Caderno de Cultura
por Dionísio Crátino
Por algum tempo, "Corações Sujos" de Fernando Morais esteve na lista. Pela desimportância do tema e pela insignificância literária de seu autor, foi parar no fim da fila.
Eis que a fila andou e chegou a vez dele.
Li. Como previsto, nada mudou na minha vida. Daria para ter chegado a estas conclusões por outros caminhos, mas, confesso, as conclusões pelo caminho dos "Corações Sujos" foram de certa forma interessantes.
Na linha do que Morais já fez alhures, é uma pesquisa jornalística nitidamente terceirizada, cujos dados foram levados a um gabinete, copideskados, cortados e editados. Depois de uns 100 artiguinhos de jornal, tudo é compilado e transformado em um livro. Eis a "técnica literária" que me transpareceu dessa "obra" e que virou o Jabuti de casco para baixo.
O livro não tem uma personagem central, um argumento, uma história, um foco narrativo, bem ao contrário do que ele tentou fazer em "Olga" e em "Chatô".
É um apanhado de atitudes estúpidas elevadas a um tom pseudo-literário com ares de jornalismo investigativo, francamente confundido com o tom de uma coluna social misturada a recortes de páginas policiais antigas.
Não me leve a mal, leitor - o livro não é de todo ruim, mas o fato de não ser significante traz um alerta de aprendizado importante.
A parte as falhas de estilística e a completa indefinição de gênero (sem contar nos erros de conceito e conteúdo), há algo no trabalho que chama a atenção: é um apanhado de trezentas e poucas páginas com relatos e fotos para alçar a um patamar de destaque, certo aspecto extremamente negativo da cultura japonesa no Brasil.
Nas palavras de Umakakeba Sensei, em uma de suas raríssimas entrevistas para a grande mídia, "ignorância" é a melhor definição para o evento que Morais dedica páginas e páginas.
Qual a tese de Morais?
Quais as suas intenções ao dar holofote a um evento que durou pouco mais de um ano e trouxe aspectos negativos baseados numa ignorância cuja amplitude começava nas delegacias de polícia, passava por dentro da própria Colônia e foi parar na Constituinte de 1946 em um dos atos de preconceito racial mais toscos e vergonhosos da historia do Brasil?
O que se pretende quando dedica páginas e páginas para algo negativo dentro de um universo repleto de valores e aspectos positivos e que falta tanto aos brasileiros hoje?
Eis ai o maior defeito do livro: não há valores, não há nada "edificante", nenhuma mensagem positiva.
Trata-se de uma obra "desconstrutiva".
Mas inclusive nas obras de "desconstrução", é necessário sinalizar o que "vem depois".
"A Insustentável Leveza do Ser", de Kundera ou "O Mestre e a Margarita", de Bulgakov ou mesmo no "Brave New World" de Huxley há desconstrução, para construir ao fim. Se a desconstrução não busca ver valores nas ruínas, como fazia Borges, o trabalho se torna mero vandalismo literário ou, no caso dos "Corações Sujos", um vandalismo em palavras, narrador de um vandalismo de ações.
"Corações Sujos" promove um enorme desserviço à cultura japonesa em São Paulo: umas das únicas coisas que prestam neste país e lá vem o seu autor/editor Morais jogando um balde de fezes em palavras sobre tanta coisa importante que essas pessoas da cultura nipo-brasileira nos oferecem gratuitamente todos os dias desde que pisaram aqui pela primeira vez.
O foco narrativo poderia muito bem ter sido dado a partir dos makegumi, mas não - quis ele que o enfoque viesse a partir do tokkotai. Pior: a investigação das origens, dos valores que esses tokkotai defendiam, de onde vieram, quem eram no Japão, a qual estrato social pertenciam - tudo isso não merece sequer uma nota de fim de texto.
Morais transparece de forma absoluta ingênua (para não dizer, preconceituosa ao modo de Miguel Couto) de que tudo aquilo veio do nada, aqui no Brasil, assim, mais que de repente, num passe de mágica.
Esquece-se ou desconhece que essa colonia que o livro dividiu entre "derrotistas'' e "imperialistas" já vinha carregando chagas muito sérias desde o início da Dinastia Meiji. Com o Kasatu Maru, essas chagas vieram bem embarcadas.
Mas a ideia de Morais parece ser "falar mal" da cultura nipo-brasileira, mas com dados e argumentos: coisa de jornalismo investigativo de médio ou baixo estrato. Desconstrução pura, sem qualquer traço de positividade (ou mesmo de positivismo...).
E isso, como dissemos, é uma característica marcante dos trabalhos de Fernando Morais: não o condenemos por isso. São relatos que oscilam o estilo de uma coluna social, com páginas policiais e algumas notas políticas rasteiras para tentar pôr em xeque algo ou alguém, sem nada a apresentar em seu lugar. Morais fez isso em Olga e fez isso em Chatô. Conta coisas óbvias e detalhes típicos de uma coluna social sem importância, deixando de lado valores que poderiam ser explorados. Talvez Olga tenha algo construtivo aqui ou acolá, mas, vamos admitir: é muito pouco quando queremos falar dos desdobramentos do Holocausto Judeu no Brasil e da figura lateral do "Nosso Nazista Favorito", o medíocre ditador Getúlio Vargas, que em Olga ganha tintas de um "Charada Brasileiro" (com a licença de Supla, o usurpador da indecência antagonista).
E para que não me achem injusto por tentar comparar Morais a Kundera, Bulgakov ou Huxley, trago aqui duas biografias infinitamente superiores aos passatempos de Morais: "Mauá" e "Estrela Solitária". Em ambas há esse cuidadoso trabalho com os valores em jogo ao lado da pesquisa aprofundada sobre a vida e os fatos da vida de uma personagem. Em "Mauá" esse trabalho é óbvio pois não apenas os detalhes pessoais e alguns fatos da vida são explorados por Jorge Caldeira, mas sobretudo o que pensava Irineu, como pensava, o que queria e, sobretudo, quais valores deixou para nós, brasileiros. Num patamar categórico menor, "Estrela Solitária" captura uma personagem aparentemente simples e, no estilo já consagrado de Ruy Castro, nos toca (com valores) sobre a complexidade de se viver com simplicidade: a Bossa Nova de Ruy Castro é constante, o que se vê também no "Chega de Saudade". (E no afã de não ser injusto com Morais, acabei o sendo com Ruy Castro e Jorge Caldeira... é a vida...).
E nessa ideia de construir por valores, até o simplório e risível Paulo Coelho faz trabalho melhor do que Morais. José Sarney, eternizado pela críticas de Millôr Fernandes, igualmente tenta, ao menos, falar bobagens com valores imbuídos.
Valores.
Isso não há em "Corações Sujos".
Algo que poderia ser explorado, pois do outro lado da Shindo Renmei há os que venceram esse embate da ignorância, "acreditando" na derrota. Fiquei esperando por isso, e mesmo chegando à última linha, me senti credor dessa ponderação, que o autor não faz.
Mas entendo perfeitamente porque não o fez.
Morais não o fez porque demonstra no livro que não tem a menor compreensão de como funciona a cultura japonesa. Nem ele, nem os estagiários que o auxiliaram na "pesquisa".
Desde erros crassos conceituais em não ter a menor noção do que é um ronin até detalhes absurdos descritos em "lutas corporais" nas quais as personagens são descritas como "faixa preta disso", "mestre daquilo" e outras tolices gigantescas, Morais não mostra esse outro lado: daqueles que venceram acreditam na derrota. No grosso e no seu bottom line, o livro é um arco de preconceitos, uma louvação de lugares-comuns, não apenas como o "faixa preta", mas também o "harakiri", o "tintureiro", o "japonês putanheiro", o "misógino" e outras imbecilidades que já contam com mais de 100 anos de repetição nestas terras. E nesses pontos, o livro é um abissal desserviço a cultura japonesa no Brasil.
A maior lição da Shindo Renmei e da pureza da cultura japonesa verdadeiramente Samurai é completamente deixada de lado numa obra que se preocupa mais com os ignorantes tokkotai do que com a riqueza de tantos outros Samurais nipobrasileiros que legam até hoje um exemplo de trabalho, seriedade, respeito, circunspecção e compaixão. A lição da Shindo Renmei está fora dela, está exatamente naquilo que ela dizia combater. O próprio espírito da Shindo é consagrado (o yamato-tamashii ou o yamato-gokuro, a saber, o "espírito da grande harmonia"), na realidade, por suas vítimas. Eis a lição verdadeira da Shindo Renmei: vencer acreditando na derrota; vencer pela força do outro.
De certa forma, Morais ainda reproduz o proselitismo do espírito antinipônico daquela época, vazado em jornais e panfletinhos regionais dos anos 1940 (alguns deles dirigidos até pelo controverso Samuel Wainer, um típico "blogueiro do Getulismo"), com ares de "jornalismo investigativo" sem ao menos confrontar uma linha sequer daqueles documentos que lhe chegaram as mãos: além dos panfletinhos, boletins de ocorrência e relatórios do DOPS e outras peças ou fontes que passam longe do conceito de imparcialidade que se procura em um jornalista.
Não sei se me fiz claro, mas o livro não é de todo uma perda de tempo, desde que se tenha em mente tudo aquilo que não vai ser encontrado nele e principalmente no que diz respeito à maior falha jornalística de todas: não ouvir atentamente o outro lado.
Mas mais importante que isso --- a Shindo Renmei descrita por Morais está, salvo as devidas proporções, repetindo sua história nos dias de hoje: refiro-me ao PT e às "esquerdas" e a sua turma do "cospe-cospe".
O PT é hoje o que a Shindo Renmei foi naqueles idos de 1946 e 1947: não apenas a ignorante e fanática crença de que não foram derrotados, mas a estigmatização como "coxinhas", "reacionários", "fascistas" e outras pechas de "coração sujo" herdadas do discurso de campanha dilmista/santanista do "nós contra eles", que são aplicadas e replicadas hoje àqueles que já se conformam e acreditam que o PT acabou e a aventura de 18 Brumário bolivariana chegou definitivamente ao fim, é de semelhança gigantesca com as pichações feitas em Bastos e Tupã na casa dos japoneses "traidores da pátria", os makegumi.
Hoje são os blogs patrocinados que "picham" a "casa virtual" dos incrédulos, dos "coxinhas", dos "reacionários", dos "fascistas", dos "makegumi da direita", numa atitude, digamos, .... fascista... e em nome daquilo que o outro lado chama de "petralhas", "mortadelas" e elogios que tais.
Eis a lição interessante do Shindo Renmei para o PT de hoje, que se não cometeu, como aquele, disparos a bala contra descrentes, tendo os trocado por disparos a cuspe, tem todas as características de "ignorância" que marcou a reação aos incrédulos; com a única diferença, entretanto, para o caso japonês - no caso atual ninguém admite a existência de uma derrota e de uma necessidade de construção: todos acham que venceram quando, na verdade, de vitória em vitória, por lado a lado, vemos caminhando na derrota geral de índios contra índios.
Jornalismo Instigativo Clássico Pós-Moderno...................................... LIVRE COMO UM TÁXI, OCUPADO COMO UM UBER @DiarioBolaPreta
terça-feira, 26 de abril de 2016
segunda-feira, 18 de abril de 2016
Políticos e Bankers
Caderno de Empresas
por Bill Taney
Olá meus fiéis leitores!
