hummm... não... acho que não... de fato, não". Repliquei: "bem, não é não, né? não foi eleito... então que tipo de democracia sem voto se pratica por lá? consegue nos explicar?". A professora acionou o gerador de lero-lero e falou por 1 hora. Voltou ao tema na aula seguinte..., e na seguinte,... depois na seguinte...
Tomei lanche de graça até o fim do ano e os alunos venceram, graças a mim! Naquele ano todas as provas de história só tinham perguntas sobre renascimento e todos terminaram o ano com notas altíssimas, tendo que precisar estudar praticamente nada, apenas repetindo o mesmo gerador de lero-lero semestralmente.
domingo, 13 de novembro de 2016
Voto Obrigatório X Voto Facultativo
Caderno de Política
por Cícero Esdras Neemias
Após a eleição de
Donaldo Trompete (e não "Topete"), seguidas por uma "guinada à
direita" no nível municipal brasileiro, causa (direta ou indireta, que
seja) dos tropeços da esquerda em seus próprios cadarços, abre-se na Academia e
em jornais de menor expressão o debate sobre Voto
Obrigatório X Voto Facultativo.
No caso Trompete,
onde o voto é facultativo e a captura da opinião do ausente eventual se
transmuda em "maioria silenciosa", não é a obrigatoriedade do voto
que se debate, mas sim o modo de interpretá-lo no varejo. Um sistema
federalista puro, em que os estados declaram a prospecção do vencedor local em
detrimento de uma soma absoluta de votos do todo nacional, sem distinções
regionais, tem tônica mais forte do que propriamente a transformação de um
direito de escolha em dever cívico-funcional, o que seria, no caso em
discussão, um problema destes cantos do mundo.
Por lá, muito por
influência jeffersoniana, criou-se nos idos de 1788 um sistema que seria (ao
menos como se via naquele tempo pré-Texas e proto-iPhone) “à prova de oportunistas”.
É nesse sistema que o federalismo americano se expressa da forma mais plena e
acabada: a União não interfere na escola que cada estado fizer, nem tampouco
interferem os estados, entre si, em suas próprias escolhas: os mais justos até
que reclamam dos mais injustos, mas fora reclamar, nada lhes resta a fazer. Vai
quem quer (às urnas), chega quem pode mais (à Casa Branca), cada qual com o seu
regulamento embaixo do braço (esquerdo ou direito).
O caso Trompete
quebra essa máxima da blindagem política: foi justamente esse sistema casado à
não obrigatoriedade do voto que alçou à Casa Branca essa espécie de Homem de
Cabelos Laranja com espírito de Rei Norte Coreano Pré-Adolescente.
Enquanto por lá se
discute como evitar não apenas gente como Trombeta (ou Trompete, pois não quero
aqui confundir “Trump” com “Horn”), lembram-se também as alternativas que
estavam surgindo do outro lado dos insatisfeitos: um tal de Bernardo da Areia,
que a ventania da Trombeta acabou de dissipar de forma definitiva. Em outras
palavras, esse sistema federalista (hoje em dia bem para lá de tosco de forma
geral), como havia sido prenunciado em 2000 pela vitória mal explicada do Jorge
Andarilho Moita ia dar onde deu - pena que ninguém imaginava qual néscio da
altura do Sr. Trombeta que aproveitar-se-ia temerosamente dessa oportunidade.
Que seja, isso é o
que temos para hoje.
Por aqui,
percebe-se que o voto obrigatório seria nossa mazela (ou senzala).
Outrora atacado
pelo mesmo PT que passou a defendê-lo com unhas e dentes assim que chegou ao
poder e que agora, vendo seus apaniguados do Bolsa Família abrindo as portas de
palácios governamentais aos pastores pentecostais, o voto obrigatório ganha as
pedradas de todos aqueles que não são MDB.
Sim, ele, esse
malfeitor, o voto obrigatório, que já passou do tempo dos ataques enquanto
vemos até o facultativo sofrer fuzilamento em praça pública. Dizem por ai que
tem gente demais sem saber o que pensa tendo o direito de dizer o que acha
sobre algo que não faz a menor ideia de como funciona: e quando esse direito
passa a ser obrigatório ficamos com a seguinte fórmula – gente demais sem saber
o que pensa tendo o dever de dizer o que acha sobre algo que não faz a menor
ideia de como funciona.
O voto está sob
ataque neste início do século XXI com a ferramenta eferrujada da democracia,
antes que digam que ela, a democracia, a melhor das piores, é que tem lá sua
inoperabilidade perante as liberdades e as igualdades ou, até mesmo, a lógica.
Ideias de voto qualificado estão se espraiando pelo mundo em reação às estridências
da Trombeta Laranja. Quem ainda não viu, se informe sobre as ideias de Jason
Brennan nesta era da Sétima Trombeta do Apocalipse.
E atacar o voto
aqui abaixo da Amazônia equivale a derrubar essa muralha, outrora construída
por Olavo Bilac quando flanava fora de sua atividade como letrista de hinos
chacotados em grau máximo e autor de sonetos de gosto mais do que duvidoso.
Mas, convenhamos após análise – desse sistema bilaquiano de compulsoriedade do
voto que desaguou num cabresto oficializado pelo Estado que alcançou seu ápice
durante os tempos de Militares no Poder, o que resta, hoje, dessa obrigatoriedade,
edulcorada por uma alternativa de justificação de fundamentação pronta, que
equivale a uma abstenção consentida a
priori pela lei?
Veja-se nessas
eleições de 2016 - a ausência chegou perto dos 20% e vem de um continuum crescendo, seja ele por
problemas pontuais (recadastramento, como tentaram alguns inverter a causa em
descarada petição de princípio), seja por problemas de difícil compreensão
(abstenção pura e simples por opção do eleitor que se orgulha de
"justificar o voto desde 1989" e assim por diante).
Essa queda
vertiginosa nos índices de legitimidade são obviamente escondidas pelos detentores
do poder e manipuladas por jornalistas que atuam como seus procuradores, tal
qual os capitães do mal recadastratório.
Como dizer, então,
dadas tais margens crescentes causadas por um sistema de ampla facilidade para
"justificação de ausência", que uma pessoa está "obrigada a
votar"?
Mais – ainda que
não justifique, o que dizer de um sistema que, mesmo assim, permite que o eleitor
pague uma "multa" pela sua "violação da lei eleitoral que impõe
a obrigatoriedade do voto", se a tal multa ainda dá troco quando é paga (com
atraso até...) com uma nota de R$2,00 (dois reais)?
Convenhamos:
"voto obrigatório" no Brasil é um de nossos curiosos mitos urbanos
(e, por que não reconhecer, um de nossos mitos rurais também, ao lado do ET de
Varginha e do Chupa-Cabra).
No Brasil, só vai
votar quem não tem paciência para "justificar a ausência" ou não sabe
como "pagar a multa" ou, digamos assim, se importa algo com o dever
moral imposto por lei em face de sanções que não assustam nem o mais castiço
dentre os brasileiros.Os demais, nem sabem quando a papeleta do “votei para
prefeito em 2016” poderá ser exigida ou usada (talvez para tirar passaporte,
mas hoje ninguém na PF sequer olha se você votou ou não).
O sistema dá
brechas infinitas para não se votar.
Reformulando: o sistema permite que não se vote.
Proibições para compelir a prática de um ato, a semelhança do
nosso sistema de voto obrigatório em nossa lei eleitoral, equivalem, como diria
o velho Goffredão, a uma permissão.
Paremos com essa
balela de que o voto no Brasil é obrigatório.
Pois bem, se
vivemos num sistema de "voto facultativo de fato", justamente porque
a obrigatoriedade jurídica é, ultima
ratio, escorada numa multa de menos de R$2,00 (dois reais) e considerando
que o nosso sistema é absoluto sem qualquer traço de federalismo como ocorre
nos EUA, qual o problema por aqui?
O problema é que
não há problema algum com o sistema.
O problema por aqui é muito outro.
E isso até que surja por aqui uma versão local de Trombeta – e não
me refiro aqui a Bolsonaro, um insider da
política; penso em algo semelhante mas em versão local, algum empresário
"bem sucedido" e cheio de ideias malucas, algum Chatô em versão
moderna que misture um pouco de Berlusconi com Putin; um senhor de Engenho ou dono
de Cortiço do tipo Romão que veja na política um espaço a ser ocupado pela sua
vaidade, que não cabe mais nos Conselhos de Administração que frequenta nos “mercados
da vida”.
É só olhar em
volta que acharemos vários desses.
É só dar a ideia que em 2018 ele estará lá, pronto para ocupar o
Planalto e receber uma ligação do Trombeta parabenizando-o pela lição aprendida
e aplicada.
E quando ele se
candidatar e der "traço no Ibope", não vai ser o voto obrigatório de
direito ou o facultativo de fato que vai nos tirar da agonia de ver (mais um)
imbecil dirigindo o nosso país.
Tanto lá quanto
aqui, a proposta é: vamos acabar com o federalismo de uma vez antes que ele
acabe com cada um de nós.
quarta-feira, 9 de novembro de 2016
Recadinho
Caderno de Assuntos Escolares
por Clóvis Hauser (estagiário de m...)
À turminha que gosta de invadir escolas: a melhor maneira de protestar contra uma grade escolar é estudando aquilo que foi cortado e aquilo que foi imposto.
Se você acha importante aquela matéria que te disseram que era importante, ESTUDE-A.
Mas não invada a escola para torná-la obrigatória para quem quer estudar todo o resto e não pode, justamente porque você não está estudando nem uma coisa, nem outra.
Grade, no tempo do seu professor, definia escola e as bobagens que eles falavam em cada sessão de 45 minutos - no nosso tempo, grade é o que separa um criminoso de um trabalhador.
Em outras palavras, vê se toma vergonha nessa cara e vai trabalhar (estudar também serve).
por Clóvis Hauser (estagiário de m...)
À turminha que gosta de invadir escolas: a melhor maneira de protestar contra uma grade escolar é estudando aquilo que foi cortado e aquilo que foi imposto.
Se você acha importante aquela matéria que te disseram que era importante, ESTUDE-A.
Mas não invada a escola para torná-la obrigatória para quem quer estudar todo o resto e não pode, justamente porque você não está estudando nem uma coisa, nem outra.
Grade, no tempo do seu professor, definia escola e as bobagens que eles falavam em cada sessão de 45 minutos - no nosso tempo, grade é o que separa um criminoso de um trabalhador.
Em outras palavras, vê se toma vergonha nessa cara e vai trabalhar (estudar também serve).
The Guilty
Vera Cruz Times
Bill Clinton just delivered a speech justifying why his fellow mate Hillary failed to win the most winable elections ever in the history of the Solar System.
Well... it was not a speech - he just proved a fact with strong evidences:
Bill Clinton just delivered a speech justifying why his fellow mate Hillary failed to win the most winable elections ever in the history of the Solar System.
Well... it was not a speech - he just proved a fact with strong evidences:
Sympathy for the Devil...???
To get things worst then they could be, she borrowed clothes from the Mick "Pé Frio" Jagger:
Paint It, Lettuce!!!
UNBELIEVABLE
Vera Cruz Times
por José da Silva
por José da Silva
The astonishing and overwhelming ability of the
Working Class to do stupid things is really infinite.
A few months ago, they went up with the Brexit –
brilliant! Congratulations!
Now it is time of the US Working Class: “white male
blue collar”, as they are usually saying in US to precisely define those who
are there with, basically, no college and some poor literacy.