Antes de seguir na linha editorial de outrora sobre presentes, gostaria de aproveitar o momentum e falar dessas figuras fantásticas que são os políticos, sobretudo os congressistas.
Essa categoria profissional nasce na mesma maternidade que os bankers, mas por alguma razão, acabam esses seres indo parar em prédios distintos, merecem hoje uma atenção especial deste especialista em mundo corporativo que vos escreve.
Esses dois, mesmo tendo nascido da mesma mãe e indo morar em prédios distintos, um falando mal do outro, temos que convir, tratam-se dos mesmos seres praticamente. São irmãos gêmeos univitelinos.
Senão, vejamos.
Tanto um quanto outro atendem os mesmos clientes.
Ambos tem um salário fixo que não é ruim e são muito parecidos em valores, mas ganham bonificações esdrúxulas e estrondosas que ninguém consegue explicar a razão ou a origem.
Ambos fingem que trabalham e se acusam de vagabundagem.
Ambos têm rotina diária idêntica: acordam tarde, fazem "preguicinha" na cama até umas 10 da manhã. Tomam banho demorado e demoram mais ainda para se arrumar. Usam ternos com belos cortes e gravatas compradas em free shop (Ferragamo, Hermés ou Zegna), mas que nas combinações, acabam resultando em desastre identificável a quilômetros de distância. Ambos já têm 4 almoços marcados para aquele dia com pessoas diferentes (sempre um congressista, um banqueiro, um advogado e um empresário). Para escolher, esperam que alguém dê alguma desculpa para desmarcar, o que normalmente ocorre com 2 das opções confirmadas pela secretária para aquele dia. Entre um e outro, vai ele escolher com quem quer filar a bóia do dia, enquanto que o outro receberá o torpedo de "me enrolei, fica pra próxima", alimentando assim o mercado de balcão dos "bolos em almoço" e girando as "ausências justificáveis" que facilitam as escolhas dos que tomaram o bolo. Fazem o almoço do meio-dia as 15 em restaurante caro (sempre os mesmos estabelecimentos). Quase sempre dizem que estão de dieta mas que abrirão uma exceção e tomarão um Chateau Caraglio naquele dia, porque o interlocutor é especial. Passam as 3 horas e pouco do almoço mentindo sobre si, sobre o Brasil, sobre o respectivo gabinite, sobre tudo, sobretudo. Mas arracam, na mentira do outro lado, algum factóide dourado na forma de "informação quentinha". Essa técnica de obter informação os economizam de ler jornais (ler é chato) e os colocam em vantagem sobre os que lêem: estarão sempre a frente da notícia lida pelo incauto por força de seus superiores contatos. Vão de táxi ou carona até os respectivos gabinetes "espalhar" a notícia-factóide obtida em primeira mão, mas sempre pedindo "reserva" e dizendo que a informação é "em off" ou "só pra você". Repetem a tarde fazendo isso ao vivo, ao fone, por email, por torpedo, por whatsapp. Entram em reunião, sessão parlamentar, town hall ou o cacete que o valha, no fim de tarde ou, em certos casos, entram em um "conference call", "steerring call" e continuam, durante o evento, sem prestar a mínima atenção no que é dito, repassando a "notícia exclusiva" por meio de gadgets grampeados pela Polícia Federal. As 6 da tarde movem as equipes para trabalhar naquela madrugada. No caso dos bankers, pedem uma minuta de contrato asap, urgente; no caso dos congressistas, uma minuta de edital ou um projeto de portaria ou mesmo um contrato na mão inversa. Dada a ordem para fazer algo que, no dia seguinte, não vai dar em nada (essa técnica chama-se de "gastronomia molecular empresarial" - muita espuma e pouco conteúdo, para aplicar no escritório o que aprenderam no almoço sobre o tema), espalham ainda meia dúzia de recomendações, feedbacks ou elogios falsos e seguem para o jantar. Repetem o ritual do almoço e terminam a noite em casa na privada de tampo almofodado ou numa boate qualquer.
A atividade econômica que exercem, item, é a mesma, mas em lados do garfo diferentes.
Podemos notar também que a utilidade da função é igualmente equivalente: só se metem nos assuntos porque detém um monopólio - no caso dos congressistas, algum monopólio legal ou legislativo, no caso dos bankers, algum monopólio funcional que exige, via CVM ou Bacen, a presença de uma instituição financeira, que o banker diz se confundir com ele, assim como o congressista faz o interlocutor confundi-lo com o próprio presidente da república.
Sem eles, o mundo seria infinitamente melhor, mas, convenhamos, muito menos divertido! Eles são os nossos Minions prediletos: serviçais de algum Malvado Favorito e que, de uma forma ou de outra, nos fazem rir, ainda que cobrem caro por isso.
Nunca tiram férias, mas estão sempre viajando (a trabalho, lógico!) - sempre de jatinho, primeira classe, algo que o valha, pago sempre pelo mesmo cartão corporativo do empresário trouxa. Na maioria das vezes levam a família ou a amante ou vice-versa e fazem desse evento de trabalho algo muito mais divertido do que férias com a própria grana (o que explica porque nunca tiram, como os cidadãos normais, as tais "férias do próprio bolso"). E ainda conseguem sempre dizer que estão exaustos de tanto trabalhar, há mais de 10 anos sem tirar férias e por ai vai. Ambos.
Eles dizem que o pouco de bom da nossa economia pode se valer do esforço deles e o muito de ruim, pela atividade do outro, no que estão certos e errados ao mesmo tempo e vice-versa.
Bankers e congressistas, ambos políticos, no primeiro caso de natureza privada, no segundo de natureza pública, sempre se confundem e acabam invadindo a esfera não ocupada pelo outro - já vi bankers que atuam na esfera pública sem o menor constrangimento com que, item, inexiste nos congressistas que atuam com a mesma desenvoltura na esfera privada.
A cada vinte anos lembramos que eles existem e vez o outra, temos que nos socorrer de um impeachment, de uma moratória, de uma Emenda Constitucional, da votação de uma MP, de um downgrade ou de um investement grade enhancement, de um M&A, de um IPO, enfim.... Mas enquanto essas coisas não acontecem, a vida segue nessa rotina, com essas funções e inutilidades práticas que oscilam entre restaurentes e repasses telemáticos de meias-mentiras, seguidas das mesmas viagens nos mesmos vôos, cidades e hotéis e, sobretudo, com os mesmos bônus na casa dos milhões, depositados nos mesmos bancos nas mesmas offshores, todo santo fevereiro...
por Bill Taney
Olá meus fiéis leitores!
Antes de seguir na linha editorial de outrora sobre presentes, gostaria de aproveitar o momentum e falar dessas figuras fantásticas que são os políticos, sobretudo os congressistas.
Essa categoria profissional nasce na mesma maternidade que os bankers, mas por alguma razão, acabam esses seres indo parar em prédios distintos, merecem hoje uma atenção especial deste especialista em mundo corporativo que vos escreve.
Esses dois, mesmo tendo nascido da mesma mãe e indo morar em prédios distintos, um falando mal do outro, temos que convir, tratam-se dos mesmos seres praticamente. São irmãos gêmeos univitelinos.
Senão, vejamos.
Tanto um quanto outro atendem os mesmos clientes.
Ambos tem um salário fixo que não é ruim e são muito parecidos em valores, mas ganham bonificações esdrúxulas e estrondosas que ninguém consegue explicar a razão ou a origem.
Ambos fingem que trabalham e se acusam de vagabundagem.
Ambos têm rotina diária idêntica: acordam tarde, fazem "preguicinha" na cama até umas 10 da manhã. Tomam banho demorado e demoram mais ainda para se arrumar. Usam ternos com belos cortes e gravatas compradas em free shop (Ferragamo, Hermés ou Zegna), mas que nas combinações, acabam resultando em desastre identificável a quilômetros de distância. Ambos já têm 4 almoços marcados para aquele dia com pessoas diferentes (sempre um congressista, um banqueiro, um advogado e um empresário). Para escolher, esperam que alguém dê alguma desculpa para desmarcar, o que normalmente ocorre com 2 das opções confirmadas pela secretária para aquele dia. Entre um e outro, vai ele escolher com quem quer filar a bóia do dia, enquanto que o outro receberá o torpedo de "me enrolei, fica pra próxima", alimentando assim o mercado de balcão dos "bolos em almoço" e girando as "ausências justificáveis" que facilitam as escolhas dos que tomaram o bolo. Fazem o almoço do meio-dia as 15 em restaurante caro (sempre os mesmos estabelecimentos). Quase sempre dizem que estão de dieta mas que abrirão uma exceção e tomarão um Chateau Caraglio naquele dia, porque o interlocutor é especial. Passam as 3 horas e pouco do almoço mentindo sobre si, sobre o Brasil, sobre o respectivo gabinite, sobre tudo, sobretudo. Mas arracam, na mentira do outro lado, algum factóide dourado na forma de "informação quentinha". Essa técnica de obter informação os economizam de ler jornais (ler é chato) e os colocam em vantagem sobre os que lêem: estarão sempre a frente da notícia lida pelo incauto por força de seus superiores contatos. Vão de táxi ou carona até os respectivos gabinetes "espalhar" a notícia-factóide obtida em primeira mão, mas sempre pedindo "reserva" e dizendo que a informação é "em off" ou "só pra você". Repetem a tarde fazendo isso ao vivo, ao fone, por email, por torpedo, por whatsapp. Entram em reunião, sessão parlamentar, town hall ou o cacete que o valha, no fim de tarde ou, em certos casos, entram em um "conference call", "steerring call" e continuam, durante o evento, sem prestar a mínima atenção no que é dito, repassando a "notícia exclusiva" por meio de gadgets grampeados pela Polícia Federal. As 6 da tarde movem as equipes para trabalhar naquela madrugada. No caso dos bankers, pedem uma minuta de contrato asap, urgente; no caso dos congressistas, uma minuta de edital ou um projeto de portaria ou mesmo um contrato na mão inversa. Dada a ordem para fazer algo que, no dia seguinte, não vai dar em nada (essa técnica chama-se de "gastronomia molecular empresarial" - muita espuma e pouco conteúdo, para aplicar no escritório o que aprenderam no almoço sobre o tema), espalham ainda meia dúzia de recomendações, feedbacks ou elogios falsos e seguem para o jantar. Repetem o ritual do almoço e terminam a noite em casa na privada de tampo almofodado ou numa boate qualquer.
A atividade econômica que exercem, item, é a mesma, mas em lados do garfo diferentes.
Podemos notar também que a utilidade da função é igualmente equivalente: só se metem nos assuntos porque detém um monopólio - no caso dos congressistas, algum monopólio legal ou legislativo, no caso dos bankers, algum monopólio funcional que exige, via CVM ou Bacen, a presença de uma instituição financeira, que o banker diz se confundir com ele, assim como o congressista faz o interlocutor confundi-lo com o próprio presidente da república.
Sem eles, o mundo seria infinitamente melhor, mas, convenhamos, muito menos divertido! Eles são os nossos Minions prediletos: serviçais de algum Malvado Favorito e que, de uma forma ou de outra, nos fazem rir, ainda que cobrem caro por isso.
Nunca tiram férias, mas estão sempre viajando (a trabalho, lógico!) - sempre de jatinho, primeira classe, algo que o valha, pago sempre pelo mesmo cartão corporativo do empresário trouxa. Na maioria das vezes levam a família ou a amante ou vice-versa e fazem desse evento de trabalho algo muito mais divertido do que férias com a própria grana (o que explica porque nunca tiram, como os cidadãos normais, as tais "férias do próprio bolso"). E ainda conseguem sempre dizer que estão exaustos de tanto trabalhar, há mais de 10 anos sem tirar férias e por ai vai. Ambos.