The same morons who put Obama on the White House on
the hope of a free health insurance plan are now upset and just turned US, a
former progressive and populist government, into a new form of one: the Nazi-democracy.
The “hate speech” and the Hitler-style of addressing
ideas to the people in general is now inserted in a system with a Legislative
Branch (absolutely controlled by the same owner of the chair on the Executive
who addresses the hate speeches), but with serious oversight by certain
institutions and agencies and, mainly, by the Judiciary.
Hate speech will turn into a form of public
governance: until our guts can support this kind of treatment in the public
arena.
Hate speech is now the rule all over the world. We
lost the last bulwark of the institutionalized moderate speech controlled by
the etiquette of the politically correct perspective of living. The next step
will be the fans of Red Sox start to beat, like animals, those blue Yankee fans
and vice-versa (just to be in line with the other parts of the civilized World
like Europe).
Negotiation, agreements, understandings, tolerance and
the politics based on reason are part of the past. Samurai virtues and cavalry
public posture are things for sissies: the political arena cannot tolerate
gentlemen anymore – it is a field for rude people with neolithic arguments and
reasoning, but, as they say, “with guts”.
In other words – the political arena is completely
occupied by hooligans: don’t you want to Occupy Wall Street? Yeah… they got
that: all of them with the mask of 18th Century British Terrorist
and representing… – the Blue Collar people!!!
They occupied: not only Wall Street but also the White
House.
And the Nazi-democracy is exactly what is happening
now in US, since then: people chose, clearly, the hate speech and the affirmative
statements of a race over others, of a social class over others, of an intellectual
(low) condition over others, of a bunch of vices and “minor hatings” over
others. The so-called “silent majority” showed up and, literally, delicately
offered the middle finger to the “loud minorities” (which I really don’t know
who they are…).
The “silent majority” is the nowadays politically-incorrect
institutionalized. They found someone to say what they cannot – he is rich,
crazy, and inconsequent and can give voice to the inner vices assuming a large
liability for his hate postures. Now, with money and political power, we can
say that hate speech and hooliganism in politics is more than permitted – is incentivized
by example.
Yes – Homer Simpson prevailed.
On their turn, the “silent majority” believes in the
self-made man: not in that one who will be conducted to the White House, but
strictly on themselves. They think they are able to win in that country because
the country, itself, is the land of
opportunities. The magic is in the land and on themselves, not on people
(mainly other people). The only thing they need is someone to take the “minorities”
out of their way. Simple.
In the military, a “silent majority” is also what a
few soldiers found in Vietnam and all over Middle East: troops of unidentified
soldiers, pretending they are simple civilians, but with real military
potential to harm adversary troops. War crime? No. Self defense.
But a few call them terrorists.
And the silent majority will, in their turn, call the
other side as terrorists while they will consider themselves in “self defense”
against these potential harmers.
Terrorists prevailed, in the end of the story. Yeah –
it seems not so simple…
And, talking about terrorists, once a friend of mine,
who is a brilliant political scientist said, from a real political point of
view and from the perspective of the distribution of power, that citizens of affected
countries should have the right (or, at least, the opportunity) to vote for
President in US, although they are not even US citizens or (God!) US residents.
I thought that statement was a blasphemy, a bad joke from the perspective of
the citizenship rights definition. The “others” cannot interfere in my right to
choose my representative, although the things my representative does can
interfere on their rights; but just as matter of consequence and not as matter
of chose…
Nowadays, I understand what she said. But I confess,
it is too late to recognize that…
quinta-feira, 3 de novembro de 2016
FHC Candidato 2018
por Dom Fernandes III
Prometo que quando morrer, tão logo chegue ao Reino dos Céus, mandarei Deus e toda a sua turma (incluindo Jeová, Maomé, Jesus, São Pedro, São Miguel Arcanjo, Karol Wojtila, Edir Macedo, Silas Malafaia, Ogun, Xangô, Buda) para o QUINTO DOS INFERNOS!!!
Alguém precisa trabalhar naquela porra!!!!!!!! Assim não tá dando!!!!
Prometo que quando morrer, tão logo chegue ao Reino dos Céus, mandarei Deus e toda a sua turma (incluindo Jeová, Maomé, Jesus, São Pedro, São Miguel Arcanjo, Karol Wojtila, Edir Macedo, Silas Malafaia, Ogun, Xangô, Buda) para o QUINTO DOS INFERNOS!!!
Alguém precisa trabalhar naquela porra!!!!!!!! Assim não tá dando!!!!
quinta-feira, 27 de outubro de 2016
Reforma da Previdência e o Pleno Emprego no Brasil
Caderno de Economia
por Magnus Blackman
Tempos atrás, fomos brindados por uma análise interessante de nosso convidado especial, Torozaemon Sama, sobre um certo projeto da "Ponte para o Futuro" então codinomeado "limite de gastos".
Fato é que o tal limite virou projeto, que por sua vez virou PEC (proposta de emenda constitucional), que por sua vez já foi aprovado na Câmara, que por sua vez será facilmente aprovado no Senado.
Não que sejamos contra: somos até mais radicais, como bem lembrou Toro Sama, nem a inflação deveria entrar na conta (sobretudo ela, diga-se de passagem, como motor de aumento lícito desses gastos).
Deixemos de lado então o nosso desconforto a essa versão "light" de limites, juntamente com a curiosa forma de convencionar esse limite constitucionalmente, admitindo que, por ora, vamos ter, algum que seja, limite.
Limites são vitais.
Ainda que flácidos e flexíveis, limites continuam e continuarão a ser vitais - a flexibilidade apenas reduz a vitabilidade, mas é o limite em si que garante a vida e não o oposto. Talvez a vida imponha limites, mas não os garante.