Eles dizem que o pouco de bom da nossa economia pode se valer do esforço deles e o muito de ruim, pela atividade do outro, no que estão certos e errados ao mesmo tempo e vice-versa.
Bankers e congressistas, ambos políticos, no primeiro caso de natureza privada, no segundo de natureza pública, sempre se confundem e acabam invadindo a esfera não ocupada pelo outro - já vi bankers que atuam na esfera pública sem o menor constrangimento com que, item, inexiste nos congressistas que atuam com a mesma desenvoltura na esfera privada.
A cada vinte anos lembramos que eles existem e vez o outra, temos que nos socorrer de um impeachment, de uma moratória, de uma Emenda Constitucional, da votação de uma MP, de um downgrade ou de um investement grade enhancement, de um M&A, de um IPO, enfim.... Mas enquanto essas coisas não acontecem, a vida segue nessa rotina, com essas funções e inutilidades práticas que oscilam entre restaurentes e repasses telemáticos de meias-mentiras, seguidas das mesmas viagens nos mesmos vôos, cidades e hotéis e, sobretudo, com os mesmos bônus na casa dos milhões, depositados nos mesmos bancos nas mesmas offshores, todo santo fevereiro...
Maluf Vota SIM
"Pela Imigrantes, pela Trabalhadores, pelo Minhocão, pela Radial Leste, pela Bandeirantes... eu VOTO SIM"....
- Acho que tem um traidor me encochando na fila da merenda....
Editorial
As razões do 17 de abril
por Dom Fernandes III
Nossa ágil cobertura política, há tempos atrás, advertiu que o resultado de 17 de abril seria movido por traição.
Dito e feito: parabéns ao nosso editor de política, o hábil Cícero.
Este Editorial, entretanto, não quer por ora olhar para o futuro. O futuro ao Oráculo pertence.
Cabe agora jogar a "pá de cal" neste tema, estabelecendo aqui as causas que levaram a nossa Presidenta Dilma Vana Roussiffo à situação constatada ontem.
Reafirmamos aqui que o posicionamento deste jornal sempre foi CONTRA O IMPEACHMENT.
Ainda achamos que esse processo contraria a natureza da nossa sensacional mandatária.
E é sobre essa natureza que reinam as causas do resultado de antanho, motivo central do Editorial de hoje.
Nossa Presidenta preside o país com uma característica não tanto incomum, mas certamente difícil de ser encontrada nessa forma pura e cristalina em um único ser senciente humano (nos sencientes não humanos é mais fácil).
E que característica seria essa?
É aquilo que o Doutor Pangloss, nosso Editor do Caderno de Saúde, ensinou, com base em doutrina médica segura, se chamar Estupidez Absoluta.
A Estupidez (com "e" maiúsculo) para muitos é uma doença, para outros um incomôdo, para alguns apenas um traço da personalidade. Para estes últimos, quando misturada com outros elementos, pode até se tornar uma vantagem competitiva em relação a outros seres sencientes (humanos e não humanos).
Vejamos o caso de Forrest Gump. Ele é um estúpido. Isso até faz parte de sua cinebiografia em várias passagens do roteiro. Mas trata-se de uma estupidez impura, pois vai amalgamada com outras características como a pureza de espírito, a bondade, a determinação, a boa memória e, porque não lembrar, no caso desse contador de histórias, a sorte - ele era o homem certo no lugar certo na hora certa. Forrest Gump é um estúpido da mesma estirpe de Raymond Babbit. Diríamos até que são a mesma pessoa, mas feitas de formas diferentes por gênios e agudezas distintas: D. Hofmann e T. Hanks encarnaram, ao seus respectivos gênios, essa estupidez singular. Assim inaugurou esse gênero de "estúpido amável" o intrépido Rocky Balboa, algo como um Raymond Bobbit ou Forrest Gump do boxe.
E por falar em Rocky, há outros casos em que a estupidez é misturada com brutalidade, fúria, revanchismo, tenência e até determinação: John Rambo, esse complexo herói de guerra, é um grande estúpido mas que agrega à sua estupidez algumas características que chegam até a desembocar (vejam que curioso!!) no patriotismo e na compaixão de quem o olha com mais atenção. Vejamos: é o Incrível Hulk quando está verde - Hulk e Rambo são a mesma pessoa, só que um é interpretado a partir da reversão da estupidez de Rocky onde doses elevadas de fúria entram em substituição da pureza de espírito enquanto que o outro é feito por Lou Ferrigno, o imortal (dispensados comentários), tornando hoje esse Hulk apenas possível se feito em computador, tamanha a perfeição dessa estupidez furiosa criada por Lou, o imortal. Maximus Decimus Meridius elevou essa estupidez reativa e vingativa aos padrões estilísticos de um Homero moderno - por um tris Maximus quase nos engana e se faz passar por um não-estúpido. Mas com Maximus a impureza de sua estupidez, misturada a tantos outros elementos, nos faz com que o gênio de Crowe tenha permitido escamotear a estupidez de Maximus ao ponto de passar quase desapercebida.
Há aquela estupidez bárbara, ainda. A estupidez "quase pura" (quasae purius), mas que é ainda misturada terrivelmente com burrice e um pouco de cafajestagem. É o caso de Otis, o misterioso auxiliar de Lex Luthor de Gene Hackman, que orbita (aquele, não este) na mesma linha de Karas, o auxiliar de Doutor Gori. Otis e Karas são a mesma pessoa, com o mesmo grau de estupidez parva que os aproxima das feras, mas, por alguma razão que fingem desconhecer, ainda os deixa entre os humanos (sim, Karas é mais humano do que os "estúpidos puros"): eles estão o tempo todo querendo pensar. Justamente porque são liderados por gênios incontestes (Doutor Gori e Lex Luthor são a mesma pessoa), o esforço de aproximação estratégica causado pela proximidade física gera falhas nas execuções de ordens, alocando-os na categoria dos estúpidos burros. São os estúpidos que fazem tolices porque pensam demais e, nesses casos, pensar não seria o forte deles.
Mas a estupidez de Dilma não é de nenhuma dessas categorias. A ela falta a bondade de Ray ou de Gump, a fúria aquilínea de Rambo ou do Doutor Banner tornado Hulk e, por fim, a genialidade de um condutor como Luthor ou Gori a quem prestam contas de suas cretinices e que poderia faze-la pensar e errar pelo esforço do próprio pensamento inoportuno, tornando-a uma estúpida bárbara.
No caso da estupidez modelar de Gump, não a vemos em Dilma, pois nem o elemento sorte, nem o azar geraram efeito: o lugar sempre será esse e a hora poderá ser qualquer, para quem deseja a presidência (ainda que de uma república "meia boca" como esta, assim tornada ao longo dos últimos 500 anos). Mas dizer que ela foi (está sendo) a pessoa errada para esse espaço-tempo é subestimar as causas relacionadas com a sua Estupidez Absoluta. Ela de fato ostenta de maneira única na história do mundo o que Doutor Pangloss chama de "Estupidez Absoluta". Isso ocorre pois não há nada mais do que a puríssima estupidez em seus atos.
Dilma é verdadeiramente um material orgânico de baixo impacto preenchido única e exclusivamente com estupidez em forma sólida, líquida e gasosa. Tudo por baixo de sua pele é estupidez. Recentemente até se pensou em incluir a estupidez na tabela periódica (Ez119). Diz-se até que o ditador da Coreia do Norte já fez a sua perigosíssima Bomba de Ez para sair soltando por ai. Mas esse é outro assunto. Voltemos à fantástica Presidenta, pois.
Em Dilma não há maldade, não há bondade, não honestidade, não há desonestidade, não castidade, não há prudência, não há tenência, não há ciência, não há sabadoria, não há sapiência, não há raciocínio, não há intenções, não há reações, não há falas, não há pensamentos, não há ações, não há fúria, não há patriotismo, não há direita, não há esquerda, não há centro, não há humor, não há mau humor, não há ortodoxia econômica, não há matrizes econômicas novas ou velhas, não há proteínas, nem fezes, nem secreções... Há a mais pura.... ESTUPIDEZ - Ez119 em estado bruto, puro, organicamente organizado, assentado e manifestante de seus estados cabalísticos e elementares.
Essa estupidez pura e absoluta, em estado tal qual encontrado na natureza na forma mais intacta em sem qualquer mistura, manifesta-se por meio de sons, períodos em português inventados por ela própria, passos e movimentações simples (algumas sob duas rodas, o que mostra ser um estágio avançado de estupidez pura, pois ela é capaz de se equilibrar sob duas rodas alinhadas). Nada mais.
Assim impera a estupidez em grau absoluto e sem misturas humanas ou sentimentais, mas com grande respaldo na "sociedade humana" dos seres sencientes.
Os últimos casos em que esse tipo de estupidez foram estudados, ocorreram em um Pônei de festa junina (aqueles jegues anões que chamamos docilmente de "pôneis") e em babuínos da África Central. Nesses casos houve grande semelhança com Dilma. Os pôneis ficam lá, tirando fotos com quem lhes sobe ao lombo, por ordem do dono. Recebem os quermesseanos no lombo a contragosto, emitem sons, grunhem... mas saem na foto, não arredam pé do cenário da Piazza San Marco pintado no biombo atrás deles, cagam sem sair do lugar, ficam ali ruminando a dieta e esperando o tempo passar. Se alguém vem passar a mão neles, reajem; se passam na frente em seu campo de visão, reajem; se riem em sua proximidade, reajem. É estupidez pura, absoluta, sem maldade nem bondade. Ela ocorre. Acontece. Se manifesta.
Os babuínos também, ficam ali sentadinhos, esperando o tempo passar, curtindo apenas o ciclo interno da renovação da estupidez absoluta. Não fazem nada, não se socializam, mas aceitam andar num certo bando por pura comodidade ("sociedade não humana", no entender de certos estúpidos), emitem sons vez ou outra, olham bravos e fingem doçura quando estão com fome, enfim - estupidez total e sem misturas ou queixumes.
Freddo Corleone, entre nós, esteve bem próximo disso e certamente teria chegado lá se Uncle Michael não o tivesse escalado para rezar Ave Maria no Lake Tahoe.
David Luiz, nosso grande zagueiro, está também próximo da graduação olímpica da estupidez total, ao passo que Felipe Melo seria um ótimo Ministro do Esporte para o finado governo Dilma, dada a similitude de graus de "Estupidez Absoluta" de ambos.
Sabemos todos nós que temos um exemplo assim em nossa cabeça quando saímos procurando cases de sucesso em estupidez: alguma portaria, alguma corporação, alguma aldeia, alguma repartição, algum congressista, alguém da família - enfim, temos lá os nossos exemplos dílmicos de "estupidez absoluta". Mas temos que convir que nesse grau de pureza, só ELA, a nossa Presidenta, foi capaz de atingir sozinha, sem ajuda e com esforços e méritos próprios e exclusivos.
Assim, à nossa mandatária, o nosso parabéns pelo resultado de ontem!!!
Continue assim, Presidenta!!!!!
Claudio a espera no Olimpo quando Vossa Excelência perpetrar a sua final e derradeira Apocolocyntosis Divi Dilmii!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
por Dom Fernandes III
Nossa ágil cobertura política, há tempos atrás, advertiu que o resultado de 17 de abril seria movido por traição.
Dito e feito: parabéns ao nosso editor de política, o hábil Cícero.
Este Editorial, entretanto, não quer por ora olhar para o futuro. O futuro ao Oráculo pertence.
Cabe agora jogar a "pá de cal" neste tema, estabelecendo aqui as causas que levaram a nossa Presidenta Dilma Vana Roussiffo à situação constatada ontem.
Reafirmamos aqui que o posicionamento deste jornal sempre foi CONTRA O IMPEACHMENT.
Ainda achamos que esse processo contraria a natureza da nossa sensacional mandatária.
E é sobre essa natureza que reinam as causas do resultado de antanho, motivo central do Editorial de hoje.
Nossa Presidenta preside o país com uma característica não tanto incomum, mas certamente difícil de ser encontrada nessa forma pura e cristalina em um único ser senciente humano (nos sencientes não humanos é mais fácil).
E que característica seria essa?
É aquilo que o Doutor Pangloss, nosso Editor do Caderno de Saúde, ensinou, com base em doutrina médica segura, se chamar Estupidez Absoluta.
A Estupidez (com "e" maiúsculo) para muitos é uma doença, para outros um incomôdo, para alguns apenas um traço da personalidade. Para estes últimos, quando misturada com outros elementos, pode até se tornar uma vantagem competitiva em relação a outros seres sencientes (humanos e não humanos).
Vejamos o caso de Forrest Gump. Ele é um estúpido. Isso até faz parte de sua cinebiografia em várias passagens do roteiro. Mas trata-se de uma estupidez impura, pois vai amalgamada com outras características como a pureza de espírito, a bondade, a determinação, a boa memória e, porque não lembrar, no caso desse contador de histórias, a sorte - ele era o homem certo no lugar certo na hora certa. Forrest Gump é um estúpido da mesma estirpe de Raymond Babbit. Diríamos até que são a mesma pessoa, mas feitas de formas diferentes por gênios e agudezas distintas: D. Hofmann e T. Hanks encarnaram, ao seus respectivos gênios, essa estupidez singular. Assim inaugurou esse gênero de "estúpido amável" o intrépido Rocky Balboa, algo como um Raymond Bobbit ou Forrest Gump do boxe.
E por falar em Rocky, há outros casos em que a estupidez é misturada com brutalidade, fúria, revanchismo, tenência e até determinação: John Rambo, esse complexo herói de guerra, é um grande estúpido mas que agrega à sua estupidez algumas características que chegam até a desembocar (vejam que curioso!!) no patriotismo e na compaixão de quem o olha com mais atenção. Vejamos: é o Incrível Hulk quando está verde - Hulk e Rambo são a mesma pessoa, só que um é interpretado a partir da reversão da estupidez de Rocky onde doses elevadas de fúria entram em substituição da pureza de espírito enquanto que o outro é feito por Lou Ferrigno, o imortal (dispensados comentários), tornando hoje esse Hulk apenas possível se feito em computador, tamanha a perfeição dessa estupidez furiosa criada por Lou, o imortal. Maximus Decimus Meridius elevou essa estupidez reativa e vingativa aos padrões estilísticos de um Homero moderno - por um tris Maximus quase nos engana e se faz passar por um não-estúpido. Mas com Maximus a impureza de sua estupidez, misturada a tantos outros elementos, nos faz com que o gênio de Crowe tenha permitido escamotear a estupidez de Maximus ao ponto de passar quase desapercebida.
Há aquela estupidez bárbara, ainda. A estupidez "quase pura" (quasae purius), mas que é ainda misturada terrivelmente com burrice e um pouco de cafajestagem. É o caso de Otis, o misterioso auxiliar de Lex Luthor de Gene Hackman, que orbita (aquele, não este) na mesma linha de Karas, o auxiliar de Doutor Gori. Otis e Karas são a mesma pessoa, com o mesmo grau de estupidez parva que os aproxima das feras, mas, por alguma razão que fingem desconhecer, ainda os deixa entre os humanos (sim, Karas é mais humano do que os "estúpidos puros"): eles estão o tempo todo querendo pensar. Justamente porque são liderados por gênios incontestes (Doutor Gori e Lex Luthor são a mesma pessoa), o esforço de aproximação estratégica causado pela proximidade física gera falhas nas execuções de ordens, alocando-os na categoria dos estúpidos burros. São os estúpidos que fazem tolices porque pensam demais e, nesses casos, pensar não seria o forte deles.
Mas a estupidez de Dilma não é de nenhuma dessas categorias. A ela falta a bondade de Ray ou de Gump, a fúria aquilínea de Rambo ou do Doutor Banner tornado Hulk e, por fim, a genialidade de um condutor como Luthor ou Gori a quem prestam contas de suas cretinices e que poderia faze-la pensar e errar pelo esforço do próprio pensamento inoportuno, tornando-a uma estúpida bárbara.
No caso da estupidez modelar de Gump, não a vemos em Dilma, pois nem o elemento sorte, nem o azar geraram efeito: o lugar sempre será esse e a hora poderá ser qualquer, para quem deseja a presidência (ainda que de uma república "meia boca" como esta, assim tornada ao longo dos últimos 500 anos). Mas dizer que ela foi (está sendo) a pessoa errada para esse espaço-tempo é subestimar as causas relacionadas com a sua Estupidez Absoluta. Ela de fato ostenta de maneira única na história do mundo o que Doutor Pangloss chama de "Estupidez Absoluta". Isso ocorre pois não há nada mais do que a puríssima estupidez em seus atos.
Dilma é verdadeiramente um material orgânico de baixo impacto preenchido única e exclusivamente com estupidez em forma sólida, líquida e gasosa. Tudo por baixo de sua pele é estupidez. Recentemente até se pensou em incluir a estupidez na tabela periódica (Ez119). Diz-se até que o ditador da Coreia do Norte já fez a sua perigosíssima Bomba de Ez para sair soltando por ai. Mas esse é outro assunto. Voltemos à fantástica Presidenta, pois.
Em Dilma não há maldade, não há bondade, não honestidade, não há desonestidade, não castidade, não há prudência, não há tenência, não há ciência, não há sabadoria, não há sapiência, não há raciocínio, não há intenções, não há reações, não há falas, não há pensamentos, não há ações, não há fúria, não há patriotismo, não há direita, não há esquerda, não há centro, não há humor, não há mau humor, não há ortodoxia econômica, não há matrizes econômicas novas ou velhas, não há proteínas, nem fezes, nem secreções... Há a mais pura.... ESTUPIDEZ - Ez119 em estado bruto, puro, organicamente organizado, assentado e manifestante de seus estados cabalísticos e elementares.
Essa estupidez pura e absoluta, em estado tal qual encontrado na natureza na forma mais intacta em sem qualquer mistura, manifesta-se por meio de sons, períodos em português inventados por ela própria, passos e movimentações simples (algumas sob duas rodas, o que mostra ser um estágio avançado de estupidez pura, pois ela é capaz de se equilibrar sob duas rodas alinhadas). Nada mais.
Assim impera a estupidez em grau absoluto e sem misturas humanas ou sentimentais, mas com grande respaldo na "sociedade humana" dos seres sencientes.
Os últimos casos em que esse tipo de estupidez foram estudados, ocorreram em um Pônei de festa junina (aqueles jegues anões que chamamos docilmente de "pôneis") e em babuínos da África Central. Nesses casos houve grande semelhança com Dilma. Os pôneis ficam lá, tirando fotos com quem lhes sobe ao lombo, por ordem do dono. Recebem os quermesseanos no lombo a contragosto, emitem sons, grunhem... mas saem na foto, não arredam pé do cenário da Piazza San Marco pintado no biombo atrás deles, cagam sem sair do lugar, ficam ali ruminando a dieta e esperando o tempo passar. Se alguém vem passar a mão neles, reajem; se passam na frente em seu campo de visão, reajem; se riem em sua proximidade, reajem. É estupidez pura, absoluta, sem maldade nem bondade. Ela ocorre. Acontece. Se manifesta.
Os babuínos também, ficam ali sentadinhos, esperando o tempo passar, curtindo apenas o ciclo interno da renovação da estupidez absoluta. Não fazem nada, não se socializam, mas aceitam andar num certo bando por pura comodidade ("sociedade não humana", no entender de certos estúpidos), emitem sons vez ou outra, olham bravos e fingem doçura quando estão com fome, enfim - estupidez total e sem misturas ou queixumes.
Freddo Corleone, entre nós, esteve bem próximo disso e certamente teria chegado lá se Uncle Michael não o tivesse escalado para rezar Ave Maria no Lake Tahoe.
David Luiz, nosso grande zagueiro, está também próximo da graduação olímpica da estupidez total, ao passo que Felipe Melo seria um ótimo Ministro do Esporte para o finado governo Dilma, dada a similitude de graus de "Estupidez Absoluta" de ambos.
Sabemos todos nós que temos um exemplo assim em nossa cabeça quando saímos procurando cases de sucesso em estupidez: alguma portaria, alguma corporação, alguma aldeia, alguma repartição, algum congressista, alguém da família - enfim, temos lá os nossos exemplos dílmicos de "estupidez absoluta". Mas temos que convir que nesse grau de pureza, só ELA, a nossa Presidenta, foi capaz de atingir sozinha, sem ajuda e com esforços e méritos próprios e exclusivos.
Assim, à nossa mandatária, o nosso parabéns pelo resultado de ontem!!!
Continue assim, Presidenta!!!!!
Claudio a espera no Olimpo quando Vossa Excelência perpetrar a sua final e derradeira Apocolocyntosis Divi Dilmii!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
segunda-feira, 4 de abril de 2016
Dilma está escrevendo um livro!!!
Caderno de Cultura
por Dionísio Crátino
O novo livro de Dilma Russiffu vai se chamar 50 TONS DE GOLPE.
A personagem central deverá ser uma CEO de meia idade e muito poder que gosta de GOLPEAR OS OUTROS e também TER CONTROLE SOBRE TODOS. O nome da poderosa personagem será VANDA R. LEY.
Quando o pau estiver comendo firme, o vítimo da Sra. LEY poderá usar a palavra de segurança: MINISTÉRIO.
A parte sem graça é que, como se trata de um plágio descarado, todo mundo sabe como a história termina:
por Dionísio Crátino
O novo livro de Dilma Russiffu vai se chamar 50 TONS DE GOLPE.
A personagem central deverá ser uma CEO de meia idade e muito poder que gosta de GOLPEAR OS OUTROS e também TER CONTROLE SOBRE TODOS. O nome da poderosa personagem será VANDA R. LEY.
Quando o pau estiver comendo firme, o vítimo da Sra. LEY poderá usar a palavra de segurança: MINISTÉRIO.
A parte sem graça é que, como se trata de um plágio descarado, todo mundo sabe como a história termina:
quinta-feira, 31 de março de 2016
EXCLUSIVO: DILMA ENVOLVIDA COM MORTADELAS
A ajuda é tão grande que nem cabe na boca
Vamos voltar pra saúde?
Depois que o Obama tomou Cuba, o que vamos fazer com os paramédicos da ilha?
Depois dessa imersão na mortadela, vou precisar voltar pra saúde mesmo...