Dito isso, nos parece que a PEC 241 nos dá, na verdade, uma certa sobrevida. Não renova a vida em novo ídolo esse modelo de limite, pois ele permite que o aumento do sucesso presente se dê com base no fracasso do passado. E isso, para nós, é sobrevida. Quando o sucesso presente é alimentado pelo fracasso passado, vivemos uma espécie de alcoolismo econômico. Essa PEC 241 ajustada pela inflação me parece bem isso.
Espertos, os econo-acólitos do governo já lançaram o discurso de que sozinha a PEC 241 não fará chover na lavoura por muito tempo. Será necessário mais e mais; precipuamente, ajustes em gastos que incomodam. O alvo da vez é a previdência.
Teríamos outras pautas para atacar: a atividade econômica, seja em regime de monopólio legal, seja em regime de monopólio de fato, desenvolvida pelo estado; a atividade econômica em regime de oligopólio em associação com os mecanismos de governo (exemplo disso são os setores de telecomunicações e energia); os tantos e quantos subsídios (que já receberam, alguns deles, vulgos interessantes como "bolsa-empresário"); o regime político eleitoral (com o agora salvador "fundo partidário") e por que não lembrar, a própria estrutura política e de distribuição da participação de poder no Brasil, a saber, os próprios legislativos, os partidos políticos em si, e, convenhamos, o próprio federalismo (estado pra que??? - "cala-te, boca, não é a hora!").
Deixando essas pautas de reivindicações de lado e dando a necessária sobrevida à nossa degenerescência burocrática com essa PEC 241 de limites "light" e com um pouco de gordura polissaturada (mesmo porque não discordamos que a Previdência careça lá de uns ajustes), vamos então a ela, ainda que não seja ela, a feiosa previ-bruxa, a "Top 1" de nossa lista de prioridades.
Ela estaria em nosso "Top 5". Em suma, não começaríamos por ela, se isso aqui fosse uma monarquia e eu fosse o rei: como não temos nem uma coisa nem outra, vamos seguir o efeito manada (vulgo para "democracia moderna") e vamos falar de previdência.
E no mérito desse tema, muitos querem atacá-la começando pelo regime da previdência comum. Começa-se com o tom científico de que a medicina, ao esticar as expectativas de vida, o vigor físico aos 40, o Viagra aos 60 e a menopausa aos 70, teríamos, então, o quadro "científico" ideal para adiar o tempo de ócio remunerado para 80 e poucos anos. Basta ver as maravilhas que o gH fez no UFC.
Outros ainda vão pelo que parece óbvio: quem se "aposenta" mas "continua trabalhando" não pode receber do estado a sua parcela de "ócio remunerado" - para tanto tem que parar de trabalhar de fato. Independentemente disso ser um dos mais energúmenos estímulos ao "não trabalho", algo bem típico do regime político de um sistema liderado pela ironia de um Partido que se diz "dos Trabalhadores", temos cá conosco que nem o problema e nem a solução estão ai nesse canto da sala.
A aposentadoria de quem efetivamente trabalha e de quem efetivamente trabalhou não precisa mudar tão drasticamente, exceto pelo detalhe em relação ao regime de aposentação por tempo de serviço: começar mais cedo não pode ser uma desculpa para ir para o "ócio remunerado" antes que outros; antes inclusive que a média mundial de aposentação por idade (nesse sentido deem uma olhada na tabelinha que o PINTO MARTINS fez em 2015:372). Nessa tabela, temos que trabalhar, ao menos em tese, tanto quanto se trabalha no Japão.
E esse "em tese" é onde mora o problema, pois na prática o nosso regime é feito para uns trabalharem e outros não. E há regimes de "não trabalho" cujo "ócio remunerado programado" é sustentado pela ativa da expectativa de "ócio remunerado não programado" de outros; tenha começado mais cedo ou não, seja porque preferiu estudar mais, seja porque preferiu "aproveitar mais a vida" e esticar seu tempo de nem-nem-nem.
Vamos apontar o dedo logo: temos um regime de previdência para cargos eletivos no Brasil que é o nosso verdadeiro Mal de Lázaro.
Senado, Câmara, Assembleias de Estados (servem pra que, mesmo??? eu não sei pra que servem....) e as infinitas Câmaras Municipais espalhadas por este Brasilzão (ou seria Brasilsão?) consomem um portfolio de dinheiro de dar orgulho a qualquer horta de dólares no Mundo.
Pergunto: por que pagamos a aposentação de um Senador que conclui o seu mandato com um "ócio remunerado" equivalente à íntegra de seu último salário (se comprovar que antes do mandato contribuiu alguns anos, mas convenhamos, uma vez lá o parlamentar comprova até o ingresso antecipado no Reino dos Céus), profissão essa de "representante" do povo (que de fato ninguém representa a não ser a si mesmo) cuja escala de trabalho é... de presença opcional, de 3ª a 5ª com 2 meses de recesso mais um de férias, sem contar as licenças, viagens internacionais, ausências consentidas, faltas, moradia "oficial", Uber próprio e até, pasme, uma polícia pra si mesmo ? ? ? ? ? . . . Por que? Por que? Por que?
Novamente pergunto: recebe essa aposentação em troca do que, o distinto Senador, se a única coisa que fez foi de fato não trabalhar?
Presidente (e, agora, Presidenta também) afastado, item, recebe lá o seu naco garantido. E veja: impeachment é como uma "demissão por justa causa" - se Dom Fernandes III me mandar embora por "justa causa", além de não receber o "seguro desemprego", minha aposentação se bagunça no tempo dos condenados ao desemprego. Por que pagamos integralmente o salário de quem "demitimos por justa causa"? É por causa do regime de condução e contratação? Então se o regime de vinculação é eleitoral, o salvo conduto fica garantido até em caso de crime de responsabilidade?
Começando pela completa extinção de qualquer incentivo financeiro pós-mandato de cargos eletivos e comissionados, estaríamos falando de uma reforma previdenciária séria.
Deixemos o regime especial para quem prestou concurso, passou e tomou posse (algo que gera mi-mi-mi no Lula... por que será?). Quem foi eleito não deveria ter direito a um centavo sequer, pois mandato eletivo não é profissão e, em tese, tem tempo para acabar (se bem que a prática nos prova o contrário: basta olhar para o Congresso e chorar cada vez que nos perguntamos - quando isso acabará? quando esse cara vai pra casa e nunca mais vai voltar?? mas ele volta, não e Maluf?). Que tal começarmos essa discussão pelo completo fuzilamento da PSSC (Plano de Seguridade Social do Congressista) com a queima em praça pública da Lei 9.506/97? Lembremos - nenhuma revolução se começa abrindo mão de fuzilamentos e queimas em praça pública: PSSC e Lei 9.506/97 talvez seja um bom começo para fuzilar e queimar preservando pessoas.
Em segundo lugar, as aposentadorias de mandatos eletivos cassados, suspensos, interrompidos por impedimento, enfim, name it, de "demitidos por justa causa" (sobretudo quando a justa causa decorre de improbidade administrativa, rejeição de contas pelo Tribunal de Contas e outras razões que para eles são menores, mas para nós importam bastante): fazem algum sentido???. Por que pagamos a essa turma do "crime de responsabilidade" por algo que eles não deveriam fazer nem nunca jamais ter feito?
E por falar em político e crime..., bem, lembremos de outro regime, esse, em si, fantástico.
Falemos do regime de aposentação dos presidiários e dos condenados a penas superiores a 30 anos (sem prejuízo da lembrança de que o "crime de responsabilidade" é algo, digamos, peculiar em nós - isso é assunto de estagiário e não vamos mais perder tempo com isso).
Embora a nossa lei impeça que um condenado a pena superior a 30 anos de cadeia careça cumprir mais do que isso para que sua situação não se torne um "ergástulo de fato", o Estado vai lá, por ordem legal, e solta o condenado. Temos em nosso sistema um hedge criminal que nem o mais sofisticado derivativo consegue reproduzir sinteticamente. Faz-se a coisa mais absurda do mundo e meu limite de gasto em serviço prisional é imposto por lei: 30 anos. Isso quando não o faça aos 68 e venha com o papo furado de que aos 70 o homem vira um anjo... Enfim, isso são lá, também, outros 500... Voltemos ao número mágico do nosso hedge penal.
Trinta anos depois de serviços no regime prisional ele volta ao nosso convívio nos devolvendo tudo o que aprendeu no "sistema" e, pasme - se quiser, volta... aposentado!!!
Genial!!!
O Brasil é um país genial, estupendo, característico e autor das mais curiosas situações. Essas duas são bons exemplos: os políticos (com destaque para os impedidos) e os condenados (com destaque para aqueles que cometeram crimes gravíssimos).
Já que falamos acima dos políticos, passemos para os condenados a crimes graves, hediondos, feios, horríveis e de "longo termo de serviço".
A lei de execuções penais brasileira garante ao preso, dentro outras coisas, o DIREITO (potestativo, diga-se de passagem) AO TRABALHO (art. 39) e, consequentemente, o acesso ao regime público de PREVIDÊNCIA SOCIAL (art. 41).
São, ao contrário de quem está mandando curriculum por ai (que está sujeito a um regime de expectativa jurídica de trabalho regulada pelo mercado), um verdadeiro direito potestativo que o Estado lhes assegura plenamente. Direito potestativo é quase um poder, digamos assim, pois para exercê-lo basta querer. E a contraparte desse poder (o Estado, no caso) está numa situação de sujeição e tem de cumprir imediatamente com essa querência.
Um preso, se quiser, lança mão da Lei de Execução Penal (uma lei feita só para eles, presos) e exige, qual seja, impõe o seu "direito ao trabalho".
Só um preso pode fazer isso no Brasil. Mais ninguém. Basta ele manifestar verbalmente a sua "vontade de trabalhar". O sistema prisional tem que se virar para arrumar algo para ele fazer. E não poderá deixar de remunerá-lo pelo mínimo do salário em vigor no Brasil, além de dar-lhe o benefício de abater da pena final, 1 dia de condenação para cada 3 trabalhados. Basta ver Zé Dirceu. Foi só falar que deram a ele um passe-livre para circular por Brasília na qualidade de funcionário de alguém. Um preso consegue isso, um "solto" não.
Nesse regime ainda goza o preso da faculdade de ter o seu trabalho formalmente integrado em um regime de previdência e de aposentação certa. Caso o seu tempo de prisão seja asseguradamente 30 anos, qual seja, ao equivalente a uma condenação mínima de 120 anos ou mais, pode entrar desempregado a sair da "cana" aposentado.
Em termos econômicos significa dizer que a única classe "trabalhadora" que goza de pleno emprego absoluto, pois tem um direito potestativo ao trabalho, é a classe trabalhadora dos presidiários (não ria) estejam eles em regime provisório ou definitivo de cumprimento de pena. O provisório ainda mantém seus direitos de voto e pode eleger seus "representantes" para o Congresso, que por sua vez se aposentarão, item, sem trabalhar e representado os presos "provisórios" (mas isso são outros 500 de outros 200...).
Além disso, mantendo a sua empregabilidade (pois pode trocar de emprego na hora que quiser, basta se enfadar com a atividade e pedir para mudar, que o Estado tem obrigação objetiva de atender à troca), sai de seu período no cárcere aposentado, ainda que lhe faltem, em tese, outros 200 anos por crimes que possa ter cometido em menos de 1 semana.
Sim - no Brasil, a única forma de garantir pleno emprego absoluto e aposentaria certa é ser eleito ou ser preso.