...e na qualidade de paciente número 1
segunda-feira, 28 de março de 2016
A verdadeira razão das coisas
Caderno de Assuntos Menores
por Eugênio Villa
Assim como o Metrô de São Paulo serve para lembrar a crise do setor automobilístico;
Assim como a feijoada serve para nos lembrar que ainda há ruas de paralelepípedo em São Paulo;
Assim como a dengue serve para nos lembrar que os hospitais são fuleiros;
Assim como Romeu serve para nos lembrar que Julieta morreu virgem;
Assim como Sócrates serve para lembrar que Platão foi um gênio;
... o PMDB serve para nos lembrar: o que estamos fazendo sentados aqui?
por Eugênio Villa
Assim como o Metrô de São Paulo serve para lembrar a crise do setor automobilístico;
Assim como a feijoada serve para nos lembrar que ainda há ruas de paralelepípedo em São Paulo;
Assim como a dengue serve para nos lembrar que os hospitais são fuleiros;
Assim como Romeu serve para nos lembrar que Julieta morreu virgem;
Assim como Sócrates serve para lembrar que Platão foi um gênio;
... o PMDB serve para nos lembrar: o que estamos fazendo sentados aqui?
PESQUISA: PERFIL DAS PASSEATAS
Fonte: Instituto de Pesquisas Bola Preta
Estivemos presentes em TODAS as passeatas.
Entrevistamos TODOS os participantes.
Não trabalhamos por amostragem.
Amostragem é técnica de Instituto de Pesquisa Preguiçoso.
Identificamos e mapeamos o perfil das pessoas que foram à rua protestar.
99.86% das pessoas demonstraram o mesmo prefil: TODOS DIZIAM SER CONTRA A CORRUPÇÃO INDEPENDENTEMENTE DO PARTIDO, MAS TODOS ESTAVAM LÁ POR CAUSA DE UM PARTIDO, INDEPENDENTEMENTE DA CORRUPÇÃO.
Os demais compareceram em dois blocos distintos: 0,04% NÃO TINHAM OUTRA COISA PARA FAZER.
0,1% ainda se fez presente por causa do BOATO DA MORTADELA.
A margem de erro de nossa pesquisa é de zero pontos percentuais para cima, para baixo, para o lado esquerdo e também para a direita.
Estivemos presentes em TODAS as passeatas.
Entrevistamos TODOS os participantes.
Não trabalhamos por amostragem.
Amostragem é técnica de Instituto de Pesquisa Preguiçoso.
Identificamos e mapeamos o perfil das pessoas que foram à rua protestar.
99.86% das pessoas demonstraram o mesmo prefil: TODOS DIZIAM SER CONTRA A CORRUPÇÃO INDEPENDENTEMENTE DO PARTIDO, MAS TODOS ESTAVAM LÁ POR CAUSA DE UM PARTIDO, INDEPENDENTEMENTE DA CORRUPÇÃO.
Os demais compareceram em dois blocos distintos: 0,04% NÃO TINHAM OUTRA COISA PARA FAZER.
0,1% ainda se fez presente por causa do BOATO DA MORTADELA.
A margem de erro de nossa pesquisa é de zero pontos percentuais para cima, para baixo, para o lado esquerdo e também para a direita.
quinta-feira, 24 de março de 2016
Cruyff
Caderno de Esportes
por Pataca
Nossa homenagem ao gênio do esporte bretão em uma frase genial sobre o esporte:
Se for para ser atropelado, que seja por uma Ferrari
por Pataca
Nossa homenagem ao gênio do esporte bretão em uma frase genial sobre o esporte:
Se for para ser atropelado, que seja por uma Ferrari
Oi Querido!!!
- Boa tarde, Dona Délma!
- Oi querido! Você por aqui?
- Pois é...
- Mudei seu bordão, querido: você era o "rouba mas faz", mas eu e a turma fizemos uma "revolussão" - é a do "rouba e não faz porra niuma..."
- Hahahahahaha... Dona Délma, conte comigo no empétchiman!!!
- Oi querido! Você por aqui?
- Pois é...
- Mudei seu bordão, querido: você era o "rouba mas faz", mas eu e a turma fizemos uma "revolussão" - é a do "rouba e não faz porra niuma..."
- Hahahahahaha... Dona Délma, conte comigo no empétchiman!!!
Chatice
Caderno de Assuntos Menores
por Eugênio Villa
"... o preço do trabalho, como de toda mercadoria, é igual ao custo de sua produção. Portanto, a medida que aumenta o caráter enfadonho do trabalho, os salários decrescem" (K. Marx & F. Engels, "Manifesto Comunista").
Pois é, Marx... De fato, Engels... Eu também concordo - trabalhar é chato pra cacete, principalmente quando se ganha mal...
por Eugênio Villa
"... o preço do trabalho, como de toda mercadoria, é igual ao custo de sua produção. Portanto, a medida que aumenta o caráter enfadonho do trabalho, os salários decrescem" (K. Marx & F. Engels, "Manifesto Comunista").
Pois é, Marx... De fato, Engels... Eu também concordo - trabalhar é chato pra cacete, principalmente quando se ganha mal...
O Mistério das Mesas
Caderno de Decoração
por Karl Marx
"À primeira vista, a mercadoria parece ser coisa trivial, imediatamente compreensível. Analisando-a, vê-se que ela é algo muito estranho, cheia de sutilezas metafísicas e argúcias teológicas (...). Modifica, por exemplo, a forma da madeira, quando dela se faz uma mesa. Não obstante a mesa ainda é madeira, coisa prosaica, material. Mas, logo que se revela mercadoria, transforma-se em algo ao mesmo tempo perceptível e impalpável. Além de estar com os pés no chão, firma sua posição perante as outras mercadorias e expande as ideias fixas de sua cabeça de madeira, fenômeno mais fantástico do que se dançasse por iniciativa própria. Nota: Quando o mundo parecia estar tranquilo, recorde-se, a China e as mesas começaram a bailar, pour encourager les autres" (O Capital, Vol. 1, Livro 1, Parte 1, Capítulo 4).
por Karl Marx
"À primeira vista, a mercadoria parece ser coisa trivial, imediatamente compreensível. Analisando-a, vê-se que ela é algo muito estranho, cheia de sutilezas metafísicas e argúcias teológicas (...). Modifica, por exemplo, a forma da madeira, quando dela se faz uma mesa. Não obstante a mesa ainda é madeira, coisa prosaica, material. Mas, logo que se revela mercadoria, transforma-se em algo ao mesmo tempo perceptível e impalpável. Além de estar com os pés no chão, firma sua posição perante as outras mercadorias e expande as ideias fixas de sua cabeça de madeira, fenômeno mais fantástico do que se dançasse por iniciativa própria. Nota: Quando o mundo parecia estar tranquilo, recorde-se, a China e as mesas começaram a bailar, pour encourager les autres" (O Capital, Vol. 1, Livro 1, Parte 1, Capítulo 4).
quarta-feira, 23 de março de 2016
Cadernos da Presidência
Caderno de Literatura
Por María Guertas-Abellán García
Em breve, FHC promete lançar o seu segundo volume dos "Diários da Presidência".
Foram produzidos a partir de gravações, ou, como diziam no tempo da minha bisavó, audio tapes.
Por curiosidade, notamos que a palavra "Lula" é mencionada 38 vezes nos diários de FHC.
Nos Diários de Lula, que resumem o seu trabalho por meio das gravações feitas com a ajuda da Polícia Federal, a palavra "cu", coincidentemente, é mencionada o mesmo número de vezes.
Por María Guertas-Abellán García
Em breve, FHC promete lançar o seu segundo volume dos "Diários da Presidência".
Foram produzidos a partir de gravações, ou, como diziam no tempo da minha bisavó, audio tapes.
Por curiosidade, notamos que a palavra "Lula" é mencionada 38 vezes nos diários de FHC.
Nos Diários de Lula, que resumem o seu trabalho por meio das gravações feitas com a ajuda da Polícia Federal, a palavra "cu", coincidentemente, é mencionada o mesmo número de vezes.
Pedido de Impeachment bem fundamentado!
Caderno de Legislação e Assuntos de Vara, Corte e Grampos
por Clóvis Hauser (estagiário com OAB e anel de formatura!)
Recebi pedido para pesquisar nas bases um pedido de impeachment bem fundamentado que possa ser usado contra a Presidanta Dilma Roussiffu. A ideia seria ajudar o Doutor Miguelzito, o Doutor Bicudinho e a Doutora Janaína.
Pesquisei, pesquisei, pesquisei como um estagiário...
Fui a fundo como um navio sonda!!!
Alcei vôos mais altos do que um jatinho da Presidência!!
Corri mais do que se Usain Bolt fosse deputado do PV...
E finalmente, como se fosse um dileto membro das forças policiais federais escarafunchando as Gavetas do Poder, eu achei!
Achei o pedido perfeito, acabado, conciso, heróico, poderoso, lancinante, preciso, jurídico, legal, filosófico, constitucional, frutífero, leguminífero, despretensioso, contagiante, alegre, forte e, porque não dizer, iluminado e popular!!!! Ei-lo em poucas palavras... Com poucas e boas provas.... Aquelas provas cabais e irretorquíveis que dão medo até em uma Escadinha Congressista!
Com exemplos admiráveis e metáforas supremas...
Como se tira da cadeira...
... Um presidente vacilão:
1- A essência dos crimes de responsabilidade, enunciados no
art. 85 da Constituição Federal, é indubitavelmente de natureza ética. Quando o
supremo mandatário da nação desonra-se, a ponto de atentar contra a existência
da União, o livre exercício dos Poderes constitucionais, os direitos
fundamentais do homem e do cidadão, a segurança interna do País, a probidade da
administração, a lei orçamentária, ou o cumprimento das leis e das decisões
Judiciais, é porque desceu à ignomínia do perjúrio, ao quebrar,
conscientemente, o compromisso solene prestado por ocasião de sua posse:
"manter, defender e cumprir a Constituição, observar as leis, promover o
bem geral do povo brasileiro,
sustentar a união, a integridade e a Independência do Brasil" (art. 78).
Por isso mesmo, em rigor, a multiplicidade dos crimes definidos na Lei n° 1.079, de 10 de abril de 1950, imputáveis ao Presidente da República, acha-se compendiada num só delito, de natureza infamante: "proceder de modo incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do cargo" (art. T, alínea 7). [sic]
É, pois, com imensa tristeza e sincero constrangimento que os denunciantes sentem-se moralmente obrigados a bater às portas da Câmara dos Deputados, órgão representativo do povo brasileiro, para pôr em acusação, por crime de responsabilidade, um cidadão que, por duas vezes e sucessivamente, foi eleito pelo povo para governar o País e representá-lo perante os demais povos. A suprema sanção que ora se pleiteia contra o denunciado não tem outro objetivo, senão o de defender a honra nacional, separando moralmente o mandatário perjuro do povo mandante, por ele ofendido.
2.- Como foi largamente divulgado pelos meios de comunicação de massa, a Mesa do Senado Federal recebeu um requerimento de instauração de Comissão Parlamentar de Inquérito sobre fatos apontados como caracterizadores de corrupção no selo da administração federal, tanto direta quanto indireta. 0 requerimento foi subscrito por 182 (cento e oitenta e dois) deputados e 29 (vinte e nove) senadores.
A reunião do Congresso Nacional, destinada a criar oficialmente a referida Comissão Parlamentar de Inquérito, foi convocada para realizar-se no dia 16 de maio do corrente ano. No dia 10, porém, o expediente da Presidência do Congresso foi prorrogado até às 24:00 (vinte e quatro horas), a fim de permitir que as lideranças do Governo fizessem a entrega oficial de documento, comprobatório de que 20 (vinte) deputados, signatários do requerimento de instalação da Comissão, haviam se retratado e pediam fossem seus nomes desconsiderados.