Já sei, já sei.... vão dizer que o gasto com essas aposentadorias é marginal (desculpem pelo trocadilho com a terminologia econômica) e a extinção desse regime vai atingir meia dúzia de senadores, alguns deputados e ex-governadores (ou respectivas esposas, quando viúvas), uma quantidade mais razoável de prefeitos, deputados estudais, vereadores e outros tantos comissionados Brasil a fora, ao lado de uma porção mínima de presidiários (neste caso mínima, pois a opção de trabalhar, ainda que garantida na forma de um direito potestativo do preso, não é exercida nem por 5% da população carcerária, o que comprova que somos um país de vagabundos genéticos). Essa parcela pequena de atingidos não faria a economia necessária para as contas fecharem. Sim, fato. Verdadeira nota há.
Ok, ok... Vamos lá. Quem disse aqui que o resto da previdência não merece lá seus reparos? pelo contrário - demos o caminho aqui do sentido desse reparo - começar a trabalhar antes não pode significar passe livre para um "ócio remunerado ultrantecipado". O que disse é que se formos começar a mexer nisso, que tal deixarmos o regime do trabalhador comum por último?
Comecemos pelo ocaso das exceções para ver se a regra, ao final, faz algum sentido.
Fará na parte do trabalho, não da expectativa do ócio. Asseguro isso.
O resto é conversa pra acordar preso e político poder dormir em paz.
por Magnus Blackman
Tempos atrás, fomos brindados por uma análise interessante de nosso convidado especial, Torozaemon Sama, sobre um certo projeto da "Ponte para o Futuro" então codinomeado "limite de gastos".
Fato é que o tal limite virou projeto, que por sua vez virou PEC (proposta de emenda constitucional), que por sua vez já foi aprovado na Câmara, que por sua vez será facilmente aprovado no Senado.
Não que sejamos contra: somos até mais radicais, como bem lembrou Toro Sama, nem a inflação deveria entrar na conta (sobretudo ela, diga-se de passagem, como motor de aumento lícito desses gastos).
Deixemos de lado então o nosso desconforto a essa versão "light" de limites, juntamente com a curiosa forma de convencionar esse limite constitucionalmente, admitindo que, por ora, vamos ter, algum que seja, limite.
Limites são vitais.
Ainda que flácidos e flexíveis, limites continuam e continuarão a ser vitais - a flexibilidade apenas reduz a vitabilidade, mas é o limite em si que garante a vida e não o oposto. Talvez a vida imponha limites, mas não os garante.
Dito isso, nos parece que a PEC 241 nos dá, na verdade, uma certa sobrevida. Não renova a vida em novo ídolo esse modelo de limite, pois ele permite que o aumento do sucesso presente se dê com base no fracasso do passado. E isso, para nós, é sobrevida. Quando o sucesso presente é alimentado pelo fracasso passado, vivemos uma espécie de alcoolismo econômico. Essa PEC 241 ajustada pela inflação me parece bem isso.
Espertos, os econo-acólitos do governo já lançaram o discurso de que sozinha a PEC 241 não fará chover na lavoura por muito tempo. Será necessário mais e mais; precipuamente, ajustes em gastos que incomodam. O alvo da vez é a previdência.
Teríamos outras pautas para atacar: a atividade econômica, seja em regime de monopólio legal, seja em regime de monopólio de fato, desenvolvida pelo estado; a atividade econômica em regime de oligopólio em associação com os mecanismos de governo (exemplo disso são os setores de telecomunicações e energia); os tantos e quantos subsídios (que já receberam, alguns deles, vulgos interessantes como "bolsa-empresário"); o regime político eleitoral (com o agora salvador "fundo partidário") e por que não lembrar, a própria estrutura política e de distribuição da participação de poder no Brasil, a saber, os próprios legislativos, os partidos políticos em si, e, convenhamos, o próprio federalismo (estado pra que??? - "cala-te, boca, não é a hora!").
Deixando essas pautas de reivindicações de lado e dando a necessária sobrevida à nossa degenerescência burocrática com essa PEC 241 de limites "light" e com um pouco de gordura polissaturada (mesmo porque não discordamos que a Previdência careça lá de uns ajustes), vamos então a ela, ainda que não seja ela, a feiosa previ-bruxa, a "Top 1" de nossa lista de prioridades.
Ela estaria em nosso "Top 5". Em suma, não começaríamos por ela, se isso aqui fosse uma monarquia e eu fosse o rei: como não temos nem uma coisa nem outra, vamos seguir o efeito manada (vulgo para "democracia moderna") e vamos falar de previdência.
E no mérito desse tema, muitos querem atacá-la começando pelo regime da previdência comum. Começa-se com o tom científico de que a medicina, ao esticar as expectativas de vida, o vigor físico aos 40, o Viagra aos 60 e a menopausa aos 70, teríamos, então, o quadro "científico" ideal para adiar o tempo de ócio remunerado para 80 e poucos anos. Basta ver as maravilhas que o gH fez no UFC.
Outros ainda vão pelo que parece óbvio: quem se "aposenta" mas "continua trabalhando" não pode receber do estado a sua parcela de "ócio remunerado" - para tanto tem que parar de trabalhar de fato. Independentemente disso ser um dos mais energúmenos estímulos ao "não trabalho", algo bem típico do regime político de um sistema liderado pela ironia de um Partido que se diz "dos Trabalhadores", temos cá conosco que nem o problema e nem a solução estão ai nesse canto da sala.
A aposentadoria de quem efetivamente trabalha e de quem efetivamente trabalhou não precisa mudar tão drasticamente, exceto pelo detalhe em relação ao regime de aposentação por tempo de serviço: começar mais cedo não pode ser uma desculpa para ir para o "ócio remunerado" antes que outros; antes inclusive que a média mundial de aposentação por idade (nesse sentido deem uma olhada na tabelinha que o PINTO MARTINS fez em 2015:372). Nessa tabela, temos que trabalhar, ao menos em tese, tanto quanto se trabalha no Japão.