Da mesma forma, os meios de comunicação de massa divulgaram amplamente, tomando-o fato, por conseguinte, público e notório, que todos os desistentes acabavam de ser contemplados, pelos órgãos do Governo, com assinaladas vantagens, consistentes na liberação de verbas orçamentárias, correspondentes a obras de interesse de suas bases eleitorais. Os recursos financeiros, destinados ao atendimento dessas liberações de verbas, concentrados na Secretaria Especial de Desenvolvimento Urbano, são administrados pela Caixa Econômica Federal.
Segundo noticiado nos jornais, em especial em 0 Estado de São Paulo (doc. N°), órgão insuspeito, pois condenou expressamente a proposta de instalação da C.P.I., os recursos assim despendidos, até o dia 11 de maio p.p., somavam a expressiva quantia de R$78.500.000,00 (setenta e oito milhões e quinhentos mil reais). Somente no dia 11 de maio, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano destinou R$ 18.400.000,00 (dezoito milhões e quatrocentos mil reais) à liberação dessas verbas, cifra essa superior ao total desembolsado pela Secretaria nos quatro primeiros meses do ano (doc. N°).
3.- Dispõe a Constituição Federal em seu art. 85 - I que o Presidente da República comete crime de responsabilidade, quando atenta contra "o livre exercício do Poder Legislativo".
Ao definir tal crime, a Lei n° 1.079, de 10 de abril de 1950, dispõe, em seu art. 6°, segunda alínea, que uma de suas modalidades consiste em: "2 - usar de violência ou ameaça contra algum representante da Nação para afastá-lo da Câmara a que pertença, ou para coagi-lo no modo de exercer o seu mandato, bem como conseguir ou tentar conseguir o mesmo objetivo mediante suborno ou outras formas de corrupção."
Atente-se para os amplos termos em que é vazado o dispositivo legal. A Lei n° 1.079 refere-se aí, largamente, a "suborno ou outras formas de corrupção"; vale dizer, não limita a caracterização do tipo delituoso somente à oferta de dinheiro, de modo direto, ao parlamentar. Quaisquer vantagens de natureza patrimonial, suscetíveis de beneficiá-lo, direta ou indiretamente, são abrangidas pela definição legal.
Da mesma forma, a influência corruptora não está ligada, tão só, ao exercício do voto, mas a toda e qualquer modalidade de cumprimento do mandato parlamentar, como é, indisputavelmente, o requerimento de instalação de uma comissão parlamentar de inquérito.
Finalmente, a lei equipara, para efeitos punitivos, a simples tentativa à consumação do ato de se determinar, mediante suborno ou qualquer outra forma de corrupção, o comportamento de algum representante do povo no Congresso Nacional.
4.- Ora, a oferta de liberação de verbas orçamentárias, correspondentes a emendas apresentadas por parlamentares, e destinadas à realização de obras públicas de interesse de suas bases eleitorais, constitui, indubitavelmente, uma apreciável vantagem pessoal daquele que depende do voto popular para obter a renovação de seu mandato.
Quando essa vantagem é oferecida pelo Governo, com o objetivo de obter a retratação do parlamentar em requerimento de instalação de comissão de inquérito sobre alegados fatos de corrupção na esfera governamental, a relação de comutatividade ressalta às escâncaras: é o "dá lá, toma cá", típico dos negócios de compra e venda ou de troca.
5.- Nem se alegue que o Presidente da República permaneceu alheio ao episódio, como se o assunto não lhe dissesse respeito.
Em primeiro lugar, Sua Excelência, em profusas e reiteradas declarações públicas, fez questão de condenar a projetada comissão parlamentar de inquérito, taxando-a, ora de inútil, ora de extremamente prejudicial ao País. Concomitantemente, o Ministro da Previdência Social buscava entendimentos com o Senador Antonio Carlos Magalhães para obter a retratação de deputados a ele ligados, os quais haviam assinado o requerimento de instalação da comissão, enquanto o Ministro do Trabalho afastava-se de seu cargo e reassumia sua cadeira na Câmara dos Deputados, com objetivo declarado de votar contra a aprovação do requerimento.
Em suma, o vasto empreendimento, visando à retirada de assinaturas no pedido de instalação da comissão de inquérito, empreendimento esse que um órgão de imprensa chegou a caracterizar como "megaoperação" (doc. N° ), foi levado a efeito, de forma concertada, por Ministros de Estado, altos funcionários ligados à Presidência da República e pelos líderes do Governo nas duas Casas do Congresso.
Seria, portanto, ridículo, para dizer o mínimo, pretender que o Chefe de Estado ignorou, o tempo todo, o desenrolar de uma complexa e trabalhosa operação, praticada no interesse do Governo por ele chefiado.
6.- Diante do exposto, os signatários vêm denunciar o Presidente da República Fernando Henrique Cardoso, como incurso no disposto no art. 6° - 1 da Lei n° 1.079, de 10 de abril de 1950, requerendo a Vossa Excelência que, nos termos do art. 19 do mesmo diploma legal, bem como do art. 218 do Regimento Interno da. Câmara, seja a presente denúncia lida no expediente da sessão seguinte à data de seu recebimento, e despachada à comissão especial aí prevista, a qual deverá sobre ela opinar, prosseguindo-se em seguida na conformidade do disposto na citada Lei n° 1.079 e no Regimento Interno dessa Casa Parlamentar.
Termos em que,
Pedem Deferimento.
Brasília, 18 de maio de 2001
Celso Antonio Bandeira de Mello
Dalmo de Abreu Dallari
Fábio Konder Comparato
Goffredo da Silva Telles Júnior
Paulo Bonavides
por Clóvis Hauser (estagiário com OAB e anel de formatura!)
Recebi pedido para pesquisar nas bases um pedido de impeachment bem fundamentado que possa ser usado contra a Presidanta Dilma Roussiffu. A ideia seria ajudar o Doutor Miguelzito, o Doutor Bicudinho e a Doutora Janaína.
Pesquisei, pesquisei, pesquisei como um estagiário...
Fui a fundo como um navio sonda!!!
Alcei vôos mais altos do que um jatinho da Presidência!!
Corri mais do que se Usain Bolt fosse deputado do PV...
E finalmente, como se fosse um dileto membro das forças policiais federais escarafunchando as Gavetas do Poder, eu achei!
Achei o pedido perfeito, acabado, conciso, heróico, poderoso, lancinante, preciso, jurídico, legal, filosófico, constitucional, frutífero, leguminífero, despretensioso, contagiante, alegre, forte e, porque não dizer, iluminado e popular!!!! Ei-lo em poucas palavras... Com poucas e boas provas.... Aquelas provas cabais e irretorquíveis que dão medo até em uma Escadinha Congressista!
Com exemplos admiráveis e metáforas supremas...
Como se tira da cadeira...
... Um presidente vacilão:
Excelentíssimo Senhor Presidente da Câmara dos Deputados:
Celso Antonio Bandeira de Mello, divorciado, advogado e
professor universitário, com
domicílio em São Paulo (SP), na Avenida Paulista, n° 1499, 5° andar, conjunto
505, Dalmo de Abreu Dallari, casado, professor universitário, residente e
domiciliado em São Paulo, na Rua Doutor Esdras Pacheco Ferreira, n° 95, Fábio
Konder Comparato, casado, professor universitário e advogado, residente e
domiciliado em São Paulo (SP) na Rua Bennett, n° 349, Goffredo da Silva Telles
Júnior, que também se assina Goffredo Carlos da Silva Telles, casado, professor
universitário aposentado, residente e domiciliado em São Paulo (SP), na Avenida
São Luís, n° 268 - 13° andar, e Paulo Bonavides, casado, professor
universitário aposentado, residente e domiciliado em Fortaleza (CE), na Avenida
José Artur de Carvalho, n° 2810, casa 281, todos cidadãos brasileiros, no pleno
gozo de seus direitos políticos (docs. n° ), vêm, com fundamento no disposto no
art. 85 - 11 da Constituição Federal, e no art. 6° - 11 da Lei n° 1.079, de 10
de abril de 1950, denunciar o Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso,
pelas razões de fato e de direito a seguir expostas:
"Todas as crises,
que pelo Brasil estão passando, e que dia a dia sentimos crescer
aceleradamente, a crise política, a crise econômica, a crise financeira, não
vem a ser mais do que sintomas, exteriorizações parciais, manifestações
reveladoras de um estado mais profundo, uma suprema crise: a crise moral."
Rui Barbosa, Ruínas de
um Governo.
Por isso mesmo, em rigor, a multiplicidade dos crimes definidos na Lei n° 1.079, de 10 de abril de 1950, imputáveis ao Presidente da República, acha-se compendiada num só delito, de natureza infamante: "proceder de modo incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do cargo" (art. T, alínea 7). [sic]
É, pois, com imensa tristeza e sincero constrangimento que os denunciantes sentem-se moralmente obrigados a bater às portas da Câmara dos Deputados, órgão representativo do povo brasileiro, para pôr em acusação, por crime de responsabilidade, um cidadão que, por duas vezes e sucessivamente, foi eleito pelo povo para governar o País e representá-lo perante os demais povos. A suprema sanção que ora se pleiteia contra o denunciado não tem outro objetivo, senão o de defender a honra nacional, separando moralmente o mandatário perjuro do povo mandante, por ele ofendido.
2.- Como foi largamente divulgado pelos meios de comunicação de massa, a Mesa do Senado Federal recebeu um requerimento de instauração de Comissão Parlamentar de Inquérito sobre fatos apontados como caracterizadores de corrupção no selo da administração federal, tanto direta quanto indireta. 0 requerimento foi subscrito por 182 (cento e oitenta e dois) deputados e 29 (vinte e nove) senadores.
A reunião do Congresso Nacional, destinada a criar oficialmente a referida Comissão Parlamentar de Inquérito, foi convocada para realizar-se no dia 16 de maio do corrente ano. No dia 10, porém, o expediente da Presidência do Congresso foi prorrogado até às 24:00 (vinte e quatro horas), a fim de permitir que as lideranças do Governo fizessem a entrega oficial de documento, comprobatório de que 20 (vinte) deputados, signatários do requerimento de instalação da Comissão, haviam se retratado e pediam fossem seus nomes desconsiderados.
Da mesma forma, os meios de comunicação de massa divulgaram amplamente, tomando-o fato, por conseguinte, público e notório, que todos os desistentes acabavam de ser contemplados, pelos órgãos do Governo, com assinaladas vantagens, consistentes na liberação de verbas orçamentárias, correspondentes a obras de interesse de suas bases eleitorais. Os recursos financeiros, destinados ao atendimento dessas liberações de verbas, concentrados na Secretaria Especial de Desenvolvimento Urbano, são administrados pela Caixa Econômica Federal.
Segundo noticiado nos jornais, em especial em 0 Estado de São Paulo (doc. N°), órgão insuspeito, pois condenou expressamente a proposta de instalação da C.P.I., os recursos assim despendidos, até o dia 11 de maio p.p., somavam a expressiva quantia de R$78.500.000,00 (setenta e oito milhões e quinhentos mil reais). Somente no dia 11 de maio, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano destinou R$ 18.400.000,00 (dezoito milhões e quatrocentos mil reais) à liberação dessas verbas, cifra essa superior ao total desembolsado pela Secretaria nos quatro primeiros meses do ano (doc. N°).
3.- Dispõe a Constituição Federal em seu art. 85 - I que o Presidente da República comete crime de responsabilidade, quando atenta contra "o livre exercício do Poder Legislativo".
Ao definir tal crime, a Lei n° 1.079, de 10 de abril de 1950, dispõe, em seu art. 6°, segunda alínea, que uma de suas modalidades consiste em: "2 - usar de violência ou ameaça contra algum representante da Nação para afastá-lo da Câmara a que pertença, ou para coagi-lo no modo de exercer o seu mandato, bem como conseguir ou tentar conseguir o mesmo objetivo mediante suborno ou outras formas de corrupção."
Atente-se para os amplos termos em que é vazado o dispositivo legal. A Lei n° 1.079 refere-se aí, largamente, a "suborno ou outras formas de corrupção"; vale dizer, não limita a caracterização do tipo delituoso somente à oferta de dinheiro, de modo direto, ao parlamentar. Quaisquer vantagens de natureza patrimonial, suscetíveis de beneficiá-lo, direta ou indiretamente, são abrangidas pela definição legal.
Da mesma forma, a influência corruptora não está ligada, tão só, ao exercício do voto, mas a toda e qualquer modalidade de cumprimento do mandato parlamentar, como é, indisputavelmente, o requerimento de instalação de uma comissão parlamentar de inquérito.
Finalmente, a lei equipara, para efeitos punitivos, a simples tentativa à consumação do ato de se determinar, mediante suborno ou qualquer outra forma de corrupção, o comportamento de algum representante do povo no Congresso Nacional.
4.- Ora, a oferta de liberação de verbas orçamentárias, correspondentes a emendas apresentadas por parlamentares, e destinadas à realização de obras públicas de interesse de suas bases eleitorais, constitui, indubitavelmente, uma apreciável vantagem pessoal daquele que depende do voto popular para obter a renovação de seu mandato.
Quando essa vantagem é oferecida pelo Governo, com o objetivo de obter a retratação do parlamentar em requerimento de instalação de comissão de inquérito sobre alegados fatos de corrupção na esfera governamental, a relação de comutatividade ressalta às escâncaras: é o "dá lá, toma cá", típico dos negócios de compra e venda ou de troca.
5.- Nem se alegue que o Presidente da República permaneceu alheio ao episódio, como se o assunto não lhe dissesse respeito.
Em primeiro lugar, Sua Excelência, em profusas e reiteradas declarações públicas, fez questão de condenar a projetada comissão parlamentar de inquérito, taxando-a, ora de inútil, ora de extremamente prejudicial ao País. Concomitantemente, o Ministro da Previdência Social buscava entendimentos com o Senador Antonio Carlos Magalhães para obter a retratação de deputados a ele ligados, os quais haviam assinado o requerimento de instalação da comissão, enquanto o Ministro do Trabalho afastava-se de seu cargo e reassumia sua cadeira na Câmara dos Deputados, com objetivo declarado de votar contra a aprovação do requerimento.
Em suma, o vasto empreendimento, visando à retirada de assinaturas no pedido de instalação da comissão de inquérito, empreendimento esse que um órgão de imprensa chegou a caracterizar como "megaoperação" (doc. N° ), foi levado a efeito, de forma concertada, por Ministros de Estado, altos funcionários ligados à Presidência da República e pelos líderes do Governo nas duas Casas do Congresso.
Seria, portanto, ridículo, para dizer o mínimo, pretender que o Chefe de Estado ignorou, o tempo todo, o desenrolar de uma complexa e trabalhosa operação, praticada no interesse do Governo por ele chefiado.
6.- Diante do exposto, os signatários vêm denunciar o Presidente da República Fernando Henrique Cardoso, como incurso no disposto no art. 6° - 1 da Lei n° 1.079, de 10 de abril de 1950, requerendo a Vossa Excelência que, nos termos do art. 19 do mesmo diploma legal, bem como do art. 218 do Regimento Interno da. Câmara, seja a presente denúncia lida no expediente da sessão seguinte à data de seu recebimento, e despachada à comissão especial aí prevista, a qual deverá sobre ela opinar, prosseguindo-se em seguida na conformidade do disposto na citada Lei n° 1.079 e no Regimento Interno dessa Casa Parlamentar.
Termos em que,
Pedem Deferimento.
Brasília, 18 de maio de 2001
Celso Antonio Bandeira de Mello
Dalmo de Abreu Dallari
Fábio Konder Comparato
Goffredo da Silva Telles Júnior
Paulo Bonavides
terça-feira, 15 de março de 2016
Album Review: Grey Heavens by Omnium Gatherum
Caderno de Cultura
por Dionísio Crátino
A banda finlandesa de canções para ninar, Omnium Gatherum, lançou esta semana seu sétimo album de estúdio intitulado Grey Heavens.
Destaque para a faixa Ophidian Sunrise.
Ao contrário do que muitos pensam, nem sempre os ofídios morrem com um golpe certeiro na cabeça. Alguns, dentre eles os peçonhentos, resistem aos mais duros golpes.
O que mata, diz a música, é a memória.
Veja este trecho:
Though a countless lives away
There is not a day
We did not learn to live
por Dionísio Crátino
A banda finlandesa de canções para ninar, Omnium Gatherum, lançou esta semana seu sétimo album de estúdio intitulado Grey Heavens.
Destaque para a faixa Ophidian Sunrise.
Ao contrário do que muitos pensam, nem sempre os ofídios morrem com um golpe certeiro na cabeça. Alguns, dentre eles os peçonhentos, resistem aos mais duros golpes.
O que mata, diz a música, é a memória.
Veja este trecho:
Though a countless lives away
There is not a day
We did not learn to live
Golpe
Caderno de Política
Por Cícero Esdras
Neemias
Eu tinha, tal qual meu amado editor chefe e Diretor de
Redação, alguns outros planos para a coluna desta semana.
Estava gostando daquela história de falar sobre coalizão.
Muito porque o próprio ex-presidente, em depoimento na Polícia Federal, explicou como funciona o mecanismo:
Delegado
da Polícia Federal:- Como
eram realizadas as nomeações de diretores da Petrobras?Declarante:-
Eu vou repetir o
que eu já falei, não apenas o diretor da Petrobras, qualquer diretor ou
qualquer pessoa que vai trabalhar no Governo Federal, quando você ganha uma
eleição, eu vou explicar, quando você ganha uma eleição, sozinho, são as
pessoas do partido majoritário que escolhem. Escolhem o Delegado Geral da
Polícia Federal, escolhem o Superintendente se quiser escolher o Superintendente,
escolhem o Procurador Geral da República. Tudo isso é o presidente que faz.
Quando você trabalha numregime de coalizão, você sai de uma coalizão e você
coloca ministros de vários partidos pra governar. Cada ministro e cada líder do
partido coalizado, participa da montagem do segundo escalão do governo. Então
quem indica os diretores são as pessoas da área do ministério, são as pessoas
das lideranças dos partidos que compõem o governo que vão indicando, essas
pessoas passam pela Casa Civil, tem uma investigação GSI, pode falar assim?
Defesa:-
Certo.
Declarante:-
GSI, sabe? E se a
pessoa não tiver prontuário, se a pessoa não tiver
capivara, cada pessoa indica. Eu já fui perguntado, já me perguntaram de Paulo Roberto,
já me perguntaram do Duque, já me perguntaram... Essas pessoas são funcionários
de 30 anos da Petrobras. São pessoas de carreira, que nunca a Polícia Federal
levantou a suspeita, nunca o Ministério Público levantou suspeita, nunca a
imprensa levantou suspeita, nunca a oposição sindical levantou suspeita, nunca
nenhum dos 86 mil funcionários levantaram suspeita. Porque lamentavelmente as
pessoas não nascem com carimbo na testa, 'eu sou filho da puta' ou não, 'eu sou
ladrão' ou não, você fica sabendo depois. Quantos caras vão no casamento da
filha, entra com a filhinha toda bonitinha pra entregar virgem a um canalha que
3 meses depois dá uma surra na filha dele? Então, meu filho, essas pessoas são gente
de carreira, gente que estão lá, que já tinha ocupado cargos importantes na
Petrobras. Então, é assim que são indicadas as pessoas. Já vem lá o nome, vem
dois nomes, três nomes, quatro nomes, esse aqui indicado pelo partido tal,
Ministério é tal, o líder é tal. "Esse cara aqui é mais qualificado. -
"É qualificado? Vamos indicar."
Delegado
da Polícia Federal:- A
palavra final do presidente?
Declarante:-
Hein?
Delegado
da Polícia Federal:- Enquanto
o senhor era o presidente a palavra final
era sua?
Declarante:-
Não, a palavra
final era do conselho da Petrobras.
Delegado
da Polícia Federal:- O
conselho então era político?
Declarante:-
Não, o conselho é
o conselho da Petrobras, é o conselho que nomeia, isso é como embaixador, é
como Ministro da Suprema Corte. Ou seja, o Presidente indica e é referendado
pelo Senado ou não. Passa ou não.
Delegado
da Polícia Federal:- Era
o senhor que indicava os presidentes da Petrobras?
Declarante:-
Os presidentes
da...
Delegado
da Polícia Federal:- Os
diretores da Petrobras e o presidente?
Declarante:-
O presidente da
Petrobras foi escolha pessoal minha, o Gabrielli, e primeiro foi o José Eduardo
Dutra, escolha pessoal minha.Não teve interferência política, era minha.
Delegado
da Polícia Federal:- Certo.
E os diretores?
Declarante:-
Os diretores, eu
acabei de dizer pra você.
Delegado
da Polícia Federal:- Sim,
por isso que eu perguntei ao senhor se a palavra final era sua.
Declarante:-
A palavra de
mandar para o conselho é minha.
Delegado
da Polícia Federal:- Ok.
Era uma espécie de filtro, então?
Declarante:-
Sabe?
Delegado
da Polícia Federal:- Ok.
Houve troca de diretorias da Petrobras no início do seu mandato?
Declarante:-
Houve, era tudo
tucano, porra. Só tinha tucano, eu fui obrigado a tirar. Tinha um que era tido
como um deus, tinha um que era tido como um deus da Petrobras, aí eu tirei, foi
trabalhar com o Eike Batista, é o que o afundou o Eike.
Delegado
da Polícia Federal:- O
senhor tinha conhecimento da divisão das diretorias da Petrobras por partidos
políticos, para que indicassem nesse sistema que o senhor...
Declarante:-
Não é divisão por
partido político, gente, principalmente um leigo, um burocrata que não entende
de política é que trata a questão da política como se fosse uma coisa
secundária. Política é uma coisa muito séria e muito responsável, fora da política
não existe saída pra nenhum país do mundo. Então quando um presidente no
Brasil, nos Estados Unidos, na Suécia ou na Finlândia, ganha uma eleição no
sistema de coalizão, ele é obrigado a governar num sistema de coalizão. Não é
de partido político não, é fazer com que as pessoas que ajudaram a ganhar as
eleições participem do governo. É assim que funciona. É assim que o Janot
montou a equipe dele, assim é todo mundo da equipe. Quando você é eleito para
um cargo, você monta em função das pessoas que você conhece. Você não vai
colocar o inimigo, que trabalha contra os interesses do teu programa de
governo, para dirigir uma empresa.