E esse "em tese" é onde mora o problema, pois na prática o nosso regime é feito para uns trabalharem e outros não. E há regimes de "não trabalho" cujo "ócio remunerado programado" é sustentado pela ativa da expectativa de "ócio remunerado não programado" de outros; tenha começado mais cedo ou não, seja porque preferiu estudar mais, seja porque preferiu "aproveitar mais a vida" e esticar seu tempo de nem-nem-nem.
Vamos apontar o dedo logo: temos um regime de previdência para cargos eletivos no Brasil que é o nosso verdadeiro Mal de Lázaro.
Senado, Câmara, Assembleias de Estados (servem pra que, mesmo??? eu não sei pra que servem....) e as infinitas Câmaras Municipais espalhadas por este Brasilzão (ou seria Brasilsão?) consomem um portfolio de dinheiro de dar orgulho a qualquer horta de dólares no Mundo.
Pergunto: por que pagamos a aposentação de um Senador que conclui o seu mandato com um "ócio remunerado" equivalente à íntegra de seu último salário (se comprovar que antes do mandato contribuiu alguns anos, mas convenhamos, uma vez lá o parlamentar comprova até o ingresso antecipado no Reino dos Céus), profissão essa de "representante" do povo (que de fato ninguém representa a não ser a si mesmo) cuja escala de trabalho é... de presença opcional, de 3ª a 5ª com 2 meses de recesso mais um de férias, sem contar as licenças, viagens internacionais, ausências consentidas, faltas, moradia "oficial", Uber próprio e até, pasme, uma polícia pra si mesmo ? ? ? ? ? . . . Por que? Por que? Por que?
Novamente pergunto: recebe essa aposentação em troca do que, o distinto Senador, se a única coisa que fez foi de fato não trabalhar?
Presidente (e, agora, Presidenta também) afastado, item, recebe lá o seu naco garantido. E veja: impeachment é como uma "demissão por justa causa" - se Dom Fernandes III me mandar embora por "justa causa", além de não receber o "seguro desemprego", minha aposentação se bagunça no tempo dos condenados ao desemprego. Por que pagamos integralmente o salário de quem "demitimos por justa causa"? É por causa do regime de condução e contratação? Então se o regime de vinculação é eleitoral, o salvo conduto fica garantido até em caso de crime de responsabilidade?
Começando pela completa extinção de qualquer incentivo financeiro pós-mandato de cargos eletivos e comissionados, estaríamos falando de uma reforma previdenciária séria.
Deixemos o regime especial para quem prestou concurso, passou e tomou posse (algo que gera mi-mi-mi no Lula... por que será?). Quem foi eleito não deveria ter direito a um centavo sequer, pois mandato eletivo não é profissão e, em tese, tem tempo para acabar (se bem que a prática nos prova o contrário: basta olhar para o Congresso e chorar cada vez que nos perguntamos - quando isso acabará? quando esse cara vai pra casa e nunca mais vai voltar?? mas ele volta, não e Maluf?). Que tal começarmos essa discussão pelo completo fuzilamento da PSSC (Plano de Seguridade Social do Congressista) com a queima em praça pública da Lei 9.506/97? Lembremos - nenhuma revolução se começa abrindo mão de fuzilamentos e queimas em praça pública: PSSC e Lei 9.506/97 talvez seja um bom começo para fuzilar e queimar preservando pessoas.
Em segundo lugar, as aposentadorias de mandatos eletivos cassados, suspensos, interrompidos por impedimento, enfim, name it, de "demitidos por justa causa" (sobretudo quando a justa causa decorre de improbidade administrativa, rejeição de contas pelo Tribunal de Contas e outras razões que para eles são menores, mas para nós importam bastante): fazem algum sentido???. Por que pagamos a essa turma do "crime de responsabilidade" por algo que eles não deveriam fazer nem nunca jamais ter feito?
E por falar em político e crime..., bem, lembremos de outro regime, esse, em si, fantástico.
Falemos do regime de aposentação dos presidiários e dos condenados a penas superiores a 30 anos (sem prejuízo da lembrança de que o "crime de responsabilidade" é algo, digamos, peculiar em nós - isso é assunto de estagiário e não vamos mais perder tempo com isso).
Embora a nossa lei impeça que um condenado a pena superior a 30 anos de cadeia careça cumprir mais do que isso para que sua situação não se torne um "ergástulo de fato", o Estado vai lá, por ordem legal, e solta o condenado. Temos em nosso sistema um hedge criminal que nem o mais sofisticado derivativo consegue reproduzir sinteticamente. Faz-se a coisa mais absurda do mundo e meu limite de gasto em serviço prisional é imposto por lei: 30 anos. Isso quando não o faça aos 68 e venha com o papo furado de que aos 70 o homem vira um anjo... Enfim, isso são lá, também, outros 500... Voltemos ao número mágico do nosso hedge penal.
Trinta anos depois de serviços no regime prisional ele volta ao nosso convívio nos devolvendo tudo o que aprendeu no "sistema" e, pasme - se quiser, volta... aposentado!!!
Genial!!!
O Brasil é um país genial, estupendo, característico e autor das mais curiosas situações. Essas duas são bons exemplos: os políticos (com destaque para os impedidos) e os condenados (com destaque para aqueles que cometeram crimes gravíssimos).
Já que falamos acima dos políticos, passemos para os condenados a crimes graves, hediondos, feios, horríveis e de "longo termo de serviço".
A lei de execuções penais brasileira garante ao preso, dentro outras coisas, o DIREITO (potestativo, diga-se de passagem) AO TRABALHO (art. 39) e, consequentemente, o acesso ao regime público de PREVIDÊNCIA SOCIAL (art. 41).