Bem, essa verdadeira aula de política de coalizão sepulta a sequência de posts que eu havia iniciado sobre coalizão e traição e torna o meu trabalho de colunista inútil em relação a esse tema.
Fico obrigado a fazer uma guinada nas colunas (praticamente um cavalo-de-pau) e gostaria de iniciar essa guinada na rabeira de uma outra guinada que está sendo colocada no forno da vida real, da política real, ou da real politik.
Trata-se do conceito de golpe de estado.
O golpe de estado ou coup d’état é simples de ser explicado. Vou fazê-lo para esclarecer o tema para a minha avó, que é a única que lê a minha coluna, apesar de analfabeta: um estado, seja ele democrático ou autoritário, funciona segundo regras, que podem ser escritas ou não. Essas regras criam um padrão de comportamento, um certo political pattern. Exemplo: há democracias que dizem que a cada quatro anos você elege um presidente. Portanto, você tem a expectativa de troca a cada quatro anos. Em alguns lugares é possível que a mesma pessoa continue mandando, mas isso depende da aceitação popular. Em alguns lugares há limites para essa continuidade, em outros não há. Mas a expectativa está lá e é cumprida a cada quatro anos. Em todos esses lugares há regras que impedem que alguns sigam até o fim do quarto ano se aprontarem demais. Nesses casos há uma exceção à regra da expectativa e, como toda exceção, não deve ser usual. Em alguns lugares se dá por recall, em outros por impeachment ou em outros, como já defendeu nosso Diretor de Redação, por pura incapacidade civil. Se começar a ser usada na mesma proporção da regra, podem crer, há algo de errado com as pessoas (mas não com as regras). Nas ditaduras, a expectativa depende da vontade exclusiva de quem está no poder, seja o titular desse poder a própria pessoa ou Deus. Se o ditador cansar, ele sai e entrega o poder para outro ou se Deus quiser, ele sai e vai tocar Harpa na portaria do céu com São Pedro sem deixar sucessor e os sobreviventes dão um jeito de arrumar a casa. Mas lá está a regra, escrita ou não - tem que esperar ele sair um dia.
O golpe de estado é perpetrado quando não há motivos para a aplicação da exceção (questão espinhosa) ou quando, mesmo não havendo motivos, o mandato é abreviado no curso do exercício, seja por mudança de regra aplicada imediatamente durante a jogação do jogo, seja por intervenção direta ou indireta de alguém para que a regra seja mudada depois. Isso é golpe.
Alguns lugares, para amenizar os golpes, submetem a tomada de poder por alguém que não foi escolhido diretamente para isso, a um referendo popular; algo como um “ok” a posteriori, uma espécie de eleição ad hoc. É golpe também.
Vamos para alguns exemplos?
Quando Napoleão se proclamou Imperador e mudou o regime na França, houve golpe de estado.
Quando o mesmo patético político tentou fazer uma retomada por meio de um “governo de 100 dias”, houve ridícula tentativa de golpe de estado.
Quando Lênin depôs o Czar na marra, houve golpe de estado.
Quando Hitler se tornou Chanceler, ele deu um golpe de estado.
Quando Vargas tomou o poder em 1930, ele deu um golpe de estado.
Quando Fidel tomou o poder escorraçando Batista do Palácio, houve golpe de estado.
Quando Jango foi deposto para que Castello tomasse o poder, houve golpe.
Quando Figueiredo abreviou o seu próprio mandato e impôs regras de transição aplicáveis ao mandato seguinte, não houve golpe de estado.
Quando Ianaiev tentou desperestroikar a Desunião Soviética, tentou dar um golpinho de estado.
Quando Collor foi deposto, não houve golpe de estado.
Se o golpe gera uma revolução política depois, como foi o caso da "Revolução Russa", da "Revolução Cubana", do "Estado Novo" (para alguns) da "Gloriosa de 64" (para outros), isso já são também outros 500... Mas na matriz, tecnicamente, é golpe. Pois há revoluções sem golpe, como foi o caso de Mandella na África do Sul e da Reconstrução Americana, que contou com o quase impeachment de Andrew Johnson (terminou o mandato por causa de um voto de minerva no Senado) e a condução de Rutherford Hayes para suceder Johnson. O mesmo em relação ao período Entre Guerras, a Great Depression e o New Deal, já relatados aqui pelo colunista Magnus Blackman. São exemplos de Revoluções sem golpe, pois este não é pressuposto técnico daquela.
Mas voltando ao conceito de golpe, o caso clássico de golpe de estado talvez esteja nesses flertes revolucionários que seduzem os pré-adolescentes: o líder com uma bandeira e um panfleto em mãos, invade, digamos, os equivalentes no mundo ao nosso Palácio do Planalto, manda prender o mandatário de plantão por um "crime moral" qualquer, senta na cadeira, no lugar dele, e começa a assinar decretos seguindo o panfleto que leva no bolso da algibeira.
Essa é a forma de um golpe para ser debatida no ensino fundamental. E, professores, atentem: é muito importante explicar para os alunos que fazer isso é muito, muito, muito feio, viu! Não importa a razão ou o intento justificativo da medida tomada a força (na maioria das vezes, justificativa ad hoc, escrita pelos vencedores da história): é feio e ponto final.
Mas a forma para ser discutida no ensino fundamental e no ensino superior é aquela que Hitler inventou.
Ele fez assim: quando era adolescente, tentou dar um golpe do tipo adolescente – ele e um bando de vagabundos, depois de voltarem da I Grande Guerra com estrelinhas de libertador derrotado, de herói de guerra e com uma cartilha embaixo do braço, tentou tomar o poder na Baviera literalmente "na porrada". Essa tentativa de golpe, conhecida como o Bürgerbrau Putsch (ou Golpe da Cervejaria) veio bem ao modo popular: tiros para o alto em um bar e, todos bêbados, sairam pelas ruas para tomar o poder: ridículo. Não deu certo e foi preso. Apesar da pena aplicada ter sido razoavelmente dura (5 anos), foi anistiado e voltou para a vida política depois de 6 meses, com o seu panfleto tornado livro de caráter autobiográfico, o Mein Kempf. Por razões óbvias, nunca li, mas todos sabemos qual era a cartilha nacionalista ou nacional-socialista do moleque: atacava a imprensa, sobretudo a imprensa que ele chamou de propangandista antigermânica; louva a “psicologia de massas” e formula um estuário de pequenas regras e “macetes” de como fazer um bom discurso para as massas, como hipnotizá-las – falar ao modo do povo, com palavras e metáforas que eles entendem e contar boas histórias, se possível com raiva, com ódio, para que o povo se sinta inflamado pela causa, sensibilizado com a injustiça que ele desenha de maneira simples em seu discurso. É o velho papinho furado do perseguido, usado por Catilina séculos antes. Pois bem, com essa cartilha em mãos e esse papo furado na boca, dirigiu-se primeiramente à juventude alemã, desempregada e inexperiente. Alistou milhares e milhões de desocupados para defender fisicamente a sua causa nas ruas. Beneficiou-se também do sentimento sebastianista da sua volta ao cenário político, após um exílio injusto na prisão - o velho papo do ex-preso político, do perseguido, alvo de uma suposta injustiça, que se fora justiça, teve um tratamento bem brando. Os estudantes e jovens se espalharam no operariado, na classe média (ou, como prefere Chauí, “classe trabalhadora”) e engrossaram as fileiras. Eram os "estudantes profissionais". Foi a vez dos agricultores e dos pequenos produtores rurais sem emprego e sem terra para cultivar e logo os veteranos de guerra junto com as classes baixas aderiram ao movimento, popularizando o gesto de louvação com a mão direita aberta em 45º. Alguns lugares depois vieram a fazer o mesmo gesto, mas com a mão fechada, mas isso são outros 500. Eis que um furdúncio na presidência da república alemã gerada por uma polarização entre Brüning e Papen e a incapacidade daquele em controlar a inflação precipitou a queda de Brüning e a condução de Papen para a cadeira-mor. Carente de um apoio de coalizão com o partido da maioria do Reichstag (o Congresso deles daquele época), foi negociar com o chefe, um tal de Hitler. Da primeira vez, pediu demais e ficou sem nada. Jogo de perde-perde: novas eleições teriam expurgado Papen do poder e colocado um suposto adversário de Hitler no poder, um tal de Hindenburg. Aquele propôs a este o mesmo que havia proposto a Papen e um pouco mais: se da primeira vez pediu demais, da segunda pediu um pouco a mais que o demais – simplesmente um superminstério. Um ministério pret-à-porter, não previsto na Constituição, nem na regra do jogo, nem em nada nem em lugar nenhum. E mais: esse superministério teria poderes excepcionais. Hindenburg não ligaria de fazer o papel de “Rainha da Inglaterra na Alemanha” e concordou em dar um cargo especial ao chefe do partido mais popular da Alemanha e que tinha o apoio de toda a classe trabalhadora. Seria bom para os dois políticos de plantão. Fê-lo Chanceler. Nesse cargo ditou novas regras que seriam aplicáveis a ele e quando Hindenberg morreu antes de ter terminado o seu mandato, o Chanceler, que tinha poderes para isso, fundiu as funções, meteu a coroa na cabeça e fez o que fez. Termina ai a história de um case clássico de golpe de estado sofisticado, aquele golpe pelas beiradas, que começa com um pedido indecente, segue com um superminstério, e um Chanceler que faz pelos incompetentes o que eles foram gratos por não fazer. Um salvador da pátria, que ajusta a economia e chega lá sozinho, sem que um único voto o tenha conduzido ao posto. E, ao seu jeito, coloca milhões de coxinhas no forno.
Hoje, 15 de março de 2016, o Brasil está a caminho de um golpe, idêntico ao que perpetrou Adolf Hitler em 1932-1933. Não sei ainda se coxinhas irão ao forno, mas não há motivos nos discursos para que fiquem na geladeira.
segunda-feira, 14 de março de 2016
MISTÉRIOS CANTÁBRICOS
Caderno de Assuntos Menores
por Eugênio Villa
"se você compra uma galinha e ela vale dois contos e quando você vai ela está com três pintinhos, ela vai valer mais" [sic]
Se eu tenho só dois contos e quero só uma galinha, boto os pintos onde?
Se ela vai valer mais por causa de três pintos, quanto vale cada pinto pra uma galinha de dois contos?
Se eu levar só um pinto, ganho desconto?
E se o pinto que eu levar não for da galinha, posso trocar de pinto?
São mistérios muito difíceis de compreender...
domingo, 13 de março de 2016
GIRAFALES ENCONTRA DONA FLORINDA
- Doña Florinda…vine a traerle este humilde obsequio...
- Profesor Jirafales: ¿No gusta pasar a tomar una tacita de cafe?
- …¿no será mucha molestia?
- ahhh... jamás...
- encantado.... después de Ud…
PROVA DERRADEIRA DA INOCÊNCIA
Eis a prova de que o Partidones nunca operou um Caicha 2 nem Axacou doadores. Bando de mentirosos chechelentos!!!!!!!
Xamem o nosso Salvador, o Xefe do Partido, o Cherife dos Movimentos sociais!!!
Xega desse Xeiro de Golpe!!!
Não ao impeaxement!!!
Impeaxement é golpe!!! Xupa!!!
Xamem o nosso Salvador, o Xefe do Partido, o Cherife dos Movimentos sociais!!!
Xega desse Xeiro de Golpe!!!
Não ao impeaxement!!!
Impeaxement é golpe!!! Xupa!!!
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