São, ao contrário de quem está mandando curriculum por ai (que está sujeito a um regime de expectativa jurídica de trabalho regulada pelo mercado), um verdadeiro direito potestativo que o Estado lhes assegura plenamente. Direito potestativo é quase um poder, digamos assim, pois para exercê-lo basta querer. E a contraparte desse poder (o Estado, no caso) está numa situação de sujeição e tem de cumprir imediatamente com essa querência.
Um preso, se quiser, lança mão da Lei de Execução Penal (uma lei feita só para eles, presos) e exige, qual seja, impõe o seu "direito ao trabalho".
Só um preso pode fazer isso no Brasil. Mais ninguém. Basta ele manifestar verbalmente a sua "vontade de trabalhar". O sistema prisional tem que se virar para arrumar algo para ele fazer. E não poderá deixar de remunerá-lo pelo mínimo do salário em vigor no Brasil, além de dar-lhe o benefício de abater da pena final, 1 dia de condenação para cada 3 trabalhados. Basta ver Zé Dirceu. Foi só falar que deram a ele um passe-livre para circular por Brasília na qualidade de funcionário de alguém. Um preso consegue isso, um "solto" não.
Nesse regime ainda goza o preso da faculdade de ter o seu trabalho formalmente integrado em um regime de previdência e de aposentação certa. Caso o seu tempo de prisão seja asseguradamente 30 anos, qual seja, ao equivalente a uma condenação mínima de 120 anos ou mais, pode entrar desempregado a sair da "cana" aposentado.
Em termos econômicos significa dizer que a única classe "trabalhadora" que goza de pleno emprego absoluto, pois tem um direito potestativo ao trabalho, é a classe trabalhadora dos presidiários (não ria) estejam eles em regime provisório ou definitivo de cumprimento de pena. O provisório ainda mantém seus direitos de voto e pode eleger seus "representantes" para o Congresso, que por sua vez se aposentarão, item, sem trabalhar e representado os presos "provisórios" (mas isso são outros 500 de outros 200...).
Além disso, mantendo a sua empregabilidade (pois pode trocar de emprego na hora que quiser, basta se enfadar com a atividade e pedir para mudar, que o Estado tem obrigação objetiva de atender à troca), sai de seu período no cárcere aposentado, ainda que lhe faltem, em tese, outros 200 anos por crimes que possa ter cometido em menos de 1 semana.
Sim - no Brasil, a única forma de garantir pleno emprego absoluto e aposentaria certa é ser eleito ou ser preso.
Já sei, já sei.... vão dizer que o gasto com essas aposentadorias é marginal (desculpem pelo trocadilho com a terminologia econômica) e a extinção desse regime vai atingir meia dúzia de senadores, alguns deputados e ex-governadores (ou respectivas esposas, quando viúvas), uma quantidade mais razoável de prefeitos, deputados estudais, vereadores e outros tantos comissionados Brasil a fora, ao lado de uma porção mínima de presidiários (neste caso mínima, pois a opção de trabalhar, ainda que garantida na forma de um direito potestativo do preso, não é exercida nem por 5% da população carcerária, o que comprova que somos um país de vagabundos genéticos). Essa parcela pequena de atingidos não faria a economia necessária para as contas fecharem. Sim, fato. Verdadeira nota há.
Ok, ok... Vamos lá. Quem disse aqui que o resto da previdência não merece lá seus reparos? pelo contrário - demos o caminho aqui do sentido desse reparo - começar a trabalhar antes não pode significar passe livre para um "ócio remunerado ultrantecipado". O que disse é que se formos começar a mexer nisso, que tal deixarmos o regime do trabalhador comum por último?
Comecemos pelo ocaso das exceções para ver se a regra, ao final, faz algum sentido.
Fará na parte do trabalho, não da expectativa do ócio. Asseguro isso.
O resto é conversa pra acordar preso e político poder dormir em paz.
terça-feira, 18 de outubro de 2016
Trump: Orange is the New White
Trump candidatou-se a inquilino da Casa Branca. Pelo andar de suas estripulias galanteadoras que vem surgindo nas últimas semanas e pelo julgamento que faz das mulheres como campanha, capaz de acabar ganhando um belo uniforme laranja ao final dessa campanha.
Se, como no post anterior, a Bíblia alertou que o palestrante, como um peixe, morre pela boca, o aspirante a palestrante, assim como o tatu, morre pelo rabo (próprio ou alheio). Vá ao Livro de Jeca, 12, 4 e confira.
Se, como no post anterior, a Bíblia alertou que o palestrante, como um peixe, morre pela boca, o aspirante a palestrante, assim como o tatu, morre pelo rabo (próprio ou alheio). Vá ao Livro de Jeca, 12, 4 e confira.
Morre pela Boca
Dizem que a "empresa" de palestras de Lula perdeu a isenção fiscal porque eventualmente.... falou demais!!!
Já dizia o velho ditado bíblico: "O Palestrante morre pela boca, seja pelo que dela sai, seja pelo que nela entra" (Livro de Judas, 2, 171).
Já dizia o velho ditado bíblico: "O Palestrante morre pela boca, seja pelo que dela sai, seja pelo que nela entra" (Livro de Judas, 2, 171).
FLAGRA: Michel, FHC e Jucá juntos
Nosso sempre atento repórter fotográfico capturou este debate entre o Presidente Michel Temer Burns, seu assecla Romero Smither Jucá e seu conselheiro FH(omer)C.
Discutiram coalizão, união, prisão... Nada do que não saibamos ou desconfiemos...
Discutiram coalizão, união, prisão... Nada do que não saibamos ou desconfiemos...
Assinar:
Postagens (Atom)











